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1/24/2013

RAY CUNHA




As cartas de 
Aécio Neves na Amazônia; fisiologismo e nepotismo do tucanato 
papa-chibé





Descrição: http://mail.mailoi.oi.com.br/mail/images/cleardot.gif
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BRASÍLIA, janeiro de 2013 – O senador Aécio Neves (PSDB/MG) terá três cabos eleitorais imprescindíveis, na Amazônia, durante a jornada rumo à presidência da República, no próximo ano: o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto; o governador do Pará, Simão Jatene; e o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, todos tucanos. O novo prefeito da maior cidade da Hileia derrotou Luiz Inácio Lula da Silva numa cidade onde o ex-presidente, feroz inimigo de Virgílio, quase obteve a unanimidade em 2006.
 Artur Virgílio Neto, manauara de 1945, graduou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e é diplomata de carreira formado pelo Instituto Rio Branco. Na juventude, militou no PCB, PMDB, PSB e PSDB, do qual foi um dos fundadores. Em 1978, candidatou-se a deputado federal pelo MDB, chegando à primeira suplência, e em 1982, conseguiu eleger-se. Em 1986, foi candidato a governador do Amazonas, sendo derrotado por Amazonino Mendes. Em 1988, foi eleito prefeito de Manaus pelo PSB, derrotando o ex-governador Gilberto Mestrinho, e um ano depois migrou para o PSDB, que ajudou a fundar no ano anterior. Em 1994, elegeu-se novamente deputado federal e foi reeleito em 1998. Líder do governo Fernando Henrique Cardoso na Câmara, exerceu também o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em 2002, elegeu-se senador e em 2003 se tornou líder da bancada do PSDB no Senado. Como líder da oposição, foi um dos críticos mais ferrenhos do presidente Lula. Em 2006, novamente candidato ao governo do Amazonas, ficou em terceiro lugar. Em 2010, vítima de feroz campanha de Lula, perdeu para a comunista Vanessa Grazziotin a vaga no Senado, derrotando-a no segundo turno, em 2012, para a prefeitura de Manaus, apesar de Grazziotin ter recebido apoio pessoal de Lula, que desfechou ataques virulentos àquele que sempre o colocou no seu lugar. Até a presidente Dilma Rousseff, a mando de Lula, se empenhou pela derrota de Virgílio.
 Segundo o jornal A Crítica, a Câmara Municipal de Manaus aprovou lei encaminhada dia 8 pelo Executivo promovendo a reforma administrativa mencionada reiteradas vezes por Artur Virgílio, que fundirá e extinguirá órgãos e cargos, reduzindo de 33 para 25 as instituições da administração direta e indireta, e de 42 para 45 as subsecretarias. Também a Câmara Municipal aprovou projeto de lei enviado pelo prefeito que reduz o salário dele, do vice, secretários e subsecretários. O prefeito e o vice passaram de R$ 24 mil para R$ 18 mil e de R$ 23 mil para R$ 17 mil, respectivamente. Secretários, que ganhariam R$ 18 mil, passarão a receber R$ 15 mil, e subsecretários tiveram redução de salário de R$ 17 mil para R$ 14 mil.
Manaus, a mais populosa cidade da Amazônia, com 1.861.838 habitantes (IBGE/2012), é uma urbe europeia cercada por favelas em palafitas, como um tumor que joga carnicão no rio Negro. A reforma administrativa desarticulará várias máfias, que vêm mamando há décadas, e isso dará autoridade moral para Arthur Virgílio fazer, no próximo ano, o que ele melhor sabe fazer: falar com propriedade, mostrando que se o país continuar nas mãos do PT perderemos o bonde da História. Arthur Virgílio leva uma vantagem sobre o governador do Pará, Simão Jatene, e Zenaldo Coutinho, prefeito de Belém, a mais importante cidade da Amazônia, embora não seja a maior: o prefeito de Manaus tem projeção nacional. E caso Virgílio consiga sanear Manaus, reeleger-se-á, e poderá, em 2018, se tornar governador do Amazonas.
PARÁO governador Simão Robison Oliveira Jatene, belenense de 1949, mestre em economia, professor universitário e músico, um dos fundadores do PSDB, é o líder máximo do partido no Pará, que governou de 2003 a 2006. Renunciou a disputar a reeleição em favor de Almir Gabriel, derrotado pela então senadora Ana Júlia Carepa. Em 2010, foi eleito novamente, derrotando Carepa, desgastada pela sua inacreditável incompetência, que quase põe o Pará a pique, isto é, de joelhos perante o governo federal. Mas será o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, o grande cabo eleitoral de Aécio Neves no Pará, por uma razão: Zenaldo é um estudioso da região e sabe falar. Contudo, o PSDB paraense poderá se transformar num telhado de vidro, pois o fisiologismo e o nepotismo tucano em terras papa-chibé é de fazer corar até Ana Júlia Carepa. 
 Zenaldo Rodrigues Coutinho Júnior, 52 anos, bacharel em direito, quatro vezes deputado federal pelo PSDB, liderou o não à fragmentação do Pará em três estados, e coordenou a campanha vitoriosa de Simão Jatene de volta ao governo do Pará. Ano passado, foi um dos fundadores da Frente Parlamentar em Defesa da Amazônia e do seu Povo, e logo depois realizou e presidiu o seminário Povo e Floresta: Amazônia Sustentável – Rumo à Rio+20. Em entrevista concedida a mim, em 14 de fevereiro de 2012, Zenaldo Coutinho disse que “Belém precisa voltar a ser a capital da Amazônia”, referindo-se à importância histórica da Cidade das Mangueiras, ultrapassada populacional e economicamente por Manaus. Maltratada durante anos a fio, a última década e meia foi inclemente para a Cidade Morena. Os antecessores de Zenaldo, Edmilson Rodrigues, prefeito de 1997 a 2004, então no PT e hoje no Psol, e Duciomar Costa, do PTB, prefeito de 2005 a 2012, quase puseram Belém a pique.
Perguntei a Zenaldo qual o principal problema de Belém e ele respondeu que era “ausência de autoridade”. Afirmou: “Nós temos um conjunto de problemas que decorrem da falta de ação; muitas vezes, da absoluta inoperância da administração municipal, o que resulta em situações dramáticas. Belém é uma das capitais com menor índice de esgotamento sanitário do país, temos trânsito caótico, serviço de saúde ineficaz, insignificante, sistema educacional irrisório. Precisamos modernizar, aparelhar, equipar e ampliar a rede municipal de ensino fundamental, da mesma forma que temos que ampliar os serviços de saúde. As pessoas estão padecendo muito em Belém. Além da ausência de autoridade, há ainda falta de carinho para com a população. Belém precisa ser vista como extensão das casas de todos. Belém já foi a metrópole da Amazônia, e tem que voltar a sê-lo”.
Zenaldo é a esperança dos belenenses que apostaram nele, e um dos pilares de Aécio Neves na Amazônia. Pessoalmente, tem a perspectiva de se reeleger em 2016, tornar-se sério aspirante ao governo do Pará, em 2018, e encerrar sua carreira política como senador, se cortar na própria carne e fazer algo que ninguém tem peito para fazer em cidade alguma deste pais: sanear Belém.

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 RAY CUNHA – Escritor e Jornalista baseado em Brasília-DF, Brasil 

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