8/30/2011

EDYR AUGUSTO



PAI






Chega mais um Dia dos Pais, data apropriada para o comercio mas, why not, aproveitamos para homenagear nossos pais, tao queridos. O meu já não esta mais por aqui. Nunca pensei que faria tanta falta. Penso nele diariamente, para tudo e por isso, considero que ele anda ao meu lado. Nos seus últimos anos de vida, viramos amigos muito próximos. Aposentado, passava diariamente em minha sala, para conversar. Altos papos. Herdei alguns dos seus amigos. Todos já se foram, também, mas ia lá comigo, tomar um cafezinho. Por questão de temperamento, nunca fui próximo fisicamente dele. Nada de abracos apertados, beijos e que tais. Se comunicava pelos olhos. Não gostava de teatro. Não era a dele. Preferia musica ou os filmes de Charles Bronson. Mas ia a todas as minhas estreias.
Quando trabalhei fazendo comentários esportivos, muitas vezes os colegas, ao inves de me chamarem Edyr Augusto, chamavam Edyr Proenca e queriam se desculpar. Desculpa nada, para mim, uma honra. Mas também nunca tive medo de seu nome. Nem eu nem meus irmãos.
Nao fomos criados assim. Fomos livres, cada qual escolhendo sua direcao, sem pensar ou sofrer com comparações. Fomos parceiros de musica e futebol. Fui seu companheiro, calado, no banco da PRC-5, nas cabines dos estádios durante muitos anos. Ele me ensinou a ver o jogo. Serve ate hoje. Foi com uma letra minha que ele voltou ao violão, a compor. Tenho musicas inéditas dele, aguardando a oportunidade para lançar em cd.
As vésperas de sua morte, cheguei perto e passei a mão em seus cabelos. Nunca havia chegado tão próximo. No dia em que se foi, nao tive tempo de chorar. Precisava cuidar dos preparativos para o enterro. O choro veio algumas semanas depois, quando meu filho contou um sonho que teve com ele. Puxa, como sinto sua falta.
E no entanto, agora sou um pai, na espera de mais um Dia dos Pais. Meus filhos são adultos, um deles esta casado com uma pessoa fantástica. Meu pai dizia que sabia lidar com cada filho, pois cada um era diferente do outro. Isso mesmo.
O amor de um pai para com seus filhos talvez seja o maior possível. Maior até do que por pai e mãe, se e que podemos medir isso. E dizer que são adultos! Para nos serão sempre crianças. E procurei ser muito próximo. Beija-los, abraçá-los, elogia-los. Os tempos são outros. Dividimos roupas, discos, livros. Discutimos todos os assuntos. Mas cada um e cada um.
Desde os primeiros dias, quando me perguntavam o que desejava que fossem, quando grandes, respondia: que sejam felizes. Penso neles o tempo todo. Agora um vai fazer uma viagem. Dessas que nos, dos anos 70, sonhávamos em fazer e não fizemos. O menor quer viajar. Mas já e um homem feito. Claro que vai. Vai em frente. Mas já disse, nao posso evitar, vai partir meu coracao. Mesmo. De chorar so de pensar. Vem mais um Dia dos Pais. Vamos sair para almocar. Felizmente, por forca de trabalho, estamos quase todos os dias juntos, de modo que o almoco e algo pro forma, embora o facamos com grande prazer. O que quero ganhar? Sempre me perguntam, claro, E eu respondo: Quero o amor de vocês. .


O texto acima, de autoria de meu velho amigo Edyr Augusto Camarão Proença e filho do meu confrade - de saudosa memoria – Edyr de Paiva Proença, locutor esportivo preferido do meu pai, Sebastião - que também já se foi há quase 15 anos -, através da Jornada Esportiva Gillete, transmitida pela PRC-5 Rádio Clube do Pará, “ a voz que fala e cantiga para a planície” em 1450 kilociclos, onda de 206.20 metros – foi solicitado por um leitor que não se identificou.
Mandou o artigo por e-mail.
Na oportunidade quero agradecer pelo o bom gosto do leitor e, ao mesmo tempo, cumprimentar o Edyr Augusto pelo belo texto, extraído pelas minhas pesquisas, do seu blog. Aliás, Edyr Augusto é um dos seguidores do Jornal do Feio.

RAY CUNHA





 Octávio Ribeiro, Pena Branca



Em julho de 1978, eu trabalhava como repórter em O Liberal, no belo prédio assinado por Francisco Bolonha, antiga sede da Folha do Norte, na Rua Gaspar Viana, no centro de Belém do Pará, numa época em que o bas-fond ainda arquejava. Um dia, recebi pauta para entrevistar o lendário Octávio Ribeiro, conhecido como Pena Branca, que estava na cidade para autografar seu Barra Pesada, livro de reportagens. Ele e sua companheira - na época, uma jovem paulistana, herdeira de uma indústria de vidraça – estavam hospedados em um pequeno hotel no centro de Belém. Era uma manhã ensolarada, pois julho é o auge do verão amazônico. Diga-se que verão na Amazônia é estiagem, ou é quando chove menos, estação que vai de maio a outubro; pressupõe-se que chove mais de novembro a abril, o que chamamos (sou amazônida) de inverno. Pena Branca recebeu esse apelido porque tinha uma mexa branca de cabelo no alto da testa, mas, em 1978, seu cabelo começava a ficar grisalho. Ele era grandalhão, tinha a voz grossa e emanava vitalidade. Quando leu a entrevista, comentou que era a melhor da imprensa local.
Naquela época, eu frequentava a casa do Walmir Botelho, hoje diretor de redação de O Liberal. Ele se casara com minha amiga de infância, Deury Farias, de Macapá. O Walmir comandava, juntamente com Oliveira Bastos, O Estado do Pará, um dos melhores jornais já feitos em Belém, e o Oliveira acabara de convidar o Pena Branca para dar uma sacudida na editoria de polícia do jornal. Quando o Pena me viu na sala do Walmir me convidou na hora para eu assumir como redator, recebendo mais do que o dobro do que eu ganhava em O Liberal. Aceitei na hora.
Trabalhei um mês e meio com Pena Branca. Aprendi muito com ele. Além de armar frases claras e curtas, de usar as palavras com propriedade, do rigor gramatical e o tom coloquial, e de ter feeling para a notícia jornalística, aprendi também que em jornalismo é preciso investigar, investigar, investigar, para não cometer injustiça. De madrugada, quase sempre saíamos juntos, Walmir, Pena e eu, além de outros colegas. Íamos para a noite belenense. Uma noite, ele me convidou para dormir no apartamento dele e da sua mulher, no prédio da Assembleia Paraense, na Avenida Presidente Vargas. Estávamos lá quando rebentou uma discussão entre os dois. Parecia que iam quebrar o apartamento todo. Depois ficaram mansos. Soube depois que aquilo era normal entre eles. De qualquer forma só não fui embora porque Pena me pôs em cárcere privado. Não queria que eu fosse embora. Era um sujeito que precisava de companhia e movimento o tempo todo.
Além de redigir a manchete e outras matérias importantes de polícia, eu escrevia contos engraçados que eram publicados no jornal e ainda ajudava, às vezes, o Walmir na capa. O Pena me adorava, porque gostava do meu texto e, creio, porque lhe transmitisse serenidade. Eu também gostava bastante dele. Mas em pouco tempo fui me enchendo da editora de polícia. Comecei minha carreira de jornalista como repórter policial no Jornal do Comércio, de Manaus, em outubro de 1975, em plena ditadura militar. O Casarão, a central de polícia, fedia a urina, a sangue seco, a tortura, a sebo. Os dois meses que trabalhei como repórter policial foram a travessia de um pântano de baixezas humanas, onde a morte trágica era rotina. De lá, fui para a reportagem geral de A Notícia.
Em O Estado do Pará, comecei a me encher daquele mundo de horrores, que era o mundo policial na época da ditadura, e também da falta de preparo, de sensibilidade, dos repórteres policiais. Na verdade, eu sempre quis escrever literatura; apenas ganhava a vida como jornalista. Aliás, eu não tinha sequer o ensino básico completo, e só entrei na universidade depois de fazer o supletivo dos antigos cursos ginasial e segundo grau, em 1982, terminando o curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), em 1987. Um mês e meio depois, pedi ao Pena para sair da polícia e ir para a editoria de cidade. A reação do Pena foi possessiva: disse ao Oliveira Bastos, que era dono do jornal, juntamente com Avertano Rocha, que se eu não fosse demitido ele sairia. O resultado é que eu me mandei.
Fui para Rio Branco, trabalhar com Elson Martins na Gazeta do Acre. De lá, voltei para Manaus e para Belém. Em 1987, vim para Brasília, e fui trabalhar novamente com o Walmir Botelho, então diretor de redação do Correio do Brasil. O Octávio Ribeiro andou também por Brasília, sempre brilhando. Daqui, foi para Manaus, onde morreu.
Em um mês e meio de convivência com ele foi como se o conhecesse há décadas, tal a intensidade com que vivia, e vivia intensamente a investigação, o deslindamento do mistério, a própria vida. Era também afetuoso, justo, e possessivo. Acho que se sentia só porque, como uma estrela cadente, se consumiu rapidamente num voo fulgurante. Resta a lenda.

8/26/2011





José Maria Azevedo Curt
Aguas Negras/ Icoaraci/Belém

....O Laboratório Guadalupe não foi inaugurado neste mês?

Foi. O médico Evandro Oliveira inaugurou do Laboratório Guadalupe/Sorriso, no 25 de agosto, uma quinta-feira, há sete anos, no final da manhã.

Maria so Céu Esteves Sacramento
Nazaré, Belém.Pa

Tem visto o ex-prefeito Augusto Rezende?

O ex-prefeito, amigo e gente boníssima - e excelente amigo - Manoel Augusto Costa Rezende, administrador e contador, sempre visita Icoaraci. De vez quando é visto deliciando-se com várias goladas de água de coco na orla Cruzeiro. Ele que durante a sua curta gestão na PMB, não se esqueceu de Icoaraci.
Lembro que no final da sua administração construiu uma quadra polivalente com todos os equipamentos ao lado da Praça da Matriz, que foi – “inexplicavelmente” derrubada pelo ex-agente distrital Francisco das Chagas Azevedo (falecido) por ordem de Edmilson Rodrigues
Em tempo - Uma das intenções de Rezende - que não teve tempo de implementar - era o transporte leve sobre trilhos, uma espécie de metrô de superfície, circulando na área metropolitana de Belém. Isso significaria o retorno do nosso trem...de tantas e maravilhosas recordações!!!

Que tal a sugestão Duciomar?


Esmelinda dos Santos Pojucan
(Estrada do Outeiro)
Icoaraci

....e deram o nome do Dr. Evandro Bonna para uma rua no Outeiro...


Realmente. O engenheiro rodoviário Evandro Simões Bonna, ex “subprefeito” de Icoaraci, - o melhor que minha Vila Sorriso teve nesses últimos 40 anos – falecido em setembro do ano passado - e a quem esta mini-cidade muito deve, foi homenageado com nome de rua. É a Rua Evandro Bonna em Itaiteua, Outeiro. Aliás, aquela comunidade foi praticamente descoberta por ele nos idos de 68. Lá Bonna construiu a capela da comunidade a Escola Monsenhor Azevedo.

Álvaro Negromonte Baptista
Ananindeua, Pará

O Jornal do Feio é lido além de Icoaraci, Belém etc?


Em São Paulo – sede do site que a o abriga – o Google, o Jornal do Feio – é lido por Elayne Aparecida Reuters de Freitas, de Itaquera, administradora de empresas...e bonita, também.
Em Minas é lida por Mônica Setembrino de Moraes Vergueiro, de Divinópolis, também jornalista.
No Rio de Janeiro, o blog é lido por Vera Lúcia Almeida Dias, grande amiga e antiga colega da Artplan Publicidade; Natalia Paiva de Sena – é cunhada, mas conta...-; Norma Cereja de Abrantes, de Marechal Hermes; Marta Priscila Arantes de Souza, do Flamengo; Eliane dos Santos Bessa, de Cavalcante; Tereza Christina Cassino Marques, de Teresópolis; Oscar Silvano, Jorge Lamperine, Pedro Pavani. José àracy de Negrerios – todos ex-colegas de trabalho, dentre outros.
Em São Paulo, é até covardia: todo restante a família, irmãos, tios sobrinhos, uma porção de gente na capital e algumas cidades!
No Recife, o nosso ponta-de-lança é José Carlos Nascimento, funcionário da Prefeitura Municipal.
No Ceará que acessa o Jornal do Feio é: Raimundo Moreira e os seus oito filhos (!), em Caucaia; Evandro Figueiredo Cunha (filho de Icoaraci) e Janete Sevilha de Aviz  Forte (Aldeota), segundo os e-mails revebidos
Daqui a pouco o Jornal do Feio será lido – um pouco mais, claro-, em Porto Velho/Rondonia. A Telma – que deixou a Visão, após quase 10 anos – viajou para àquela cidade na semana passada. Além de passar uma temporada, conhecendo a cidade natal e os muitos parentes,ela fará a divulgação do blog do marido!!!!
Tem muitos paraenses radicados naquele estado.
Portanto meu caro Negromonte - homônimo de um padre/escritor que conheci ainda crianças quando veio a Belém... – o Jornal do Feio tem público cativo, interessado e por vezes, chato!.
Graças a Deus. 


José Carlos Garrido Simples
Cidade Velha. Belém.Pa.


A coluna Thompson Mota não foi publicada devido ao fato do “cabo” não ter enviado o texto. Tão logo chegue vai pro ar!



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¨Correspondência: aldemyrfeio@gmail.com

Projeto forma Trilhas Ecológicas em Outeiro



Professores e alunos da Fundação Escola Bosque (Funbosque) envolvidos no projeto Agentes e Monitores Ambientais (AMA) iniciaram esta semana o trabalho para formação de trilhas ecológicas interpretativas na área da sede da escola, na ilha de Caratateua, distrito de Outeiro.
O grupo fará a identificação e plaqueamento das espécies e criará uma trilha sensorial, esta para atender as necessidades dos portadores de deficiência.
O AMA foi implantado em 2007. A coordenação está a cargo do professor Elias Gomes. Do grupo de docentes, também fazem parte os professores Célio Costa (agrônomo) e Flávio Contente (engenheiro florestal). Entre as principais atividades desenvolvidas, estão a recuperação de carteiras escolares e criação de um viveiro de mudas na área da própria escola, além da promoção de palestras e encontros sempre voltados para temas ambientais.


O trabalho do AMA conta com parceria da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) e Projeto Ariri Vivo. As atividades desenvolvidas têm despertado tanto interesse em outras instituições, que a Escola Bosque recebe com freqüência visitas de estudantes, professores e profissionais que atuam com questões ambientais no Brasil em outros países.


Serviço - Mais informações sobre os projetos desenvolvidos com o professor Elias Gomes, pelo telefone: 3267-1354

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Lucirene Gomes

8/22/2011

RAY CUNHA





O primeiro beijo


No primeiro beijo, na noite de 15 de maio de 1988, quando ignorávamos O último imperador da china, de Bernardo Bertolucci, no antigo cinema do Conjunto Nacional, soube que eu era teu para sempre, e que todas as minhas fugas, mesmo aquelas em que eu seria atraído por uma sereia, acabariam nos teus braços. E quando deste à luz nossa princesinha, nasceu em mim um leão no auge da sua força, que brame na praia quando o sol se põe, para o mar azul. Quando eu fui insano, nós três corremos muito perigo, porque minha fúria destruía tudo ao nosso redor, mas Deus, que é meu Pai, destinou um anjo de luz, alto como Hemingway, de olhos grandes como os do ET de Spielberg e fulminante como uma Glock 9 mm, para iluminar meu caminho. Assim, escapamos de todas. Além do mais, Josiane, eu te ofertei minha biblioteca e, para a Iasmim, dei um portal que lhe permite ver as coisas verdadeiras, invisíveis aos olhos, mas tangíveis ao coração: O pequeno príncipe, que Antoine de Saint-Exupéry criou, quiçá durante um voo para o norte da África.


Teu primeiro beijo foi como todos os beijos que recebi de outras princesas. Mesmo que sejam o roçar de lábios, têm o efeito de um cataclismo de rosas vermelhas na vertigem do abismo em que despencamos como num sonho. Tenho um sonho recorrente em que voo, voos sempre altos, porque sei que voos baixos levam perigo. Também sonho em Copacabana, que é sensual como Goiânia e como a Avenida Presidente Vargas, em Belém, no fim da tarde. E sonho contigo, minha cafuza amada. Teus olhos são sempre doces como os das mulatas de Di Cavalcanti. Agora, sou como um velho soldado, manco e com artrite nas mãos, mas atento como o apanhador no campo de centeio. Para socorrê-las, tomo de um trago uma taça de adrenalina e o leão, jovem como quando nasceu em mim, está pronto para o bote.


Todas as mulheres que me amaram inocularam para sempre em mim a capacidade de sentir a Terra girar, não na velocidade física, mas na dimensão de uma sinfonia azul de Raimundo Peixe, quando eu tinha 14 anos de idade e havia bebido um quarto de litro de rum. O beijo da Leila me levou à Lua, nos idos de 1969, um ano antes de os Beatles se separarem (como se fossem casados!), e os da Mara me iluminaram para sempre. Ela tinha os olhos verdes nas tardes quentes; em certas manhãs eram azuis como o mar, e, às vezes, eram felinos. Tinha cheiro de madrugada, um leve sabor de vinho e qualquer coisa espanhola. Os beijos da Josiane são doces como um terremoto, e eu sinto a Terra girar quando ouço os murmúrios dos seus sonhos no acme.


Tenho já 57 anos de idade, mas continuo sentindo a mesma vertigem dos primeiros beijos, leves como a brisa, vendaval de 7 mil rosas colombianas. Acho que porque sinto, além do corpo feminino, o perfume das virgens ruivas, em cada mulher, sei que todas elas são santuários que não devem ser corrompidos, nunca, pois as mulheres guardam a marca do Criador na sua beleza de jato prestes a pousar. Devemos imobilizar as mulheres que amamos com pegadas fortes, mas nunca de carrasco e sempre de artista, porque cada mulher merece nossa melhor criação, especialmente a mulher amada.


O leite da mulher amada, que jorra como água cristalina na boca do viajor sedento, é como uma garrafa de Dom Pérignon, safra de 1954, após um dia de labuta na vida de um escritor que conseguiu dar vida a uma personagem de parto difícil. É como um homem que não espera senão uma rotina mortificante e que, de repente, salva uma princesa em perigo e recebe um sorriso dela. Haverá algo mais precioso do que o sorriso de uma mulher? Os sorrisos nascem numa região secreta do santuário feminino. Graças a Deus, bebi suficiente leite extraído de criaturas tão lindas como virgens ruivas, por isto sei que meu caminho é seguro, acaba sempre nos braços da mulher amada, que é, ela mesma, o próprio primeiro beijo.




Brasília, 18 de agosto de 2011

8/16/2011


A GENTE NEM ERA BRASIL ---

Afinal, quem é mais moderno neste país?

Márcio Souza

NA AMÉRICA LATINA nunca aconteceu nada parecido como a Guerra da Secessão americana, porém, em cada um dos países latinos houve, em determinado momento de sua história, um confronto entre modelos de sociedade, de choques entre propostas avançadas, modernas e posições atrasadas e retrógradas. O exemplo da Guerra da Secessão americana, em que uma nação não apelou para a conciliação e foi capaz de derramar sangue para decidir princípios, sempre causa uma impressão forte, especialmente em um país como o Brasil, onde o mito da história incruenta serviu, durante muito tempo, para mascarar os nossos desacertos. Agora, porém, já se sabe. Aqui muito sangue também foi derramado e princípios também estiveram em jogo. Basta relembrar como foram os trágicos anos vividos pelo então Grão-Pará entre 1823 e 1840.

Para que se compreenda a questão, um fato deve ficar claro desde já: em 1822 a Amazônia não fazia parte do Brasil. Sequer se chamava Amazônia.

Na verdade, os portugueses construíram duas colônias na América do Sul. Pode-se mesmo acreditar que esta não foi uma decisão administrativa dos portugueses, mas uma conseqüência das limitações tecnológicas. Naqueles tempos de navegação a vela, a transposição do cabo Branco era praticamente impossível e perigoso. Assim, para os que vinham do Atlântico Norte, as rotas mais propícias eram aquelas que, seguindo as correntes, levavam diretamente ao Atlântico Sul e ao litoral do Brasil, ou as que levavam ao Caribe e ao estuário do rio Amazonas. Uma viagem do Rio de Janeiro para Lisboa em 1790 durava noventa dias; uma entre Belém e Lisboa na mesma época durava trinta dias; já outra entre o Rio de Janeiro e Belém podia durar até cinco meses.
O certo, então, é que tínhamos duas colônias de língua portuguesa na América do Sul. Uma descoberta por Cabral em 1500, batizada com o nome de Brasil e administrada por governadores gerais e vice-reis, com capital no Rio de Janeiro e um território que, ao norte, começava nos limites do atual estado do Piauí, descendo por uma estreita faixa pelo litoral nordestino, passando por Goiás, Minas Gerais e estendendo-se até as margens do rio da Prata, hoje o Uruguai. A outra colônia, inicialmente conhecida como Grão-Pará e Maranhão e mais tarde como Grão-Pará e Rio Negro, foi descoberta por Vicente Iañes Pinzón, em 1498, logo após a terceira viagem de Colombo à América, quando batizou o rio Amazonas de mar Dulce, mas efetivamente ocupada pelos portugueses a partir de 1630. Essa colônia tinha em seu território o equivalente à reunião dos atuais es tados do Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia e parte do Acre. A capital era Santa Maria de Belém e era administrada por governadores militares e administradores diretamente ligados a Lisboa. Essas duas administrações coloniais se desenvolveram distintamente até 1823, data em que o Império do Brasil começou a anexar a colônia nortista. Uma nota curiosa: os habitantes da colônia do Sul eram chamados de brasileiros, os do norte de portugueses-americanos.
A independência do Brasil em 1822 pouco reflexo teve no território do Grão-Pará. Alguns adeptos da idéia da independência, como Felipe Patroni, e o cônego Batista Campos desejavam cortar os laços com a Metrópole, mas estavam completamente isolados do Rio de Janeiro, mantendo contatos e trocas de correspondência apenas com as lideranças do nordeste. A notícia da proclamação do príncipe Pedro de Alcântara, herdeiro da casa de Bragança, trouxe muita desconfiança, embora o gesto tenha aguçado o desejo de repetir o feito na progressista colônia ao norte. Um jornal, editado por Patroni, o primeiro a circular na Amazônia, O Paraense, pregou o corte dos laços com Portugal, mas apenas por alguns meses de 1822, sendo fechado e seu proprietário perseguido. Em março do 1823, o cônego Batista Campos consegue eleger para a legislatura de Belé m uma maioria de brasileiros, mas os portugueses anulam as eleições. Em abril, um levante propondo a adesão ao Império do Brasil é esmagado e seus participantes deportados para Lisboa, onde são condenados à morte. Finalmente, em agosto, aporta em Belém o brigue Maranhão, comandado por John Pascoe Greenfell, mercenário inglês sob o comando do almirante Cochrane e a soldo do Império do Brasil. Greenfell, que estava com 21 anos, inaugura o modelo de relação que o governo central do Brasil teria com a Amazônia a partir de então: o blefe. No dia 11 de agosto, depois de espalhar o boato de que a esquadra de Cochrane estava fundeada nas proximidades, Greenfell enviou um ultimato aos governantes portugueses para que depusessem as armas ou aderissem ao Império do Brasil. Caso recusassem, Belém sofreria um bombardeio naval.
A maioria dos portugueses e quase toda a burocracia colonial aderiram incondicionalmente e os nacionalistas viram-se alijados do poder. Da mesma forma que no recôncavo baiano e em Pernambuco, a administração de José Bonifácio preferia apostar nas lideranças conservadoras, geralmente portugueses de fortuna adquirida na colônia, do que apoiar líderes brasileiros não exatamente afinados com o espírito da casa de Bragança. De 1823 para frente o que vai se ver é o constante embate entre as correntes conservadoras e nacionalistas, os primeiros com o Partido Caramuru e os segundos com a Sociedade Filantrópica. As refregas políticas invariavelmente acabavam em choques armados.

Aqui é pertinente uma pergunta. Por que a violência tornou-se a única via possível? Onde estava o espírito conciliador ciosamente cultivado pelas nossas elites? A melhor explicação está na profunda diferença entre as duas colônias, tão distintas que eram em estratégias, na cultura, na economia e até na visão de mundo.
A verdadeira fundação do estado do Grão Pará e Maranhão se deu em 31 de julho de 1751, com a assinatura do decreto pelo Marquês de Pombal. Para governar o novo Estado Pombal nomeia seu irmão Xavier de Mendonça Furtado, que imediatamente põe em prática uma série de medidas, como a criação da capitania do Rio Negro, a criação do Diretório dos Índios, a transformação das povoações e aldeias indígenas em vilas portuguesas, a liberdade legal concedida aos índios e a cassação dos poderes temporais da Igreja Católica. A economia da primeira fase colônia, que era baseada na extração de drogas do sertão – extrativismo primário –, transforma-se radicalmente, fundamentando-se na produção manufaturada e na agricultura de pequenas propriedades. A exportação e o consumo local de produtos de borracha alimentavam uma indústria florescente, que produzia artigos de fama mundial, como sapatos e galochas, capas impermeáveis, molas e instrumentos cirúrgicos. Baseava-se também numa vigorosa indústria naval que chegou a produzir mais da metade da frota portuguesa no final do século XVIII. Esta indústria localizava-se em cidades das imediações de Belém, onde ainda estão presentes os sinais da arte portuguesa de construir embarcações. Os mais belos barcos regionais, que lembram os bergantins do século XVIII, continuam a ser fabricados nas tradicionais cidades paraenses e continuam a singrar os rios do grande vale. Quanto à agricultura, a política de pequenas propriedades permitiu a introdução de culturas como as do algodão, anil, tabaco e café, além do rápido crescimento da economia do cacau no baixo Amazonas. O programa agrícola foi reforçado pela vinda de colonos portugueses, culminando com a chegada das famílias oriundas da antiga província de Mazagão. Em 1772, com a expansão e o crescimen to dos territórios do oeste, o estado passa a se chamar Grão-Pará e Rio Negro.
O Grão-Pará desfrutava de uma cultura urbana bastante desenvolvida, com uma capital de belo traçado e edifícios requintados, onde se pode encontrar exemplares pioneiros da arquitetura neoclássica, obra de Antônio José Landi, o arquiteto de Bolonha contratado por Lisboa para embelezar a cidade de Belém e fazer da miserável aldeia de Barcelos, sede da capitania do Rio Negro, uma cidade habitável. A obra de Landi, um sopro de ar inovador numa época exclusivamente barroca, ainda não foi devidamente avaliada. A vida social de Belém era bastante austera, mas as noites tropicais eram inundadas de música e canto, que vinham das casas particulares e das bandas a animar as praças repletas de transeuntes. É desse período a obra de Tenreiro Aranha, o primeiro escritor de língua portuguesa nativo da região, que também produziu uma interessante obra dramáti ca, que ele mesmo encenou em concorridas e controvertidas produções. Aliás, o teatro era uma das paixões do povo de Belém, e foi ali naquela cidade que algumas das ousadas peças de Gabriel Malagrida, missionário jesuíta, naturalista e místico espanhol que teria a duvidosa honra de ser o último herege a ser queimado na fogueira pela Inquisição, foram encenadas e vistas pela primeira e única vez. A Casa de Ópera de Belém é de 1775 e é no Grão-Pará e Rio Negro que a profissão de ator, por decreto oficial, deixa de ser considerada infame, seguindo uma ordenação de 1771, outorgada pelo rei Dom José I, de Portugal. Vale observar que a Casa de Ópera funcionou até 1812, entrando em decadência depois dos fastos de 1823. Uma das originalidades da sociedade nortista era o papel da mulher. Num olhar superficial, a condição da mulher não parecia distinta do que sucedia em outras partes, mesmo daquelas sociedades que se consideravam mais civilizadas. No entant o, algo de particular existia ali, como a intensa participação das mulheres na política, nos anos que ensangüentaram o Grão-Pará. No dia 16 de abril de 1833, é fundada em Belém uma organização secreta feminina como nunca houve em outras partes do Brasil. Era a Sociedade das Novas Amazonas, que tinha como finalidade a formação de mulheres com virtudes políticas capazes de dar provas de amor à pátria e adesão à liberdade. Inspiradas nas lendárias amazonas guerreiras, as Iluminadas, com se auto-intitulavam, chegaram a somar mais de mil seguidoras e foram muito influentes. Assim, homens como Tenreiro Aranha, Patroni e o cônego Batista Campos não surgiram do nada, mas foram caudatários de uma civilização própria, em que a tradição cultural ibérica aparece recriada não apenas pelo mundo amazônico, mas absorveu fontes inesperadas, com os ideais da revolução francesa e a filosofia da Ilustração. Deu-se que em 1808, em represália à invasão francesa em Portugal, os nortistas reuniram uma armada e invadiram a Guiana Francesa. Em Caiena funcionava uma delegacia da Revolução, dedicada a traduzir e a editar em espanhol e português as obras de agitação e textos filosóficos, que eram infiltrados nos países vizinhos. As administrações coloniais espanholas e portuguesas temiam tanto esse trabalho que, em Belém, se alguém fosse flagrado portando um desses textos, como, por exemplo, um exemplar da declaração dos direitos do Homem, era preso e sumariamente fuzilado. Por ironia histórica, é naquele antro de subversão, no exato covil onde se destilavam esses "mortíferos venenos", que os nortistas vão se meter e viver durante anos de ocupação, até a assinatura do Tratado de Fontainebleau, em 1814, anos de convívio promíscuo que deram a eles, oficiais e jovens burocratas, acesso a verdadeiras bibliotecas revolucionárias que foram sendo pouco a pouco transferidas para Belém, transportadas nos navios de guerra e sob a proteção daqueles que deveriam confiscá-las.

Talvez por tudo isso, os intelectuais do Grão-Pará tivessem consciência de que não havia salvação fora da adesão ao Império do Brasil. Se continuassem portugueses, numa tentativa de fazer um Canadá português, sofreriam um retrocesso. A administração do ultramar nunca mais seria como antes, nunca mais Portugal teria um Pombal e os portugueses estavam ficando ressentidos e revanchistas como conseqüência de tantos reveses: invasão francesa e transferência da Corte para o Rio de Janeiro; recessão econômica e a independência do Brasil. Havia o risco também de passarem para outras mãos, se tornarem colônia inglesa, ou francesa... Imaginem uma imensa Jamaica equatorial encravada ao norte, fazendo par com a Guiana francesa.

Homens como o cônego Batista Campos sabiam do risco em aderir a um regime monárquico, e ainda por cima com um Imperador português de temperamento brusco no comando, quando o ideal é que o regime fosse republicano. Além disso, estavam se juntando a um país que tinha uma economia completamente diferente e, em certos aspectos, até mais atrasada. A questão é que a economia do Grão-Pará tinha uma participação alta de mão-de-obra assalariada, de gente livre. Os escravos eram minoria, sem peso algum na produção de bens. Já a economia do Império do Brasil não podia funcionar sem escravos. No Grão-Pará a cultura não estava marcada pela relação senhor e escravo, pela sordidez do cativeiro, de tal forma que a maioria do povo sequer tinha entrado na cadeia produtiva, trabalhando para seu próprio sustento. E nem precisavam se esforçar muito, tamanha a exuberância da natureza. Já no Brasil, não havia massa de gente que não fosse escrava, e todos trabalhavam para algum fazendeiro, porque o sistema era de latifúndios, tal qual no sul dos Estados Unidos, comandados por grandes senhores, gente poderosa que mandava mais que El Rei em seus domínios. No Brasil a indústria era pequena, medíocre e desprezível – produção de estearina, olarias, marcenarias –, e se dizia até que não era vocação do país. No Grão-Pará, nas pequenas fazendas, todos iam juntos lavrar a terra, os proprietários e os empregados, coisa impensável no Brasil. Das colônias portuguesas, o Grão-Pará era a única a possuir uma pauta de exportações onde os produtos manufaturados suplantavam a matéria-prima.

Em compensação, a colônia chamada Brasil dependia amplamente da agricultura e da agroindústria, tendo, portanto, uma forte proporção de mão-de-obra escrava. Em meados do século XVIII, tanto o Grão-Pará como o Brasil conseguem criar uma forte classe de comerciantes, bastante ligados à importação e à exportação, senhores de grandes fortunas e bastantes autônomos em relação à Metrópole. Mas enquanto os comerciantes do Rio de Janeiro deliberadamente optaram pela agricultura de trabalho intensivo, como o café, baseando-se no regime da escravidão, os empresários do Grão-Pará intensificaram seus investimentos na indústria naval e nas primeiras fábricas de beneficiamento de produtos extrativos, especialmente o tabaco e a castanha-do-pará. O que as lideranças nortistas queriam, na falta de outra opção, era ocupar o espaço político pós-col onial, fazer com que os líderes brasileiros tivessem neles os seus interlocutores, quando chegasse a hora.

Isto não foi o que aconteceu. A anexação da Amazônia acabou se dando pela força, por que exigia um projeto de nação e uma visão de política continental, coisa que nem os nortistas nem os brasileiros tinham. E entre 1823 e 1840, o que vai se ver é um processo de provocação deliberada por parte do Rio de Janeiro e a fúria crescente da parte do Grão-Pará. O resultado foi uma severa convulsão social e a conseqüente repressão.

O mais importante historiador do período, Domingos Antonio Rayol, Barão de Guajará, resume as responsabilidades dos homens de seu tempo e demonstra que os protagonistas a se digladiarem em lutas fratricidas, tratando cada um de desmoralizar por sua vez o princípio de autoridade, arrastando as massas populares aos movimentos tumultuários, apagando nelas a noção dos deveres sociais, cavando o abismo em que mais tarde uns e outros se precipitaram, com irreparável dano e ruína geral da Província.

Entre 1823 e 1840, a região norte sofre a intervenção política e militar do Império do Brasil, perde suas lideranças históricas e deixa de ser uma administração colonial autônoma para se transformar numa fronteira econômica. A derrota do Grão-Pará e sua destruição pelo Império do Brasil, se me permitem a comparação um tanto audaciosa, foi, de certo modo, como se o Sul tivesse vencido a Guerra de Secessão, nos Estados Unidos. Dezessete anos de guerra civil levaram a Amazônia a perder 40% dos seus habitantes. A anexação destruiu todos os focos de prosperidade. Entre os políticos do Império do Brasil e as lideranças nortistas nenhum diálogo foi possível. E o vento levou o Grão-Pará.

O Brasil é fruto de opções históricas como essa que acabamos de resumir. Evidentemente que opções erradas não são exclusivas de nossa história, mas o problema é que a elas se colam os efeitos de uma perversa dicotomia, como se o país se configurasse por um eterno embate entre áreas endemicamente pobres e áreas historicamente ricas, entre regiões intrinsecamente modernas e outras atavicamente arcaicas. Nesse falso pressuposto, o Norte e o Nordeste representam o arcaico, o atraso, um fardo que o Centro-Sul moderno precisa financiar, empurrar e suportar. Por tudo que vimos até agora, esta oposição arcaísmo-modernidade não estaria sendo vista do avesso?
Certamente, no caso da Amazônia, o rótulo de região atrasada tem sido foco de desastres. É aqui que reside o problema. Especialmente porque se há uma região brasileira que melhor conheça a experiência da modernidade, esta é a Amazônia, como prova a sua própria história. Nos quinhentos anos de presença da cultura européia, experimentou os métodos mais modernos de exploração. Cada uma das fases da história regional mostra a modernidade das experiências que foram se sucedendo: agricultura capitalista de pequenos proprietários em 1760 com o Marquês de Pombal, economia extrativista exportadora em 1890 com a borracha, e estrutura industrial eletroeletrônica em 1970 com a Zona Franca de Manaus. Os habitantes da Amazônia, portanto, não se assustam facilmente com problemas de modernidade, o que vem provar que a região é bem mais surpreendente, com plexa e senhora de um perfil civilizatório insuspeito pela vã ingenuidade. Não é por outro motivo que a Amazônia continua um conveniente mistério para os brasileiros. Portanto, vamos com calma quando aplicarmos esses rótulos.

Experiências de modernidade já foram feitas na região. Mas os tecnocratas e o governo central foram incapazes de favorecer a aceitação de experiências locais no processo de integração econômica, porque de uma área atrasada nada se espera.

Isto aparece claramente com o projeto agropecuário da ditadura militar. O estímulo para a criação de gado tornou-se uma catástrofe para a Amazônia porque o modelo agropecuário foi imposto a um estado, o Acre, onde não havia tradição de criação de gado, e que por causa disso perdeu sua cobertura florestal tradicional. Enquanto os tecnocratas de Brasília mandavam boi para os sertões do Acre, os nativos se perguntavam: por que não usaram as zonas tradicionais de pasto? Sim, pastos naturais como os existentes no baixo Amazonas, na região de Óbidos, Alemquer e Oriximiná, ou em Roraima, cuia superfície é superior à de todos os pastos europeus reunidos? Esse é exatamente um caso em que a integrarão econômica foi feita em detrimento da história e da tradição locais. E, no entanto, a arrogância não ficou apenas com os tecnocratas do governo mil itar, um contingente imenso de salvadores da pobre e atrasada Amazônia estabeleceu suas agendas baseadas em conclusões apressadas.

Por exemplo, as propostas de neo-extrativismo de Chico Mendes tomadas como solução universal para a questão amazônica. Para começo de conversa, elas se destinavam apenas a dois ou três municípios do Acre. Chico Mendes era de Xapuri, quase na fronteira com a Bolívia. Em Cruzeiro do Sul, alguns quilômetros para o norte, não serviam mais. Era, portanto, absurdo focalizar-se nelas e apresentá-las como soluções de uso geral na região, como fizeram alguns ecologistas e certos movimentos de defesa da região. Nos parâmetros políticos de 1985, quando a idéia foi gerada, a luta por tais reservas extrativistas estava perfeitamente explicada. No entanto, este foi um conceito que muito foi alargado desde então, a ponto de se tornar uma das mais usadas medidas "de preservação" do governo Sarney e, em termos políticos amplos, como espécie de proposta geral para a região, pois o "futuro" da Amazônia estaria em sua total regressão à economia extrativista.

O extrativismo foi o subsistema econômico engendrado pelo chamado ciclo da borracha. O seu impacto acabou por imprimir a face social da Amazônia, criando uma peculiar cultura, determinando sua estrutura de classes e até mesmo as formas de ocupação do espaço geográfico. Estou convencido de que Chico Mendes, como todo nativo da região, conhecia muito bem o caráter da velha sociedade extrativista, especialmente o caráter dos proprietários extrativistas, incapazes de enfrentar o modelo agropecuário e de defender suas propriedades. As reservas extrativistas foram uma brilhante solução tática para preencher esse vazio político. Era uma forma de mobilizar os seringueiros para a defesa da propriedade extrativista, já que os proprietários estavam enfraquecidos, postos à margem pelo modelo econômico agropecuário e especulador.

Uma economia como a extrativista, que sequer formou uma oligarquia firme em seus propósitos, não pode servir de modelo de restauração salvadora. Os proprietários extrativistas foram saindo de cena, consumindo o melhor de sua energia e capacidade criadora no exercício de sobreviver a qualquer custo. Durante o tempo em que estiveram parasitando a natureza da região, os extrativistas relacionaram-se com os grupos hegemônicos do país através de uma lamentável sublimação política. Fingiam que tinham o poder, encenavam os seus desejos e, no final, acabavam por conciliar, seguindo a reboque com a sensação do dever cumprido.

Chico Mendes não estava fazendo nenhum tipo de apologia restauradora de uma página negra da história regional ao propor a luta pela transformação dos seringais acreanos em reservas. Ele sabia que tais reservas eram soluções muito localizadas, que não respondiam sequer ao problema do Acre, quanto mais de uma área continental, diversificada, como a Amazônia brasileira. Falar, portanto, que o destino da Amazônia é a regressão ao extrativismo, mesmo a um extrativismo idílico, socializado e místico, é mais uma vez atropelar a própria Amazônia. De qualquer modo, vamos supor que fosse possível fazer da Amazônia uma imensa reserva extrativista, um enorme playground para todos os diversos "pirados" da terra. Bem, este é o sonho nada pirado da poderosa indústria farmacêutica internacional, dos grupos econômicos que trabalham com a biotecnol ogia, com a engenharia genética e a etnobiologia. Assim, mais uma vez deseja-se que a Amazônia ofereça o que tem, mas que fique em seu lugar, como território primitivo, de gente primitiva, que não deve jamais ter acesso a essas tecnologias e ao controle econômico de seus produtos.

O certo é que se o extrativismo na Amazônia não está morto, deve ser definitivamente erradicado por qualquer plano que respeite o processo histórico e a vontade regional. Mesmo porque a Amazônia não deve ser reserva de nada, nem celeiro, nem estoque genético ou espaço do rústico para deleite dos turistas pós-industriais.

Infelizmente, o modelo econômico brasileiro insiste em destruir riquezas que sequer foram computadas, movido por puro imediatismo econômico. Mas não se deve agravar mais a região impondo-se soluções aparentemente ditadas pelo espírito da solidariedade. Especialmente porque contra os abusos é possível resistir, mas não há nada que se possa fazer contra a solidariedade.

Se o Império do Brasil não tivesse tido que se haver com o Grão-Pará, ou, como disse José Honório Rodrigues, se não tivesse passado o tempo inteiro reprimindo revoltas populares, podemos estar certos de que o processo de formação da sociedade brasileira teria chegado a outro resultado. Na realidade, o Grão-Pará foi reinventado em Amazônia pelo Império do Brasil, que propôs para a região derrotada uma nova e conveniente imagem, que ainda não se ajustou totalmente e às vezes causa desconforto. Os nativos da Amazônia sempre se espantam ao ver que, talvez para melhor vendê-la e explorá-la, ainda apresentam sua região como habitada essencialmente por tribos indígenas, quando existem há muito tempo cidades, uma verdadeira vida urbana, e uma população culta que teceu laços estreitos com o mundo desde o século XIX. Aliás, nisso residem as maior es possibilidades de resistência e de sobrevivência da região. Com efeito, os povos indígenas da Amazônia há muito se conscientizaram de que nada conseguirão se não se apoiarem nessa população urbana que é única e que se expressa nas eleições e exerce pressão sobre a cena política. É pela participação política dessa Amazônia urbana, reforçando o jogo das forças políticas avançadas na construção da democracia, que o problema da própria exploração econômica da Amazônia poderá encontrar uma solução. Portanto, é preciso reforçar as estruturas políticas regionais. A Amazônia conta uma população de vinte milhões de pessoas e com nove milhões de eleitores, o que não é pouca coisa.
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Texto solicitado ao autor. Recebido e aceito para publicação em 31 de janeiro de 2005, inclusive no Jornal do Feio

Márcio Souza é romancista, autor da tetralogia Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro.

PAULO MIRANDA

Ousar sonhar, ousar fazer!

8/15/2011





COLESTEROL


Dieta dos brasileiros, especialmente dos adolescentes, se caracteriza pelo alto consumo de alimentos ricos em gorduras; consumo máximo recomendado pela OMS é de 300 mg ao dia. Hábitos de vida saudável, esse é o lema para quem deseja ter qualidade de vida. O aparecimento precoce de doenças crônicas tem deixado a população em alerta. No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, o Ministério da Saúde chamou a atenção da população para o elevado consumo de gorduras, especialmente por jovens.


COLESTEROL II


A Organização Mundial de Saúde (OMS) e sociedades médicas recomendam ingestão diária de colesterol inferior a 300 mg (miligramas) para a população em geral e menor que 200 mg para pessoas com histórico de doenças cardíacas. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009), divulgada pelo IBGE, recentemente, mostrou um padrão alimentar inadequado pela maioria dos brasileiros, caracterizado pelo alto consumo de alimentos ricos em gorduras, açúcar e sódio e pobres em micronutrientes, combinado à baixa ingestão de alimentos protetores, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais, particularmente entre os adolescentes. O público jovem consome entre 10% e 15% mais gorduras do que os adultos.


PATROCÍNIO

A Herbalife do Brasil, líder em produtos para nutrição e controle de peso comercializado por meio da venda direta, acaba de firmar contrato de patrocínio esportivo com o Clube Remo, um dos mais tradicionais do Brasil, com sede em Belém, no Pará. A marca Herbalife será exposta no painel de entrevistas e em placas publicitárias localizadas nas arquibancadas e muretas do gramado do estádio Evandro Almeida. Com mais este patrocínio, a marca amplia seu campo de apoio esportivo voltado ao futebol, investindo em diferentes regiões do Brasil. No Brasil, a empresa patrocina o Botafogo de Futebol e Regatas (Esportes Olímpicos), América Mineiro (MG), Avaí FC (SC), Águia de Marabá (PA), Paysandu FC (PA) e Esporte Clube Bahia (BA), além do Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, e Barcelona FC e Valencia FC, da Espanha. São três times paraenses. Com a palavra o departamento de Marketing do São Raimundo. Será que ainda existe?

INOVAÇÃO

A Celpa lançará na Regional Oeste do Pará, com sede em Santarém, o novo sistema de leitura e entrega simultânea da fatura de energia elétrica. A partir de então, os leituristas passarão a fazer a entrega da conta de energia logo após a leitura. Com a novidade, a empresa espera garantir maior transparência e agilidade nesse processo. O novo sistema estará disponível para aproximadamente 220 mil consumidores da região, que além de Santarém, inclui municípios como Altamira, Itaituba, Monte Alegre, Novo Progresso, Oriximiná, entre outros. O serviço funciona da seguinte forma: o leiturista vai à casa do consumidor, verifica os dados do consumo no medidor, imprime a fatura e entrega ao cliente. Os leituristas portarão um equipamento móvel que permite a leitura e impressão da fatura.

VIOLÊNCIA

Quatro em cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. O número consta no Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal e Dieese, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Dados da Secretaria apontam ainda que as denúncias recebidas pela Central de Atendimento à Mulher cresceram 16 vezes de 2006 para 2010. Só no ano passado, o serviço atendeu mais de 730 mil casos, dos quais 108 mil foram denúncias de crimes contra a mulher. Mais da metade desses crimes eram casos de violência. Para denunciar algum crime contra a mulher, ligue 180.

VACINAÇÃO

A segunda etapa da Campanha Nacional de Imunização contra a Poliomielite será neste sábado, dia treze de agosto. Todas as crianças menores de cinco anos devem comparecer aos postos de saúde para receber a dose, inclusive aquelas que já foram imunizadas durante a primeira etapa da Campanha, conforme reforça o Secretário de Saúde de Santarém, Emmanuel Silva: “Todas as crianças que foram levadas no dia 18 de junho tem que ser levadas novamente neste sábado dia 13 de agosto. É importante levar a carteira de vacinação porque nessa data quem estiver no posto de saúde vai poder inclusive verificar se a criança está com as vacinas atualizadas. Os postos vão funcionar das oito da manhã até às cinco da tarde.”

AUDACIOSA

Com rosto angelical, a entrevista de Sandy na ‘Playboy’, nas bancas, é reveladora. Mostra uma mulher audaciosa e bastante entendida. Além de falar sobre sexo anal, ela conta que assiste a filmes pornográficos. “Não sei dizer quantas vezes, mas já vi”. Os filmes pornográficos poderiam ter menos historinha e ir direto ao assunto”. Sandy também assume que gostaria de conhecer um clube de swing. Sex shop ela assume que frequenta: “Já comprei algumas coisinhas. Mas não vou dizer o quê”. No quesito strip-tease, garante: “Eu sou boa! A cantora ainda fala sobre a importância da masturbação na vida das mulheres. “Se não se masturbam, deveriam. É completamente válido. Amigas, temos que conhecer o nosso corpo antes de querer que os nossos parceiros conheçam! Você tem que saber mais do que ele”, dá a dica.


MOTINHAS
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A higiene íntima está diretamente ligada ao bem-estar, conforto, segurança e saúde da mulher. É neste contexto os sabonetes íntimos ganham mais espaço nas prateleiras. O faturamento desses produtos cresceu 57% no período de um ano, com destaque para as regiões Norte, Nordeste e Sudeste, que corresponderam a 80% desse aumento. ●●● O governo brasileiro vai definir um preço mínimo para o maço de cigarros, de acordo com a Medida Provisória 540, publicada nesta semana. Com as mudanças estabelecidas na MP, a carga tributária sobre o produto poderá subir dos atuais 60% para 81% – um avanço no combate ao tabagismo no país. O hábito de fumar é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como o câncer a as enfermidades respiratórias. ●●● A secretária de Administração do Estado, Alice Viana, informou que serão lançados ainda este ano concursos para a Polícia Civil e Militar, Sistema Penitenciário, Procuradores autárquicos e para a administração em geral. “Ao todo são 1.600 vagas para cargos de ensino médio e superior. ●●● Ao longo dos sete meses de governo de Simão Jatene já foram autorizadas 2.750 vagas para concursos públicos, o que representa mais de 12% do total de nomeações efetuadas nos últimos cinco anos. ●●● O Plano Plurianual (PPA), que prevê investimentos para o período de 2012 a 2015, foi discutido em audiência pública realizada no auditório da Universidade do Estado do Pará (Uepa), em Santarém. “Ao longo dos próximos quatro anos o governo do Pará investirá R$ 1,7 bilhão no Baixo Amazonas”, anunciou Lílian Bendahan, diretora de Planejamento Estratégico da Secretaria de Estado de Planejamento. ●●● Parabéns a grande e competente colega radialista Rosana Rodrigues, uma das mais antigas locutoras da Rádio Cultura FM de Belém, pelo artigo publicado no Jornal do Feio sobre o inesquecível Walter Bandeira. ●●● A décima sétima versão do Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca (Conbep) terá como sede a cidade de Belém. O evento, que visa estimular e apoiar estudos sobre engenharia de pesca nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, será realizado no período de 27 de novembro a 01 de dezembro de 2011, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. ●●● No último sábado/06, na comunidade de Boa Esperança, o São Francisco enfrentou o time do Grêmio de Boa Esperança. O Leão goleou a equipe do planalto santareno pelo placar de 8 a 0. ●●● Vamos torcer para que o Mundico possa se inspirar no Chico e ganhar a partida deste domingo contra o Comercial (PI). Estamos aguardando a volta do Tolentino, Jardel, André e Junior Tapajós. Os grandes reforços que faltam ao time. ●●● Antonio Junior, Darinta Picanço e Luiz Carlos Moraes, comandam mais uma jornada esportiva através da Rádio Ponta Negra AM. Neste domingo São Raimundo X Comercial (PI). Audiência garantida. ●●● Obrigado aos médicos Domingos Pereira, Francisco Aguiar, Gilvandro Furtado, Antonio Carlos, Walcir Costa e Renê Augusto, pela atenção dispensada a este humilde Jornalista. ●●● Aos colegas e amigos, meus agradecimentos pela preocupação. Vocês são fantásticos. ●●● Final de semana prolongado, segunda é feriado estadual. Vamos curtir a Loira Gelada, Ruiva Destilada e Morena Quente. Comunicando o ilustre amigo Cacheado (Garapeira Ypiranga) que neste sábado vamos estar com a Negra Gostosa. Fui.

8/10/2011



Presidente da PARÁTUR lamenta morte do colunista Fernando Castro Júnior

O presidente da Companhia Paraense de Turismo (Paratur), Adenauer Góes, recebeu com muita tristeza a notícia da morte, na manhã desta terça-feira, 9, do colunista de turismo e advogado Fernando Castro Júnior. Para Adenauer, Fernando vai deixar uma lacuna no jornalismo especializado paraense e também na gestão pública. “O advogado e jornalista Fernando Castro Júnior escreveu de forma muito positiva seu nome na história do turismo paraense, quer como gestor público no exercício da diretoria da Paratur, quer como jornalista de turismo. Soube com rara perfeição compreender e externar a importância e o entendimento do turismo como atividade produtiva e como estratégia de melhoria de qualidade de vida”, disse Adenauer.
“A atividade turística sentirá sua falta”, garante Adenauer, que toda semana procurava estar em sintonia com Fernando, que pra ele “exercia o papel de interlocutor das boas notícias sobre o turismo e sobre as ações da Paratur para toda a sociedade paraense”.
Familiares informaram que Fernando Castro faleceu às 6 horas da manhã desta terça-feira, dia 9, com uma infecção generalizada. O velório está ocorrendo no Recanto da Saudade, na Diogo Móia e o sepultamento será às 17 horas, também no Recanto da Saudade.
       Nota de Pesar


É com grande consternação que o Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará – Sinjor-PA – comunica o falecimento do advogado e jornalista Fernando Vasconcelos Moreira de Castro Jr., esposo da jornalista Vera Castro, ocorrido neste dia 9 de agosto de 2011. O velório acontece neste momento na Capela do Recanto da Saudade, na Rua Diogo Móia próximo à Trav. Alcindo Cacela, de onde sairá o féretro às 17 horas.


O Sindicato se solidariza à esposa, aos filhos, netos e demais familiares, neste momento de profunda dor pela separação, lembrando a todos, porém, que o exemplo de honradez, dignidade e profissionalismo de Fernando Castro são uma herança imortal e um exemplo ímpar a ser seguido.


Jornalista de opiniões firmes e sérias, advogado de impecável desempenho, Fernando Castro somou amigos e admiradores pelos seus bons predicados e sempre será lembrado pelo extenso conhecimento cultural, refinado bom gosto, humor inteligente e notável dedicação familiar, que marcaram sua trajetória terrena.

8/06/2011

WALTER, que falta você faz



WALTER DA LIBERDADE era Bandeira, da Igualdade, da Fraternidade.

Não, não é a Bandeira da França embora seu Francês fosse tão casto, e tão vasto. Cantor, Locutor, Professor, Ator, amigo. Walter tinha tantos talentos, que foi fazer tudo isso no Céu.
Quem conviveu com Walter, pode desfrutar de sua clarividência. De sua ternura, de sua doçura. Amigo verdadeiro, leal, simples, honesto, crente de suas verdades, e que verdades...
Bandeira, sua haste permanecerá bem alta no coração de seus amigos.
Somos privilegiados por ter podido permanecer ao seu lado por tantos anos de trabalho e sempre com o mesmo humor, sem nunca perder a graça, e, sem nunca perder a elegância.
Sua voz ecoava como o Uirapuru, e nos calava para lhe ouvir.
Tive imensa sorte de ser sua aluna na Escola de Teatro da UFPA, aluna de rádio, amiga de rádio e amiga de você.
Queria passar o dia todo te escrevendo, te descrevendo, mais quem te conheceu, sabe e sente o que estou falando e minha voz embarga.

Por tantos anos dividindo o mesmo trabalho, quero que ouças.

MEU SILÊNCIO
Composição: Luis Fernando Gonçalves / Claudio Nucci

Velho companheiro
Que saudade de você
Onde está você?
Choro nesse canto a tua ausência
Teu silêncio
E a distância que se fez
Tão grande
E levou você de vez daqui
Sabe, companheiro,
Algo em mim também morreu
Desapareceu
Junto com você
E hoje esse meu peito mutilado
Bate assim descompassado
Que saudade de você.
_____________________
Rosana Rodrigues


(*) Rosana é mais antiga locutora da Rádio Cultura FM.
Começou com a emissora em 11 de outubro de 1985, ou seja há 26 anos.
Sua voz rouca – inconfundível - pode ser ouvida todas as noitesde 20 a O hora no sonzão da rádio  em  93.7 Mhz.
Atualmente tira as folgas de Arthur Mogeira, apresentando “Coneção Cultura", às sextas-feiras e aos sábados onde, também, participa da apresentação do Jornal da Manhã, a partir da sete horas.

8/04/2011

JOSÉ PEDRO BASTOS CAVALLÉRO. Um aprendiz audaz!



 


Pedrinho Cavalléro sempre visita a Icoaraci. Na foto – último à direita – num recente encontro com amigos na "Vila".





Compositor, músico e produtor cultural, um artista dos mais notáveis – ele que se diz “Um aprendiz audaz!” - Pedrinho Cavalléro está novamente na área. Dessa feita com o I Festival da Canção Ananindeua – FECANINDEUA - que será realizado nos dias 20, 21 e 22 de setembro próximos, em cujo município reside há mais de 15 anos. Ananindeua e segundo município mais populoso do Pará, e o terceiro da Amazônia.


Conheça o Pedrinho Cavalléro


Esse baixinho gente fina que canta com o gente grande - e que o tenho como irmão há muito tempo -, descende da família Bastos, antigos proprietários de estaleiros em Maracacuéra, em Icoaraci. Por um acidente geográfico, como ele diz, não nasceu na Vila Sorriso, e sim no bairro de Batista Campos, em Belém do Pará, Amazônia, Brasil, no dia 8 de novembro de 1958. Filho de Nely Bastos Cavalléro e Pedro Alexandrino de Magalhães Cavalléro, sobrinho-neto do maestro e compositor Theóphilo de Magalhães, autor do hino do soldado: "Nós somos da Pátria..." e neto da professora de teoria e prática de piano Maria José (Zezé) Magalhães Cavalléro.
Vida Musical - Começou estudar violão aos oito anos de idade com sua mãe, que lhe ensinou os primeiros acordes. Tendo sempre a música como parte vital de sua vida, estudou nos anos 70 com o professor Zé Bastos, mais tarde com Everaldo Uchoa Pinheiro – primo do redator deste blog!-, pai da cantora Andréa Pinheiro e fez curso de harmonia com o inesquecível Almir Chediak, em 1984. Ainda nos anos 80 estudou canto com o professor Samuel... e depois com uma das divas da música paraense professora Marina Monarcha.
Começou a compor aos 12 anos (1971) provocado e estimulado por um festival de música, produzido pelo centro de cultura do seu colégio, "Deodoro de Mendonça", sendo premiado em 2º lugar com a música "Estou Só", sua primeira composição.
Em 1976, reencontra Jorge Andrade, seu amigo de infância, amadurecendo seu lado poeta e começa uma das grandes parcerias da música paraense, que perdura até hoje.
Em 1977, participou do primeiro grande festival de sua carreira, patrocinado pela prefeitura; "Três Canções para Belém", sendo um dos finalistas com a música "Bem Te Vi", em parceria com Jorge Andrade. A música foi interpretada e gravada em LP por Rafael Lima, sendo sua primeira gravação, no ano seguinte. Daí em diante, conhece novos e antigos compositores e entra para o convívio cultural da cidade.
Em 1979 é convidado a participar do Grupo Experiência, através de um dos seus integrantes da época, Ruy Godinho, e passa a exercer a função de diretor musical e compositor da peça "Os Perigos da Bondade", de Assis Filho, desaparecido há dois anos.
Foram três músicas compostas para esse espetáculo: “Tema instrumental de Abertura", "Tema para Cearim" e "Amor Covil", essas duas últimas em parceria com Jorge Andrade. Também com Jorge Andrade criou a música "Pivete", que fazia parte do repertório da peça "Ver de Ver o Peso" do mesmo Grupo, em suas primeiras versões.
Ainda em 1979, faz seu primeiro Show "Feira de Música", produzido pelo compositor Antônio Carlos Maranhão (falecido). O evento reuniu um grupo de novos artistas - Pedrinho Cavalléro, Zé Serra, Zé Luiz Maneschy, César Escócio, Fernando Antunes, Saint Clair, Kzan Gama, Armando Hesket, Albery de Albuquerque Jr, Alfredo Reisse – que se encontraram para uma grande mostra musical no Teatro Experimental Waldemar Henrique, sendo este, o primeiro evento musical deste teatro. Nesse ano, conhece o compositor Nilson Chaves e começa uma grande amizade que dura até hoje.
Nilson Chaves - Foi a partir dessa amizade, que em 1981, que gravou no Rio de Janeiro seu primeiro disco, com produção do próprio Nilson. Um compacto duplo intitulado "Prato de Casa", com quatro faixas, todas em parceria com Jorge Andrade - Prato de Casa, Bem te Vi, Vereda e Idolatria -, com participação do saudoso Tota na bateria, um paraense que estava radicado há uns anos no Rio de Janeiro, e que no ano seguinte viria a falecer; e ao piano, na faixa "Prato de Casa", Antônio Adolfo e do próprio Nilson Chaves que divide com o musico a faixa "Vereda".
O disco foi lançado em Belém em junho de 1982 com o show "Prato de Tudo", no Teatro Experimental Waldemar Henrique, que lançava, também, o primeiro LP de Nilson Chaves "Dança de Tudo", com a participação de Vital Lima, Rosina Minari e o Grupo Gema. Também em 1979, Pedrinho começa a tocar na noite de Belém tão assiduamente, que ganha o apelido carinhoso do poeta e grande amigo Ruy Barata, de "Operário da Noite".
Em 1980 funda o grupo "Nativo" e participa do Projeto Jayme Ovalle, no Teatro da Paz. Logo em seguida, com o mesmo grupo e no mesmo teatro, participa da Feira Pixinguinha, promovida pela Funarte e produzida em Belém pelo grande compositor Sidney Miller.
O Projeto Pixinguinha, surge na vida de Pedrinho Cavalléro em 1983, numa "Janela para os novos", que era uma pequena participação nos Shows dos artistas que vinham de fora. Sua participação foi junto com Tête Espíndola, Almir Satter e outro artista local, Armando Hesket.
Pedrinho Cavalléro é um frequentador assíduo dos festivais de musicas realizados no Brasil e no exterior, desde 1983. "O Palco é Nosso" em Porto Alegre(RS), produzido pelo diretório de Arquitetura da UFRGS, foi o primeiro, sendo finalista com a música "Estrela da Manhã", em parceria com Jorge Andrade.
Não Pára - Por 15 anos (79 a 94), trabalhou em quase todos os bares, hotéis, casamentos, aniversários, shows em várias cidades do interior e em outros estados. Os festivais de música, primeiro no âmbito escolar - a partir de 1971 -, depois no regional - a partir de 1977- e por fim nos nacionais – como vimos, a partir de 1983), são muito importantes na vida desse artista que hoje, além de participar como concorrente por todo o Brasil, também coordena esses eventos em colégios, clubes e prefeituras por todo o estado do Pará.
Nesses 39 anos de composição, tem mais de 50 parceiros que lhe renderam mais de 300 músicas, sem contar os jingles.
O parceiro mais constante é seu amigo de infância, Jorge Andrade, como vimos linhas acima. Com ele já fez mais de 150 canções, incluindo sucessos como Pássaro Cantador, que se tornou ícone do nosso cancioneiro, e que identifica o artista.
Em 2007, os dois fizeram 30 anos de parceria. E para comemorar essa efeméride, foi criado um projeto, apoiado pela Lei Municipal de Incentivo a Cultura Tó Teixeira, e patrocinado pela Y.Yamada. Desse encontro surgiu o CD intitulado Querelas da Amazônia, com participação de grandes intérpretes da nossa música, que foi lançado em dezembro de 2009.
Eis o depoimento do Pedrinho – “Através de um projeto da respeitada produtora cultural, Carmem Ribas, participei de show em homenagem ao mestre Billy Blanco, falecido há duas semanas. Esse ilustre paraense foi, e é, um dos precursores da Bossa Nova, parceiro de Tom Jobim e Baden Powell. O CD saiu bem graças a Deus e continua a disposição o dos interessados”.
E prossegue – “Há alguns anos temos uma empresa "Igara Produções e Eventos" e produzimos CDs, Shows e festivais de música por todo estado do Pará, como e caso agora do I Festival da Canção Ananin. No ano de 2007, produzimos o I Festival de Choro da Casa do Gílson, inclusive gravamos um CD com as 12 finalíssimas, o I Festival AP da Canção do Norte, com produção de CD duplo com todas as 35 concorrentes. O Festival da Canção Ouremense, que no ano passado 2010 completou 27 anos e é o festival de música mais antigo do norte. Produzimos desde 2005”.
Quanto ao I Festival da Canção Ananin, Pedrinho Cavalléro explica que o evento conta com o incentivo da Lei Semear do Governo do Estado, patrocínio da Y.Yamada - que o acompanha há muitos anos - e apoio da Casa de Show Cangalha, Bar Teatro Café Portela e Doceria Abelhuda. É aberto para todo Brasil.
Importante – ele ressalta que no Festival será obrigatória a participação de compositores residentes no município de Ananindeua (!).
E encerra: “Nosso site é igaraproducoeseeventos.blogspot.com
Visitem! Quem quiser se comunicar comigo para shows, produções de eventos, formatação de projetos, meu e-mail é: pedrinhocavallero@yahoo.com.br - Fones: 91 9180-8560/8108-4850/3263-4526”.
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Essa e a historia do meu irmão Pedrinho Cavalero, que honra as suas origens icoaracienses de cuja Agencia Distrital, por sinal, foi Assessor de Cultura e Lazer – Administração Manfredo Ximenes – com um trabalho dos mais admiráveis.
O papo e longo, mas vale a pena!
Ah, sim, as inscrições para o I Festival da Canção Ananindeua – FECANINDEUA - estão abertas e se prolongarão até sexta-feira, dia 12 de agosto. O Regulamento e ficha de inscrição estarão disponibilizados para download no blog da Igara Produções no dia 11 de julho. O material também estará disponibilizado Bar Teatro Café Portela, situado na WE 52, nº 221, Cidade Nova VIII, Ananindeua. (A.F.)