6/18/2011

Dois anos sem ASSIS FILHO



Francisco Assis dos Santos FilhoAssis Filho – um dos maiores advogados que o Pará já teve – muito embora não seja filho daqui – amigo e defensor dos mais fracos que se tornou famoso na década de 90 como o terror dos corruptos, uma vez que, como profissional do Direito caçava esse tipo de gente em todos os lugares e quase se foi por causa dessa sua atitude, nos deixou em 28 de maio de 2009, Se vivo estivesse neste dia 19 de junho faria 73 anos.
Os senhores conheceram o Assis Filho
Mas eu conheci desde menino quando ajudava o pai – o comerciante “Seu” Assis, na mercearia da família na Avenida Conselheiro Furtado, esquina da Travessa Francisco Caldeira Castelo Branco, em frente à Igreja de São Francisco de Assis (Capuchinhos).
Muito jovem descobriu o prazer da leitura e o amor pela poesia. Foi lá no balcão escrevendo com lápis Johann Faber – No. 1, bem apontado, em papel de embrulhar pão, no intervalo do atendimento de um freguês e outro, que Assis Filho deu início à sua carreira literária. O primeiro romance Maria da Onça surgiu dessas anotações.
Assis Filho nasceu em 19 de junho de1938 na Cidade de Teresina, Estado do Piauí. Mudou-se com a sua família aos cinco anos de idade para a Belém do Pará onde se criou e viveu até o dia de sua morte.
Terceiro filho de Francisco Assis dos Santos e Maria Adália Ferreira dos Santos, começou seus estudos no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré. Continuou no Colégio Estadual Paes de Carvalho, depois no Colégio São João onde foi líder estudantil, despertando a partir desse momento seu desejo de tornar-se um dia Advogado.
Católico praticante foi membro do Movimento da Juventude Franciscana da Igreja dos Capuchinhos, desde sua criação onde chegou a dirigi-lo em duas oportunidades.
Foi professor de Português do Colégio São Pedro São Paulo (Guamá), que ajudou a criar junto com a Irmã Zarife Sales – Congregação do Preciosismo Sangue, que adorava “aquele jovem irrequieto”.
Como Radialista – uma atividade que gostava muito - apresentou os programas “Rádio Informativo Rural” (Rádio Clube do Pará/ 1967-1971); Guajará no Campo (1963); Marajoara no campo (1967-1971); Repórter Rural, na Rádio Marajoara (1967-1971); “Amanheça Cantando’ (1972); Na paquera do Vestibular (1972); ‘Recital” (Rádio Clube do Pará), que nada mais eram do que serestas ao vivo, transmitidas de residências e clubes, as sextas-feiras, a partir das 22 horas (1973-1975); ‘Balanço Musical’ (Rádio Guajará-1976), lançando valores da terra paraense – dentre os quais Walt Ramoa, que anos antes havia vencido, no âmbito local, o Concurso “A Voz de Ouro ABC”, promovido pela ZYE-10 – Rádio Marajoara -, estimulando a produção local “e semeando, com a única preocupação de multiplicar essas sementes”.
Poeta, Escritor e Compositor, gravou o LP ‘Rosário de Esmeraldas’, pela Continental, contendo poemas de Assis Filho, como manifesto do Movimento Cultural Papa Chibé, movimento poético criado para valorizar a poesia paraense. Foi um dos primeiros poetaa brasileiro a gravar as suas produções em disco de longa duração.
Gravou ainda o compacto duplo ‘Na Estrada da Vida’, seguido do LP Carimbó e outras Mirongas, com músicas próprias e em parceria com a esposa Eliane Santos produzidos pela Wildanap Som Ltda, formada por Wilson Assumpção, Vicente Santos e Napoleão Cruz, remanescentes da PRC- 5 - Rádio Clube do Pará.
Na década de 60 envolveu-se e promoveu intensas atividades culturais declamando em clubes, sindicatos e associações de classe, e apresentações de peças teatrais na Juventude Franciscana, Teatro da Paz e de bairros, anexos às Igrejas e através do Rádio. 
O fato mais destacado da época foi uma apresentação memorável no Festival de Teatro Amador, no Teatro João Caetano - Praça Tiradentes - Rio de Janeiro, onde ganhou juntamente coma sua “troupe”, Menção Honrosa. 
Foi aluno, discípulo e amigo de Margarida Schivasappa.
Nesse período participou do Circulo Cultural dos 30 - CC-30, uma agremiação-pioneira constituída por estudantes secundaristas, jovens intelectuais, poetas e escritores iniciantes surgida nos anos 60 que revelou grandes valores, não apenas na poesia, poesia e teatro, como também outras atividades, e que revolucionou a cultura juvenil, do qual foi presidente.
Durante a sua gestão, Assis Filho aproveitando o evento “Semana Cultural Circulista”, realizada todos os anos no mês de setembro, levou cultura para os bairros mais carentes. Um dos encontros mais destacados aconteceu na sede do Paraense Esporte Clube, na Travessa Mercedes, próximo da Avenida 25 de setembro, no antigo bairro da Matinha; a antiga Rádio Guajará, transmitiu a sessão lítero-musical, do qual participaram, dentre outros, o falecido maestro Adelermo Matos e o ator e diretor teatral e atual padre Cláudio Barradas, que declamou um belo poema de Guiarone
Poeta, foi autor de dois livros de poesias ‘Rosário de Esmeraldas’ (3ª edição – esgotado). Sobre esse livro,- na primeira edição - eu já estando residindo no Rio de Janeiro, o Assis Filho descobriu o meu endereço e enviou-me um exemplar. Ele havia incluído o meu nome no rol das “personalidades” que o ajudaram a editar; ou seja, não esqueceu o amigo-irmão, e mesmo longe, queria que soubesse. O outro livro é Anjos Eróticos, com 18 poesias, também esgotado.
Jornalista, foi criador da revista Gazeta Rural que abordava a situação do povo paraense que vive no interior do Estado e que circulou no Estado por seis anos; e d´ O Guamantino jornal mensal e que circulou em 1963, no bairro do Guamá. Infelizmente a publicação teve efêmera: circulou apenas sete meses. O Guamantino teve o apoio e o incentivo do seu irmão José Ribamar Ferreira dos Santos, engenheiro agrônomo e professor da então Escola de Agronomia da Amazônia, atual UFRA, falecido ainda jovem aos 36 anos, e aqui deste repórter, que era o Editor.
Como Advogado sempre militou em defesa da justiça, ajudando todos que dele precisaram, ricos e pobres – tendo uma especial por essa última categoria -, guiado sempre por princípios éticos, sendo a honestidade e a integridade sua maior Marca. Tanto que morreu pobre.
Mas deixou com herança, o exemplo de uma vida pacata, a honradez, a dignidade de um Advogado – ele que em toda a sua vida, apesar das inúmeras atividades, sempre viveu da profissão – ético e integro.
O advogado, jornalista, historiador e poeta Leonam Gondim da Cruz – membro das Academias Paraense de Letras, de Jornalismo e das Letras Interioranas – meu colega e confrade dos dois últimos silogeus, falecido nesse início de  junho, amigo, colega de Assis Filho, desde o tempo dos shows das apresentações teatrais no Paraense Esporte Clube (Travessa das Mercedes), e dos programas de rádio onde funcionava como redator e co-produtor, dizia: “O Assis Filho foi um dos melhores, senão o maior – presentes que o Piauí mandou para o Pará”
Assis Filho foi fundador e presidente da Associação Profissional dos Advogados do Estado do Pará – ADOVA – que se tornou posteriormente Sindicato dos Advogados do Pará, criado para defender e valorizar o advogado paraense. Foi Conselheiro Federal, Presidente do Clube dos Advogados do Pará, Procurador de Justiça do Município de Marapanim. Pelo seu trabalho e atuação jurídica, recebeu o título honorífico de “Cidadão Marapaniense” outorgado pela Câmara Municipal
Assis Filho foi um dos principais responsáveis pela eleição do colega de bancos escolares no Colégio Nazaré – Sérgio Augusto Frazão do Couto, à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção do Pará em 1994 – uma das maiores, senão a maior, administração que a Entidade já teve nesses últimos anos. Para tanto engajou muitos colegas na campanha – inclusive eu.
Sérgio Couto, íntegro, ético, justo e inteligente fê-lo presidente do Clube dos Advogados do Pará. Foram os Anos de Ouro do Clube do Tenoné, na Rodovia Augusto Montenegro. Sérgio Couto conseguiu verba junto ao Conselho Federal e, juntos, ele e Assis Filho, transformaram a agremiação; deram-lhe com nova roupagem.
Quem quiser pode conferir. Tudo isso que tem lá foi obra de Sérgio Couto e Assis Filho. Eu sou testemunha já que foi Assessor de Imprensa tanto da OAB.PA, como do Clube dos Advogados.
O nosso grande desaparecido foi, ainda, um bom filho, irmão – teve dois. José Ribamar (in memorian) e Osimar Santos – e um excelente marido. Com Eliane, que amou desde o inicio do namoro, teve cinco rebentos: Assis Neto, Diana Márcia, Ítala Rosiane, Osimar Rosana e Sheila Cristina, além de Roberto Guedes que apesar de genro o queria como filho; e 14 netos: Aline Guedes, Diana Cristina, Eduardo Guedes, Gabriel Rodrigues, Luan Rodrigues, Luana Rodrigues, Luciane Rodrigues, Paula Fernanda, Rafael Guedes, Raimundo Neto, Sheila Rodrigues, Thainá Rodrigues.Thaís Cristina e Yan Santos, e uma Laura Vitória.
Assis Filho foi pai, tio, avô, bisavô e amigo querido - como eu, torcedor do Paysandu – companheiro para o que desse e viesse -, amado por toda sua família e amigos verdadeiros que como eu tiveram o privilégio de desfrutar da sua convivência e da sua amizade.
Um homem que amou sua família, seus amigos, a profissão que escolheu e a sua nova terra – o Pará. Serviu a Deus, tendo uma palavra de carinho e conforto a todos que dele se aproximavam, principalmente, como falei, os humildes, os pobres.
Morreu sem dor, sem nada sentir, dormindo, numa madrugada de chuva de 28 de maio de 2008 no apartamento de uma filha na Travessa 14 de abril – São Brás.
Morreu como poeta, como passarinho.
Ao acordar na Eternidade encontrou o Caminho do Altíssimo, da Mãe do Céu e dos anjos nos quais sempre se inspirou para produzir os seus poemas. Essas mesmas criaturas celestiais o levaram de volta para o Pai, com a certeza do dever cumprido neste plano terrestre,
Assis Filho deixou muitas saudades em todos nós, principalmente para mim como disse, o queria como irmão e que teve a honra de ser homenageado num dos seus livros, mesmo estando distante no Rio de Janeiro, que me hospedou por 15 anos.


Assis cara, já se passaram dois anos da tua partida... sinto a tua falta... mais um dia a gente se encontra. Para bolar mais alguma coisa, botar o papo em dia e, quem sabe, dançar uma das suas composições de carimbó


●●● Uma coisa que eu preciso contar: Assis Filho foi o responsável pelos meus primeiros passos na imprensa. Em 1955, ele que era redator de esportes de bairros (Torneio Bola de Meia), do semanário católico A Palavra – A Voz de Nazaré daqueles tempos - um super tablóide semanal de 16 paginas em dois cadernos que circulava a partir de sexta-feira, à noite e impresso pelas Irmãs Legionárias de Nossa Senhora Rainha dos Corações.
Diante do meu interesse por Jornalismo,. ele pediu para o padre Lisbino Garcia do Carmo – que não mais existe – recém ordenado – que era o diretor responsável pelo jornal, uma chance para um menino que queria escrever no jornal. Lisbino sem pestanejar, disse, Oh,pode trazer o garoto, quero conhecê-lo. 
Deu certo.

6/14/2011





''A obra de arte tem de ser imperfeita”


Outro dia, o Nelson Rodrigues baixou em mim. De vez em quando, eu o psicografo. É impressionante como escrevo rápido quando o espírito de Nelson me toma. Escrevo com a liberdade de não ser "eu". Talvez seja por isso que F. Pessoa inventou heterônimos para se sentir livre da cangalha do "eu".
Muitos jovens me perguntam: "Afinal, quem foi o Nelson?"
Não sabem direito. Ficou apenas a vaga lenda de "pornográfico" ou até de "fascista" por ter puxado o saco do ditador Médici (lembram?) para tirar seu filho da prisão. Não conseguiu, mas ganhou a pecha "de direita" por ter criticado futuros mensaleiros e pelegos, os "marxistas de galinheiro", como ele os chamava, pois intuiu claramente, na época, que a ideologia que "absolve e justifica os canalhas" era apenas o ópio dos intelectuais.
Eu mesmo sofri por causa dele. Em 1973, ousei filmar Toda Nudez Será Castigada e dei uma entrevista na Veja em que dizia que "fascismo é amplo: existe fascista de direita e de esquerda também". Pra quê? Os patrulheiros ideológicos mandaram um manifesto ao Jornal do Brasil, onde me esculhambavam indiretamente, dizendo que o sucesso imenso que o filme fazia "não era a missão política do cinema novo". Foi das grandes dores que senti, pois até amigos assinaram o maldito texto, que só não foi publicado porque, um dia antes, os generais tiraram o filme de cartaz, com soldados de metralhadora, levando as cópias dos cinemas porque, dizia o chefe da Censura: "Ele faz apologia do homossexualismo..."
Aí, meus "amigos" comunas desistiram do texto "para não dar razão ao inimigo principal", que era a ditadura. Eu e Nelson éramos "inimigos secundários", para usar a língua de Mao Tsé-tung. Isso é verdade e nunca contei aqui. Doeu, mas já passou.
Aí, o filme voltou a cartaz porque ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim; os generais ficaram com medo da repercussão internacional (imensa) e liberaram meu filme, baseado numa peça do "fascista pornô". Mas a importância de Nelson continua subestimada.
Hoje, a "pornopolítica" tomou conta de tudo e Nelson é que tem fama de "pornográfico" - logo quem: um moralista que corava diante de um palavrão. Nelson é muito mais. Filho do jornalismo policial, formado nas delegacias sórdidas, vendo cadáveres de negros plásticos, metido no cotidiano "marrom" do jornal do pai, Nelson flagrou verdades imortais que estavam ali, no meio da rua, na nossa cara, e que ninguém via.
Consideram-no o maior dramaturgo do País, sem dúvida, mas não o colocam no pódio da literatura culta, ao lado de gente como Guimarães Rosa, por exemplo, que o irritava muito: "Jabor, diga-me pelo amor de Deus, qual a profundidade da frase "Viver é muito perigoso"?" Ou: "A gente morre para provar que viveu...?" Nelson implicava com a pose do Rosa.
Uma vez, ele me disse ao telefone que o "problema da literatura nacional é que nenhum escritor sabe bater um escanteio". É luminoso.
Outra vez, ele falou: "Se Deus me perguntar se eu fiz alguma coisa que preste na vida, eu responderei a Deus: "Sim, Senhor, eu inventei o óbvio!""
Sua literatura nos ensina o óbvio e isto é muito profundo numa literatura eivada de engajamentos "corretos" ou de intenções formais rocambolescas. Gilberto Freyre sacou sua "superficialidade profunda", assim como André Maurois entendeu que a genialidade de Proust era justamente "a épica das irrelevâncias..." E isto é muito saudável, num país onde ninguém escreve um bilhete sem buscar a eternidade. Nelson é um escritor contemporâneo.
Até hoje, muita gente não entendeu que sua grandeza está justamente na sincronia com os detritos do cotidiano. A faxina que Nelson fez na prosa é semelhante à que João Cabral fez na poesia.
Nelson baniu as metáforas a pontapés "como ratazanas grávidas" e criou o que podemos chamar de antimetáforas feitas de banalidades condensadas. Suas comparações sempre nos remetem a um "mais concreto". Shakespeare tinha isso, Cervantes, também. E algumas crônicas de Nelson são superiores a muitas peças.
Suas frases famosas jamais aspiravam ao "sublime": "o torcedor rubro-negro sangra como um César apunhalado", "a mulher dava gargalhadas de bruxa de disco infantil", "em seu ódio ele dava arrancos de cachorro atropelado", "seu peito se encheu de heroísmo como anúncio de fortificante", "a bola seguia Didi com a fidelidade de uma cadelinha ao seu dono", "a virtude é bonita, mas exala um tédio homicida; não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera", "o sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura", "somos uns Narcisos às avessas que cuspimos na própria imagem".
Ele me dava lições de arte e literatura: "Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. A partir do momento em que o Fluminense deixou de ser tão elitista, tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões. E aí vem a grande verdade: "A obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita". Isso. Contemporâneo e minimalista, via, como Oswald, que a poesia está nos fatos, no vatapá no outro e na dança - "o que estraga a obra de arte é a unidade".
A lição política de Nelson é: o Brasil não se salvará com planos messiânicos ou ideias gerais de "epopeias de Cecil B. de Mille", sejam elas epopeias operárias ou epopeias neoliberais.
Nelson, sem cultura política nenhuma, profetizou que os atos "indutivos", as providências parciais eram muito mais importantes que generalidades utópicas e "dedutivas". O "óbvio ululante" é limpar a casa e cuidar do detalhe, do enxugamento do Estado, "chupando a carótida dos chefes das estatais como tangerinas" quando se mostrarem ladrões ou favorecendo correligionários, como vemos todo dia.
Nossa opinião pública está muito mais informada hoje, mas ainda é precária e desinformada. Como ele dizia: "Consciência social de brasileiro é medo da polícia". Até hoje.

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Transcrito d´O Estado de São Paulo, a pedidos.

Prefeitura de Belém homenageia ELINALDO FERREIRA

Elinaldo Ferreira - o primeiro a direita - no ultimo Cirio de N.S. da Conceiçao,do Outeiro, em que participou, ao lado do entao Arcebispo D. Orani Tempesta  




O prefeito de Belém, Duciomar Costa, inaugurou na tarde do ultimo domingo, 12, a Praça Elinaldo Sena Teixeira Ferreira. A nova área lazer fica localizada na Avenida Rômulo Maiorana, antiga 25 de Setembro, esquina da Travessa Humaitá, no bairro da Pedreira. As obras foram realizadas pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), que transformou o logradouro, antes ocioso, em um espaço de lazer e diversão.
Para Duciomar Costa, a inauguração de mais este espaço de lazer é motivo de alegria. Segundo ele, a única preocupação na entrega do empreendimento era o vandalismo que tem se mostrado bastante comum na capital, mas os moradores da avenida se comprometeram em cuidar e vigiar a praça. “Este é um espaço de lazer para nossas crianças, para que possam gastar suas energias da melhor forma possível”, destacou o prefeito, defendendo que precisa ser conservado.
De acordo com o titular da Seurb, Fernando Perreira, áreas estão em estudo em outros bairros de Belém para a construção de novas praças.
O nome da nova Praça de Belém homenageia Elinaldo Sena Teixeira Ferreira, falecido em setembro do ano passado, aos 56 anos. Ele ganhou reconhecimento quando foi há pouco tempo, Administrador Regional de Outeiro, mas atuou ainda como Militar da Aeronáutica e comerciante. Casado com Deronilde Costa Ferreira, e pai de três filhos, Edriane Costa Ferreira (30), Edriano Costa Ferreira (27) e Elinaldo Filho (25).
Para a esposa do homenageado, Deronilde, é uma emoção muito grande, saber que o trabalho do falecido esposo foi reconhecido. “Ficou tudo lindo, espero que a população conserve, porque pra gente que é família é uma emoção”, destacou a viúva.
Dona Iracelina Vanzeller, 69 anos, que mora na Humaitá há 50 anos, ficou maravilhada com o novo espaço. “Foi a melhor coisa que aconteceu porque esse lugar era abandonado, cheio de lixo!”, lamentou a idosa. Jamille Danin, moradora da Avenida Rômulo Maiorana há 25 anos, já usufrui do novo espaço, acompanhada da filha de seis anos. “Esse lugar será bem aproveitado, pois não havia nenhuma área de lazer no bairro”, enfatizou.
A pequena Maria Eduarda Monte, 9 anos, pulou, brincou de balanço e ainda degustou um delicioso picolé de frutas regionais e pipoca distribuída para as crianças pela Prefeitura de Belém. “Adorei tudo, venho todas as tardes com minha irmã de 10 meses e minha mãe”.
De acordo com Hamilton Portal, diretor administrativo do Sindicato dos Servidores Municipais do Belém - SISBEL - localizado na Travessa do Chaco, as proximidades da praça =, “... a iniciativa do prefeito Duciomar é digna de louvores. Primeiro, por lembrar-se de um excelente companheiro que por alguns anos, administrou o Outeiro. Segundo por proporcionar mais vida, alegria a 25 de setembro, atual Romulo Maiorana, não apenas para os moradores - como a nossa entidade. que fica a menos de 200 metros do novo logradouro - mas e principalmente para as crianças, jovens e atletas que poderão usar os equipamentos instalados. Agora e preciso que todos colaborem mantendo limpa e bem conservada a nova Praça Elinaldo Sena Teixeira Ferreira”, concluiu.
Estiveram presentes os vereadores Nadir Neves e Abel Loureiro e os titulares da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), Ellen Margareth e Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Sejel), João Amaral.
Estrutura - A nova praça tem uma área de aproximadamente 1,3 mil metros quadrados, onde foram instalados balanços, gangorras e escorrega - bundas, que prometem fazer a alegria da criançada que visitar o local. Além dos brinquedos tradicionais, um trem artístico foi especialmente confeccionado para aumentar a diversão do lugar. O novo espaço recreativo, também conta com áreas de arborização, gramado, bancos e muito colorido, o que deixa o espaço mais alegre e atrativo.
E com o intuito de garantir a tranquilidade dos pais que vão levar seus filhos para usufruírem de um momento de recreação, a praça conta com um cercado de 1,20 metros de altura, como o que foi instalado na Avenida Marquês de Herval, com elementos metálicos decorativos e coloridos, bem atrativos aos olhos das crianças. A entrada principal ao logradouro será pela Humaitá.
O calçamento, tanto da área interna quanto externa, foi recomposto e nivelado, conforme o que é estabelecido pelo Código de Posturas, Lei das Calçadas e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Foram construídas duas rampas de acesso ao passeio, para garantir acessibilidade a todos, especialmente aos cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Três postes, com três pétalas cada um, também foram instalados no espaço para garantir a luminosidade e ressaltar a beleza das cores aplicadas nos equipamentos.

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Luiza Farias

FRANSSINETE FLORENZANO


Todos pelo Pará

Sou de Santarém - apontada como futura capital do estado do Tapajós -, favorável ao plebiscito, mas contra a divisão do Pará, que seria, no mínimo, precipitada. Apesar das décadas em que é apregoada essa ideia, até hoje não há um só estudo de viabilidade econômica que justifique o desmembramento territorial – o que deveria preceder qualquer iniciativa nesse sentido. O que é fato é a sede de poder dos que sonham em comandar as novas unidades a serem criadas. É inegável o interesse de políticos pelos muitos cargos que surgiriam, na instalação dos três Poderes e Tribunal de Contas, além das vagas na Câmara dos Deputados e no Senado.
Conheço o abandono a que foram e estão relegadas as regiões oeste e sudeste do Pará e o Marajó. A PA-254, por exemplo, que interliga todos os municípios da Calha Norte do rio Amazonas, jamais foi asfaltada, apesar das reiteradas promessas dos governantes de plantão. A falta de energia elétrica nunca permitiu que o comércio se fortalecesse e a indústria ao menos nascesse, assim como no Marajó, onde o IDH miserável reflete a ausência do Estado em ações de saúde pública, de educação e acesso à Justiça. Na área do pretenso estado de Carajás, a violência recrudesce. As listas de marcados para morrer são anunciadas e a promessa cumprida, debaixo dos narizes oficiais. O trabalho infantil e a redução à condição análoga à escravidão são tristes recordes nacionais.
Mais justo, desejável e eficaz seria que todos os políticos se unissem de fato em prol do Pará, como prometeram em campanha e juraram sobre a Constituição. Que trabalhassem com afinco para garantir investimentos para suprir nossas enormes carências, que fossem em busca da captação de recursos externos, que cobrassem o cumprimento das leis, que se portassem com a dignidade que a representação popular exige.
Se ao invés de pleitear cargos e influência os políticos lutassem para que em todos os municípios funcionassem, por exemplo, a Defensoria Pública, o Ministério Público e a Magistratura estaduais; escolas em tempo integral e com ensino de boa qualidade; postos de saúde equipados com material e recursos humanos suficientes e hospital de urgência e emergência; rodovias em boas condições de tráfego, demarcação fundiária correta, assistência técnica e financiamento à produção, o Pará seria melhor. Seria rico não só em recursos naturais que deixam bolsões de prostituição, desabrigo, desemprego e impactos ambientais. Seria grande e uno em suas particularidades em meio à diversidade.


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* Advogada e Jornalista

6/10/2011

JOSÉ WILSON MALHEIROS

O DIA MUNDIAL DA ECOLOGIA

Recentemente, ou seja, no dia 5 deste junho, celebrou-se o chamado Dia Mundial da Ecologia. Governos, estudantes, entidades interessadas, todo mundo procurou chamar a atenção para a conservação deste nosso planetinha, como um todo. Mas será que as festas, os holofotes e os discursos realmente importaram?

O cientista alemão Ernst Haeckel sugeriu, em 1866, que fosse criada uma disciplina específica para estudar as relações dos seres vivos com o meio ambiente.
A partir de então surgiu o que hoje conhecemos como “Ecologia", palavra formada da língua grega oêkos (casa) e logos (estudo).
Até o século XX os estudos ecológicos ficavam restritos ao meio acadêmico. Até que, motivados principalmente pela mídia e pelo clamor dos abnegados, os estudiosos e as organizações começaram a dar mais importância aos assuntos  do meio ambiente e dos seres que aí vivem, incluídos aí o ser humano, historicamente o maior destruidor do planeta Terra.
 A preservação dos meios naturais como uma condição para a manutenção da vida nossa e de nossos irmãos os animais passou a ser uma das preocupações da ONU, que tem se esforçado para estabelecer e consolidar  tratados e políticas ecológicas entre as nações.
O que mais tem chamado a atenção da mídia: preservação de mananciais de águas,  luta pela diminuição da emissão de poluentes e preservação das matas nativas. Veja-se, por exemplo, a luta dos ambientalistas contra a hidrelétrica de Belo Monte, aqui no Pará.
 Em 1992,na II Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, O Brasil, ali noRio de Janeiro, comprometeu-se formalmente a preservar a natureza, especialmente as suas matas nativas, como a floresta Amazônica, mas apesar dos salamaleques e discursos, nossa floresta continua sendo dilapidada dia a dia, e o tal “desenvolvimento sustentável” parece ser uma expressão um tanto abstrata e muito pouco aplicada, na realidade, já que nossos recursos naturais se esvaem vitimados pela ganância de dilapiladores do meio ambiente, muitas vezes homicidas, como acontece, infelizmente, em nosso Estado.
Temos que torcer para que de hoje em diante as ações em prol do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável deixe os salões reluzentes, os brindes com taça de cristal, as poses para a imprensa e passe a ser realmente efetiva, como deve ser, inclusive para que a temida “internacionalização da Amazônia” não aconteça.

ANA VICTÓRIA PITTS vai estudar na Itália

É ela mesmo, quem conta direto do Paraná -

“Desculpe querido... É que estou sem internet, e as vezes uso só na faculdade... Mas vou escrever aqui as coisas;
Pra você e o povo que assiste a Missa da TV Globo aos domingos:
Bem... ano  passado quando me mudei pra Curitiba, comecei a estudar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, como havia dito no "capítulo passado" rsrsrsrs
Lá eu soube através de um amigo da faculdade, que em uma cidade vizinha chamada Ponta Grossa tinha um Master Classes (Aulas) com uma professora italiana muito boa.
 E que nessa mesma semana eu deveria mandar um email para fazer um teste para ver se eu poderia participar.
Mas eu não podia ir, porque estava menos de um mês em Curitiba, e tinha gastado muito dinheiro com minha ida Belém-Curitiba!
Então falei a esse meu amigo que eu não poderia pois não tinha nem dinheiro pra pagar minha passagem para ir de Curitiba a Ponta Grossa. Mas ele insistiu e disse que eu deveria ir, um dia desses encontrei com ele e agradeci muito pela sua teimosia...
Enfim eu fui e passei!
Com a minha aprovação tive aulas com a professora Luisa Gianinni o ano inteiro de 2010. Quase todo mês ela vinha ao Brasil dar aulas aos pouco aprovados, como eu.
 Aprendi muito durante esse período...
E então uma das vezes de sua vinda ao Brasil ela e o Maestro Carraro após me escutarem cantar uma ária chamada "O thou that tellest good tidings to Zion" da Obra o Messiah de Haendel, cochicharam e a professora Luisa perguntou pra mim: Victoria, quer ir pra Itália?
Eu fiquei muito feliz.
Graças a Deus que me deu esse dom e à professora Luisa Gianinni - Grande Mestra - que ganhei essa bolsa para fazer o "triennio" (em italiano!)) que corresponde à uma graduação aqui. Irei dia 1 de novembro de 2011, para a Itália; ou mais preciosamente para uma pequena Cidade chamada Adria, na Região do Veneto, Norte da Itália, pertinho de Veneza;
 Vou estudar em um Conservatório com uma grande professora! Estou feliz, e só tenho a agradecer a todos os que sempre me ajudaram, como meus pais meu irmão, meus parentes, e meus grandes amigos! E um agradecimento especial a você meu amigo Feio, que tem um coração LINDO! Obrigada por tudo e pela grande amizade. Que Deus o abençoe mano!
Um forte abraço e um Beijão a todos os acessadores do nosso Jornal do Feio.
Ah, sim: Meus Parabéns pelo seu aniversário na sexta-feira, dia 10 de junho.
Felicidades e longa vida, amigo”.

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Obrigado. E aproveito para retribuir as felicitações: Ana Victoria, minha maninha querida - e  futura grande soprano de fama internacional - completa 20 belos  aminhos sábado, 11 de junho; ou seja, um dia após o meu aniversário.

RAY CUNHA


A questão da água e da Amazônia assemelha-se a uma frase, já famosa, do Ministério da Educação (MEC): “Nós pega o peixe”


Esteve sempre implícita uma velha pauta permanente aos 100 jornalistas da Amazônia Legal que debateram o tema “Amazônia, comunidade e tecnologia social: Iteração e sustentabilidade” no II Encontro de Jornalistas do Norte, realizado de 29 a 31 de maio pela Fundação Banco do Brasil: a água. Até porque a assembleia foi instalada em Porto Velho, situada na margem direita do rio Madeira, maior afluente também da margem direita do Amazonas, no qual deságua a leste de Manaus. Como se vê, trata-se, aqui, do Mundo das Águas, o subcontinente amazônico.

O especialista em recursos hídricos Flávio Carvalho, da Agência Nacional de Águas (ANA), fez uma exposição aos jornalistas, informando-os sobre alguns dados básicos. A água doce representa 2,5% da massa líquida do planeta; desses 2,5%, somente 0,3% são fluviais – quase toda a água doce encontra-se em geleiras e aquíferos. O Brasil detém 12% da água doce do mundo e 73% disso estão na Amazônia. A vazão do rio Amazonas, segundo Flávio Carvalho, é de 130 mil metros cúbicos por segundo.
Estrategistas do Pentágono, o coração da Defesa norte-americana, já perceberam que a água é cada vez mais preciosa. Sabemos que se trata de um ciclo fechado, a água não se esgota, apenas se torna cada vez mais caro dispor-se dela pronta para ser ingerida. Assim, o desmatamento, a desertificação, a poluição, levam, hoje, à morte pela sede e pela desidratação centenas de milhões de pessoas por ano, em várias partes do mundo, e esse contingente aumenta cada vez mais. No futuro, não está descartada guerra pela água.
No Brasil, os presidentes, e agora “presidenta”, que se revezam no Palácio do Planalto, mantêm-se rigorosamente de costas para a Amazônia, onde só vão buscar energia hidrelétrica e commodities, como minerais e madeira; da mesma forma, desprezam a água – vejam-se as matas ciliares em todo o país e as nascentes na capital da República. Em Brasília, nascentes são tratadas como esgoto.
Na Amazônia, metrópoles como Belém e Manaus despejam milhares de toneladas de dejetos in natura por dia no rio. Cidades como Macapá, situada quase na boca do rio Amazonas, além de não ter rede de esgoto ainda vende para a população água racionada e, às vezes, turva. Para agravar a situação, o amazônida, de modo geral, joga tudo no rio. Navegue pelos rios da Amazônia e observe o que o caboclo faz com o lixo.
Quem tem dinheiro, incluindo empresários estrangeiros, engarrafa água mineral e até exporta. A Constituição federal reza que a água é bem de todos os brasileiros. É mais uma falácia da Carta. Aliás, precisamos, com urgência, eleger uma Constituinte e redigir uma constituição realista, na qual se possa ler: “Nós pegamos o peixe”.
Aproveito para republicar matéria sobre o Mundo das Águas.

O maior rio do planeta

O rio Amazonas, que nasce no rio Apurimac, na parte ocidental da cordilheira dos Andes, no sul do Peru, na América do Sul, e deságua no oceano Atlântico, é o maior rio do mundo, 140 quilômetros mais longo do que o africano Nilo - que nasce no rio Kagera, próximo à fronteira entre o Burundi e Ruanda, na África, e deságua no mar Mediterrâneo -, tido como o mais comprido do planeta durante muito tempo. A comprovação foi feita por uma das mais sérias instituições científicas do Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que utilizou dados obtidos em expedição à nascente do Amazonas e imagens de satélite. Segundo o Atlas Geográfico Mundial, a extensão do Nilo é de 6.695 quilômetros e a do Amazonas, de 6.515 quilômetros. Os livros de geografia precisam ser reeditados. Agora, o rio Amazonas mede 6.992,06 quilômetros e o Nilo, 6.852,15 quilômetros.
A equipe que chegou a essa conclusão, divulgada em julho de 2008, foi chefiada pelo geólogo Paulo Roberto Martini, 60 anos, da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe. Ele comentou que as medições anteriores foram feitas sem o uso de metodologias científicas: “Esse resultado mostra que, às vezes, as verdades mais bem estabelecidas têm de ser revistas porque podem simplesmente não ser verdade. Pelo menos desta vez não temos acho. Temos metodologia científica e, por essa leitura, por essa interpretação, você pode colocar nos livros que o Amazonas é maior do que o Nilo”.
Em junho de 2007, uma expedição, que incluía representantes do Inpe, do Instituto Geográfico Militar do Peru, da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já havia determinado a nascente do rio Amazonas. Desde o início dos anos 1990, cientistas do Inpe se debruçam sobre o gigante, por meio de sensoriamento remoto e geoprocessamento, tecnologias utilizadas no Programa Espacial Brasileiro. Foram usadas imagens dos satélites norte-americanos Landsat, distribuídas pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Os pesquisadores marcaram o traçado dos dois rios e com ajuda de um programa de computador calcularam a extensão deles da nascente à foz.
Em maio de 2008, o vice-presidente da Sociedade Geográfica de Lima, professor Zaniel Novoa, após 12 anos de investigação, confirmava a versão do explorador polonês Jacek Palkiewicz, que, em 1996, localizou a nascente do Amazonas e afirmou que o rio sul-americano era mesmo o maior do mundo. Até a segunda metade do século XX, os geógrafos apontavam o Nilo como o maior. Desde que o Amazonas foi batizado, em 1500, foram identificadas nascentes em vários pontos do Peru, contudo a nascente verdadeira se encontra a 5.179 metros de altitude, próximo do monte nevado Quehuisha, na região sul de Arequipa, no Peru.
O Amazonas foi chamado pelo navegador espanhol Vicente Yañez Pizón, em 1500, de Mar Doce; o também espanhol Francisco Orellana mudou-o para Amazonas, em 1542. O colosso marrom, que no estado do Amazonas recebe o nome de Solimões e nos estados do Pará e Amapá, de Amazonas, é a espinha dorsal da maior bacia hidrográfica do mundo, formada por 7 mil afluentes, abrangendo uma área, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), de 6,110 milhões de quilômetros quadrados, no norte da América do Sul, banhando Peru (17%), Equador (2,2%), Bolívia (11%), Brasil (63%), Colômbia (5,8%), Venezuela (0,7%) e Guiana (0,2%). Só a bacia do rio Negro, afluente da margem esquerda do Amazonas, contém mais água doce do que a Europa.
Da nascente até 1.900 quilômetros, o Amazonas desce 5.440 metros; desse ponto até o Atlântico, a queda é de apenas 60 metros. Suas águas correm a uma velocidade média de 2,5 quilômetros por hora, chegando a 8 quilômetros, em Óbidos, cidade paraense a mil quilômetros do mar e ponto da garganta mais estreita do Amazonas, com 1,8 quilômetro de largura e 50 metros de profundidade.
Fora do estuário, a parte mais larga situa-se próxima à boca do rio Xingu, à margem direita, no Pará, com 20 quilômetros de largura, mas nas grandes cheias chega a mais de 50 quilômetros de largo, quando as águas sobem ao nível de até 16 metros. O Amazonas é navegável por navios de alto-mar da embocadura à cidade de Iquitos, no Peru, ao longo de 3.700 quilômetros. Seu talvegue, nesse curso, é sempre superior a 20 metros, e chega a meio quilômetro de profundidade próximo à foz. A bacia amazônica conta com 25 mil quilômetros de rios navegáveis.
A vazão média do rio-mar é de pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo, o suficiente para encher 8,6 baías da Guanabara em um dia. No Atlântico, despeja, em média, 400 mil metros cúbicos de água por segundo; chega, portanto, a despejar 600 mil metros cúbicos de água por segundo no mar. Num único dia, o Amazonas deságua no Atlântico mais do que a vazão de um ano do rio Tamisa, na Inglaterra. O colosso contém mais água do que os rios Nilo, na África; Mississipi, nos Estados Unidos; e Yangtzé, na China, juntos.
O Amazonas despeja também no mar 3 milhões de toneladas de sedimento por dia, 1,095 bilhão de toneladas por ano. O resultado disso é que a costa do Amapá está crescendo. A boca do rio, se escancarando do arquipélago do Marajó, no Pará, até a costa do Amapá, mede 240 quilômetros, e sua água túrgida de húmus penetra 320 quilômetros no mar, atingindo o Caribe nas cheias e fertilizando o Atlântico com 20% da água doce do planeta. O húmus despejado pelo gigante no Atlântico torna a costa do Amapá uma explosão de vida marinha, o ponto mais rico da Amazônia Azul, no Brasil mais mal-guardado pela Marinha de Guerra e menos estudado pela academia.
“O que me intriga, não apenas no conteúdo da educação fundamental brasileira, mas também na base de informações científicas e acadêmicas no Brasil, é a pobreza de informações ambientais e biológicas sobre essa região, batizada de Mar Dulce pelo navegador espanhol Vicente Yañez Pinzón, em 1500, mesmo ano em que Cabral achava o Brasil” – comenta o oceanógrafo Frederico Brandini.
Ele lembra que, no Amapá, as autoridades estão pouco preocupadas com o estudo da Amazônia Atlântica, e as costas do Amapá e do Pará são um inacreditável banco de vidas marinhas, coalhado de piratas, que vão lá pegar, de arrastão, pescados, lagostas, camarão e outros frutos do mar. Tenho notícia de que pescadores paraenses já capturaram na altura da Vila de Sucuriju, no município de Amapá, um marlim azul de meia tonelada. Nem Ernest Hemingway conseguia espadarte desse porte no Gulf Strea

6/06/2011

JOSÉ WILSON MALHEIROS




A MONTANHA

Esta mnsagem é para você meu leitor, que sempre me honrou com sua leitura e preferência

“A montanha da SABEDORIA, com o pico da
ILUMINAÇÃO, fica além da planície do CONHECIMENTO. Antes dela, o pântano da IGNORÂNCIA. A grande massa da humanidade fica presa aí, por desconhecer o segredo da passagem. Só se pode passar volitando o pântano – e raros conseguem abandonar à margem o peso do ORGULHO. Só o coração humilde tem asas.”(SHI-LING).
Vamos tentar explicar, vindo do final para o começo.


Há em nossa existência um pântano (rio de lama, de matéria fétida). Todos nós precisamos atravessá-lo. Ele simboliza a IGNORÂNCIA (existem doutores extremamente ignorantes e analfabetos muito sábios). Mas para atravessar, chegar à outra margem do rio pantanoso, precisamos nos livrar do PESO. Que carga pesada é essa? É o ORGULHO humano. Livres dessa carga, desse peso, desse estorvo, podemos, agora, volitar, isto é voar, para atravessar até a outra margem onde há uma planície, que se chama do CONHECIMENTO, isto é, do estudo, do conhecimento, do auto-conhecimento, do entendimento, da noção das coisas espirituais, das mensagens dos grandes avatares para sabermos o que viemos fazer aqui nesta Terra etc.
Quando tivermos um excelente conhecimento, após muito tempo de estudo e reflexão, voamos até o pico da ILUMINAÇÃO, isto é, ganhamos luzes, ficamos espiritualmente mais evoluídos, no rumo daquilo que a humanidade entende como paraíso, que não é um lugar, mas um estado de espírito de felicidade suprema, mesmo assim segundo os parâmetros e os acanhados limites da Terra, pois há mundos bem mais evoluídos e, portanto mais felizes e nós estamos, ainda, engatinhando.
Quando crescemos mais (na verdade estamos “condenados” a seguir sempre em frente) chegamos ao nível dos sábios, ao patamar da SABEDORIA, que supera o conhecimento. Aí só poucas pessoas na humanidade terrena já chegaram, até hoje.
Talvez aí estejam, além de Cristo, pessoas como São Francisco, Chico Xavier, Buda, Gandhi, Madre Tereza e outros poucos sábios, boa quantidade deles totalmente desconhecidos e não cultuados pelos terráqueos. Jesus disse que quem se humilha será exaltado, que os últimos serão os primeiros etc.
Pois é, Ele quis explicar que só o coração humilde tem asas, como está mencionado antes. Mencionei Cristo, mas isto nada tem a ver com religiões, seitas, credos, rituais ou coisas do gênero. É um código de vida.
Poderia fazer referência, também, a outros condutores da humanidade. Temos que procurar fazer o bem. Não é que Deus vai punir ou o tal do “Diabo” vai pegar. O inferno ou o paraíso são portáteis. Nós os carregamos dentro de nós mesmos. Não são lugares. São formas de pensamento, estados de espírito que se leva para o outro lado da vida.
Tudo isso faz parte do caminho que devemos percorrer rumo à sabedoria... E uma vida apenas é muito pouco para chegarmos lá. Isso dura milênios. Somos seres em permanente construção. Pense a respeito!

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José Wilson Malheiros
jwmalheiros@hotmail.com

RAY CUNHA


A Amazônia é sustentável?

D
urante dois dias, cerca de 100 jornalistas da Amazônia se reuniram em Porto Velho, para discutir a sustentabilidade das comunidades pobres do Trópico Úmido, as mais desprezadas pelos políticos e mais vilipendiadas pelo statu quo
A Fundação Banco do Brasil realizou o II Encontro de Jornalistas do Norte, nos dias 30 e 31 de maio, em Porto Velho, Rondônia, pondo em debate o tema central: Amazônia, comunicação e tecnologia social – Interação e sustentabilidade. Nada mais emblemático, para o tema do encontro, do que Porto Velho, que surgiu em 1907, da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, um empreendimento falido e que mostrou de forma dramática a Amazônia real. Porto Velho foi elevada à categoria de cidade, ainda pertencente ao estado do Amazonas, em 1914. Em 1943, o atual estado de Rondônia foi desmembrado do Amazonas e de Mato Grosso, como Território Federal do Guaporé, passando para Território Federal de Rondônia em 1956 e se tornando estado em 1982. O nome Rondônia foi dado pelo então deputado Áureo Mello. Hoje, o poeta, ficcionista e ex-senador Áureo Mello mora em Brasília.
Em menos de 100 anos, Porto Velho já tem 426.558 habitantes, segundo o censo de 2010 do IBGE, só conta com 3% de rede de esgoto e metade da população não sabe o que é água tratada. A cidade não é arborizada. As árvores existentes são dos quintais das casas e nos passeios públicos de algumas poucas ruas. Da margem direita do rio Madeira, onde está localizada a leste do rio, dá para ver as obras da hidrelétrica de Santo Antônio, e a 150 quilômetros da cidade, mas no município de Porto Velho, é erguida também outra hidrelétrica, a de Jirau. Esses dois empreendimentos, federais, que gerarão energia elétrica principalmente para o Sudeste, já começaram a inchar Porto Velho, e a causar inflação.
Como se viu, Porto Velho é, desde o início, uma cidade de fronteira, onde é comum se ver levas de forasteiros, que fazem parte da paisagem da cidade, de modo que são vistos com familiaridade. Agora, nas suas ruas e boates misturam-se técnicos de nível superior e de nível médio, operários, aventureiros, golpistas, malandros, bandidos e, claro, políticos, juntamente com todo o comércio que gira em torno desses aglomerados.
Do tema Amazônia, comunicação e tecnologia social: Interação e sustentabilidade, tiremos a palavra “sustentabilidade”. Acredito que haja, no Brasil, quatro grandes conhecedores da Amazônia: o jornalista e ensaísta paraense Lúcio Flávio Pinto, que já escreveu uma verdadeira enciclopédia da Amazônia, por meio da sua Agenda Amazônica e do Jornal Pessoal; o ensaísta e romancista amazonense Márcio Souza, autor de Breve História da Amazônia; o gaúcho Gelio Fregapani, mentor da doutrina brasileira de guerra na selva, autor de Amazônia – A grande cobiça internacional; e a antropóloga paranaense, dra. Mary Allegretti.
Desse quarteto, foram convidados Lúcio Flávio Pinto e Mary Allegretti. Lúcio não pôde ir porque estava se defendendo, como sempre, dos processos com que a família Maiorana, repetidora da TV Globo e “dona” do Pará, o mantém refém; inclusive, Ronaldo Maiorana pegou Lúcio à traição, junto com dois guarda-roupas da Polícia Militar, em serviço e a serviço de Ronaldo Maiorana, e rebentou a pancadas o jornalista, isso em um restaurante frequentado pela elite belenense e, na época, Ronaldo Maiorana era presidente da Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Pará. Lúcio não pôde ir, mas Mary Allegretti pôde.
Ela explicou que o conceito de sustentabilidade surgiu nos anos de 1970, no Acre, extremo oeste brasileiro, região comprada da Bolívia pelo Brasil, o coração das trevas. Chico Mendes estava na parada. Pois bem, o conceito de desenvolvimento sustentável foi usado deliberadamente pela primeira vez em 1987, no Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada em 1983 pela Assembleia das Nações Unidas (ONU): “O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades; significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais” (Wikipédia).
Fala-se muito em desenvolvimento sustentável para a Amazônia. O governo federal, não importa a cor que tenha, vê o continente Brasil do ponto de vista macroeconômico e, para completar essa tragédia, se cerca de “companheiros” e burocratas. Assim, desenvolvimento sustentável para o governo federal significa, por exemplo, a produção de energia elétrica oriunda de megaempreendimentos como Tucuruí, Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. Quem estiver por perto que se exploda. Veja-se o caso do Pará. Tucuruí é a maior usina hidrelétrica nacional, mas no Pará metade dos municípios não conta com energia elétrica firme; no arquipélago de Marajó, uma das regiões mais fantásticas do planeta, crianças são estupradas em balsas a troco de comida. Mas os príncipes paraenses jamais construíram o linhão de Tucuruí levando energia elétrica firme para o Marajó, e outras paragens.
O encontro em Porto Velho foi vitorioso e a Fundação Banco do Brasil está de parabéns, porque conseguiu passar para cerca de 100 jornalistas da região o verdadeiro desenvolvimento sustentável, por meio de palestras sobre a joia da instituição: o programa de tecnologia social Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais). O conceito de “tecnologia social compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social”. Isso quer dizer que o verdadeiro desenvolvimento social não é o bolso do dono da empreiteira, ou da fazenda de boi ou de soja, mas do autóctone, no caso da Amazônia, os habitantes da floresta – o índio, o ribeirinho, o caboclo, o quilombola. Essa gente precisa comer também, e de escolas.
Porto Velho é um exemplo de insustentabilidade, como a maioria das cidades brasileiras, incluindo São Paulo, a mais rica, e que todo ano vai para o fundo d’água, e Brasília, a capital do país, inchada, sucateada, esburacada, servida por ônibus urbanos imundos e caros, com seu sistema de saúde que é um verdadeiro matadouro, e violenta. O que está errado, então? Creio que não será com a Bolsa Família que se resolverá o problema, mas com investimento maciço, continuado e nunca desestimulado em educação, pois o cenário é desesperador. Recentemente, o Ministério da Educação (MEC) distribuiu para os estudantes de todo o país um livro com erros gramaticais propositais, estimulando as populações pobres a escrever como falam, e assim privando-as da compreensão da realidade e da cidadania que adquirimos ao entendermos plenamente o que é desenvolvimento sustentável.
Voltarei ao assunto oportunamente, desta vez abordando a questão da água.

6/03/2011

Escola Bosque aniversariou. E menina-moça. Rita Nery está feliz





A professora Rita Nery foi um dos sustentáculos da Escola Bosque




O Centro de Referência em Educação Ambiental – Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira, do Outeiro, - atual Fundação Escola Bosque, na ilha de Outeiro, formada pela Escola Bosque, Casa Escola de Pesca e o Ecomuseu - completou 15 anos no ultimo domingo, 29 de maio.

A Escola Bosque partiu de uma idéia do sociólogo, poeta, escritor, ambientalista e educador José Mariano Klautau de Araújo, antigo morador do Distrito, que amava e defendia com vigor a ilha de Caratateua (Outeiro). Ele gostava tanto do Outeiro que escreveu “Outeiro, uma Gestão de Vida”, “Dimensão Insular de Belém”, “Estações de Vida” e o livro de poesias “Trilhas”, todos esgotados. Mariano, grande amigo e companheiro de idéias e pensamentos, faleceu em 12 de Novembro de 2010.

O inicio – Quatro meses após a posse do prefeito Hélio Gueiros, Mariano esteve com a professora Terezinha Gueiros levando em mãos o projeto da Escola-Bosque, de sua autoria com o apoio da comunidade do Consilha – Conselho das Ilhas do Outeiro. Terezinha o aconselhou que procurasse Rita Nery, à época, Diretora de Ensino da Secretaria Municipal de Educação (Semec).

A educadora – que nos deixou na véspera do domingo de Páscoa - achou o projeto surpreendente aconselhou a professora Terezinha Gueiros que o aprovasse junto ao prefeito. Logo em seguida foi criada a Escola Bosque, com um nome pomposo- Centro de Referência em Educação Ambiental – Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira, numa homenagem ao professor falecido meses antes, cientista, geógrafo especialista em Meio Ambiente e grande entusiasta do Outeiro.

A comunidade participou ativamente das demarches para a desapropriação da área onde foi construída a Escola Bosque - Avenida Nossa Senhora da Conceição esquina com a Rua Manoel Barata – Bairro de São João do Outeiro, em frente Administração Regional do Outeiro.

O projeto da Escola Bosque - aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal - diferia das demais escolas do município.

Era um centro de referência de alto nível. Os cuidadosamente professores selecionados possuíam pós-graduação, e ganhavam um pouco mais do que os seus colegas da rede municipal de ensino; e os alunos selecionados passavam o dia na escola em atividades escolares e extra-escolares voltados para o Meio Ambiente, com direito a almoço.

O sucesso foi tanto que houve necessidade da criação de seis anexos na área do Distrito do Outeiro, inclusive nas ilhas de Jutuba I e Jutuba II, em frente ao Cotijuba.

Tudo foi pensado para oferecer o melhor e mais conforto para o alunado como também para os professores. As salas de aula da Escola Bosque no formato octogonal – com oito lados – foram concebidas de modo a não cansar o aluno, assim como, despertar-lhe a criatividade.

O auditório foi construído de forma triangular não para somente servir de palco de encontros e eventos. como também para a apresentação de peças teatrais e até mesmo óperas. Nada foi esquecido, inclusive a acústica. A comunidade, por sua vez, usava muito o espaço perfazendo uma excelente forma de integração- município + povo

A Escola Bosque tornou-se famoso como centro de referência em educação ambiental e ganhou prêmios, menções honrosas e citações de varias organizações - e revistas e publicações técnicas - nacionais que se ocupam com tema não apenas dentro como fora do Brasil. Destacadamente Argentina, Chile Equador, Guatemala, México e Alemanha.

Nesses três lustros de Escola Bosque ocorreram grandes eventos. A escola foi sede de mini-congressos nacionais e internacionais, Semanas de Meio Ambientes que reuniu grande numero de pessoas e estudiosos de varias matizes - recebeu visitas importantes, sem desprezar o povo do Outeiro e das ilhas próximas.

A bem pouco tempo a Escola Bosque recebeu o projeto "A Academia vai à Escola", desenvolvido pela Academia Paraense de Letras (APL). Na ocasião, alunos, professores e funcionários da escola, além da própria comunidade do entorno, participaram de uma Sessão Especial da Academia, em homenagem ao poeta paraense Raimundo ALONSO Pinheiro ROCHA antigo ocupante da cadeira n° 32 da APL. falecido em marco deste ano, aos 80 anos.

Fato Triste - Lamentavelmente, a Escola Bosque na antiga administração municipal foi totalmente descaracterizada e sucateada.

Em todos os aspectos.

Naquele período a Escola - a troco de nada! - recebeu represálias de toda espécie; as salas de aula eram utilizadas para reuniões político-partidárias, e no final sempre apareciam equipamentos – modernos e caríssimos - danificados ou quando não sumiam, assim como alguns documentos e trabalhos importantes produzidos pelos alunos.

Os veículos – uma kombi seminova cor franco ovo, dois automóveis Fiat Uno cinza e um fusquinha antigo, mas de grande valia – tomaram chá de sumiço. Ninguém sabe ate hoje para onde foram.

A escola foi entregue à própria sorte.

Mas após tempestade vem a bonança. Com o apoio decidido da comunidade que arregaçou as mangas e foi à luta- e juntamente com a nova equipe selecionada por Terezinha Gueiros e Rita Nery deu um novo colorido ao prédio.

Futuro - A administração Duciomar Costa juntamente com a professora Terezinha Gueiros resolveram dar o devido destaque a Escola Destaque/ ou melhor – devolver-lhe a importância de antanho.

Desde o primeiro dia de gestão iniciaram o plano de restauração total da Escola Bosque. Tudo foi - e esta sendo - feito de forma que EB retorne às finalidades precípuas de Referência em Educação Ambiental – ainda a primeira do Norte do pais -, com menos alunos e um corpo docente de alto nível entre professores, engenheiros florestais, ambientalistas e técnicos em turismo.

A nossa querida desaparecida, Rita Nery, num encontro sobre Educação Aplicada promovida pelo Capra, um conselho que congrega as entidades e associações que funcionam no Outeiro, realizado no auditório do Centro de Referência em Educação Ambiental – Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira, no ano passado, afirmou a este repórter que Duciomar & Cia tem planos ousados para a nossa menina moca. “Ela vai ressurgir das cinzas”.

Será transformada no Centro de Desenvolvimento Insular, não apenas como referencial de Educação Ambiental como também de centro de irradiação de turismo com a participação total da Comunidade. Como se não fosse bastante, dentro da expansão da Escola Bosque, a atual administração pretende recuperar totalmente as ruínas do antigo Educandário Nogueira de Faria (Cotijuba) e transformá-lo num centro de cultura e lazer.

O local será a Central de Desenvolvimento das ilhas, um projeto a ser desenvolvido pela atual administração municipal num futuro próximo.

E isso não vai demorar garantiu a educadora.

Mensagem final - Rita Nery, onde você estiver continue emprestar o brilho da sua inteligência a Terezinha Gueiros e a atual administração para que todos os planos ousados da Escola Bosque sejam concretizados e, também, como você afirmou no ardor de seu entusiasmo natural e contagiante, a nossa escola do Outeiro, assim a Fênix da mitologia grega, ressurja das cinzas.

Nesse aniversario de 15 anos da nossa Escola Bosque, este repórter – que acompanhou pari passu o nascimento do Centro de Referência em Educação Ambiental ou Fundação Escola Bosque, desde os primeiros sulcos na terra, desde os alicerces - através do seu espaço – presta homenagem a memória da professora Rita de Carvalho Nery Vanetta – ou Rita Nery – grande madrinha da Escola Bosque.

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E aproveito para enviar um grande abraço ao meu querido povo do Outeiro de arredores, que me aturou por quase 10 anos. (A.F.)