8/30/2007


DRAMALHÃO MEXICANO


Não podemos ficar alheio ao que se passa em nosso redor, os partidos que ontem eram aliados, o PT e o PMDB, já não formam um belo casal, estão na realidade se separando. Segundo o presidente do PMDB no Estado o todo poderoso, deputado federal Jader Barbalho, tem falado sistematicamente, por ande passa, que o PMDB vai ter candidato próprio na capital e demais municípios paraenses nas próximas eleições municipais. Pelo menos nas regiões Sul e Oeste do Pará, os ânimos estão acirrados. Em Marabá, está praticamente decidido que o deputado federal Asdrubal Bentes, será o candidato a prefeito, enquanto aqui em Santarém, Jader já teria escolhido na pessoa do suplente Helenilson Pontes, o nome ideal para concorrer com a prefeita Maria do Carmo, que continua achando que a parceria deve continuar no próximo pleito. Logo após o acerto com Jader, Helenilson começou a tomar a postura de candidato de oposição, cobrando obras que ainda nem foram iniciadas pela prefeita, como é o caso dos restaurantes populares. De acordo com fontes fidedignas oriundas da capital do Estado, o ex-deputado federal José Priante, teria brigado com o seu primo Jader, e assegurou que vai embolar o meio de campo político do PMDB., podendo apoiar Maria do Carmo em sua reeleição. Com a postura de Jader em lançar Helenilson candidato ao cargo majoritário, poderá surgir uma nova divergência, desta vez com o deputado estadual Antônio Rocha, que sonha em lançar o seu filho, José Antônio Rocha, atual Secretário de Transportes do Município, na condição de vice da prefeita Maria do Carmo. Como diria o competente deputado federal Gerson Peres (PP), “em política eu só não vi boi voar”, vamos aguardar o desenrolar desta trama, que está mais para dramalhão mexicano.

99 - NOVES FORA NADA


De acordo com a matéria que publicamos na edição passada, sob o título de Madeira Neles, já era de se esperar que o juiz federal Francisco de Assis Garcês Castro Júnior, da subseção de Santarém, tomasse a iniciativa de interditar os 99 projetos de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em toda região Oeste do Pará. Doravante, as licenças ambientais só poderão ser emitidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que também ficará responsável, por fazer os estudos de viabilidade dos projetos. Segundo o juiz federal, as famílias não estão obrigadas a sair do local onde se encontram, mas ficarão impedidas de ter acesso a recursos públicos e de receber qualquer documento que ateste legalmente a posse plena dos lotes que receberam do Incra. O juiz federal, voltou a afirmar que os assentamentos atendem somente os interesses do setor madeireiro. Caso a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sectam), emitir novos licenciamentos em projetos do Incra, como vinha fazendo, será multada em R$ 10 mil por dia. Está na hora do superintendente do Incra em nossa região, Pedro Aquino, tomar a mesma decisão da diretora da Anac, pedir demissão, caso contrário, a sua situação pode agravar ainda mais.

HIDROVIAS


Os três mosqueteiros, digo deputados estaduais, Luís Cunha, Alexandre Von e Gabriel Guerreiro, integrantes da Frente Parlamentar Pró-Hidrovias do Pará, integrada por 38 dos 41 deputados estaduais, está agendando debates com a população, entidades do setor produtivo e de navegação, com relação ao potencial hidroviário do Tapajós. Os três primeiros municípios que sediarão as reuniões são Santarém, Oriximiná e Itaituba. Os deputados defendem que a hidrovia do Tapajós, abrirá a fronteira agrícola dos estados do Pará e Mato Grosso, excelente opção para o comercio exterior, gerando empregos e novos empreendimentos. O presidente da Frente Parlamentar, Luís Cunha, argumenta que a hidrovia vai trazer muitos benefícios à nossa região, o eventual caminho para sanar os problemas de infra-estrutura que impedem o desenvolvimento sócio-econômico do Pará. Alexandre Von, vice-presidente, lembra que a hidrovia Tapajós-Teles Pires – Juruena tem, hoje, 343 Km navegáveis e, para a navegação livre ao longo dos 1.043 Km – extensão viável economicamente, é preciso que o Governo Federal invista no projeto. A preocupação do deputado, é que os recursos previstos no PAC – Plano de Aceleração do Crescimento, para as hidrovias somam apenas R$ 735 milhões, menos de 1,26% do total previsto. Para o relator, deputado Gabriel Guerreiro, a Frente Parlamentar é uma iniciativa para consolidar o setor hidroviário como importante ferramenta de logística de transporte do País, e, em particular, do Pará. O deputado do PV, aponta a questão ambiental como principal aliada das hidrovias, ao contrario do que pregam detratores do projeto.

DIA D


Uma programação especial foi realizada no último sábado, 25 de agosto, em todas as Unidades de Saúde de Santarém para marcar o Dia D da 2ª Etapa da Campanha Nacional de Multivacinação. A Campanha pretende proteger as crianças de Santarém do risco da Poliomielite, também conhecida como Paralisia Infantil. Para isso é necessário vacinar todas as crianças de zero a cinco anos, evitando a formação de bolsões de pessoas vulneráveis ao vírus. A Secretaria Municipal de Saúde realizou também uma carreata pelas principais ruas da cidade, anunciando o Dia D. Segundo o Secretário Municipal de Saúde, Emannuel Silva, a população atendeu ao chamado e compareceu em massa no dia da vacinação.

FEIRA DA CULTURA


O vereador José Maria Tapajós (PMDB), parabenizou a prefeita Maria do Carmo e a Coordenadora de Cultura do Município Jarles Aguiar, pela abertura oficial da Feira da Cultura Popular, que aconteceu na última terça-feira (28), na Praça São Sebastião. Segundo o vereador, o evento é uma grande oportunidade para que as comunidades possam mostrar as suas riquezas e culturas, descobrindo novos talentos, que através do artesanato, encantam milhares de pessoas que prestigiam anualmente essa grande festa popular. Na oportunidade, o vereador falou sobre um trabalho que tornará a Associação dos Moradores do Bairro de Santa Clara, Utilidade Pública Municipal, que está sendo encaminhado para as Comissões do Poder Legislativo.

PRESTÍGIO


O aniversário do vice-governador do Pará, Odair Corrêa, comemorado em Santarém nas dependências do Atlético Cearense no último domingo (26), foi prestigiado por várias autoridades, dentre elas, a prefeita Maria do Carmo, vice-prefeito Delkano Riker, deputados estaduais Antônio Rocha e Carlos Martins, prefeito de Belterra Geraldo Pastana, secretários municipais Emannuel Silva, José Antônio Rocha e Inácio Corrêa, vice-prefeito de Alenquer, José Barra da Infraero, chefe de gabinete da vice-governadoria Edinaldo Mota Jr, subchefe Edson Corrêa, Rubson Santana da CEF, médicos Nélio Aguiar e Alberto Tolentino, assessores Joaquim Corrêa e Josué Pinheiro, dentre outros . O destaque ficou por conta da orquestra jovem Wilson Fonseca, que deu um show à parte.

MOTINHAS
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Acontece neste sábado/01, na Câmara Municipal de Santarém, a Convenção Municipal do PSDB, ocasião em que será eleito o deputado estadual Alexandre Von, como o novo presidente do Diretório Municipal. Presenças confirmadas do ex-governador Simão Jatene, senadores Flexa Ribeiro e Mário Couto, deputados estaduais José Megale, Suleima Pegado, Ítalo Mácola, Bosco Gabriel e Manoel Pioneiro, além do deputado federal Lira Maia. ●●● Parabéns ao meu amigo e ex-patrão presidente das ORM, Romulo Maiorana Jr, que foi eleito mais uma vez, Líder Empresarial do Pará. O prêmio será entregue dia 03 de outubro, no Credicard Hall, em São Paulo. ●●● O presidente do Incra, Rolf Hackbart, esteve em Santarém, na calada da noite, na última sexta-feira/24. Veio ver de perto os estragos feitos pelo superintendente do Incra em nossa região, Pedro Aquino. ●●● Os Democratas querem puxar o tapete do deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), eleito recentemente Líder da Minoria na Câmara Federal. ●●● Senti firmeza, a governadora Ana Júlia Carepa, bateu o martelo na frente do Secretário dos Portos, Pedro Brito, dizendo que o Presidente da CDP tem que ser um nome escolhido pelo Governo do Estado. Nada de pára-quedistas. ●●● A prefeita Maria do Carmo, já repassou para os representantes dos Botos Tucuxi e Cor de Rosa, 50% dos recursos destinados a festa do Sairé. ●●● Tornearia Morenão. Av. Mendonça Furtado 2943 Fone (093) 3523 2243. ●●● Aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS, receberão entre os dias 03 e 10 de setembro, a primeira parcela do 13º salário. No Pará são cerca de 500 mil, injetando na economia do Estado, quase R$ 250 milhões. ●●● Neste sábado/01 às 07 da manhã será realizada a programação de abertura da Semana da Pátria 2007, em frente ao Museu João Fona; às 17 horas, acontece na Orla da cidade, o Festival de Bandas e Fanfarras. ●●● Vereador Henderson Pinto (DEM), cobrou das autoridades competentes, melhoria nas comunidades de Campos do Aramanaí e Igarapé do Costa, que estão totalmente abandonadas e esquecidas pelo Poder Público Municipal. ●●● Rio Norte Veículos, concessionária Chevrolet em Santarém – Av. Mendonça Furtado 3064 Fone (093) 3064 9000. ●●● O Site do Congresso Nacional, está relacionando o deputado federal Lira Maia (DEM-PA), entre os 133 parlamentares da Câmara Federal, pré-candidato a prefeito em Santarém, no próximo ano. É ver para crer. ●●● Um excelente final de semana aos amigos João Sena, Cosmo Soares, Dr. Domingos e grande causídico José Ronaldo Campos. ●●● A V Expociats, onde sua empresa aparece, acontece de 29.09 a 06.10 na praça São Sebastião. Reserve seu stand. Fones (093) 3063 6768 e 9654 7566. ●●● Nesta sexta-feira/31, tem a tradicional seresta no Fluminense, com o maestro José Maria Alho. Imperdível. ●●● Cantor santareno Ray Brito, se apresenta hoje no Mascotinho, dias 01 e 02 em Monte Alegre, no Clube Ypiranga e La Barca, respectivamente. ●●● Primeiro final de semana do mês, vamos comemorar com a gostosa loira gelada (Nova Schin), a formosa ruiva destilada e a bela morena quente. Fui
CENSURA

Sarney mente à Veja

Brasília – O maranhense José Sarney, eleito senador vitalício pelo PMDB do Amapá, deu uma declaração mentirosa à revista Veja, edição de 29 de agosto: “Eu, que sempre fui defensor da liberdade de imprensa – no meu governo nunca processei nenhum jornalista –, jamais posso aprovar qualquer retaliação direta ou indireta contra um órgão da mídia nacional, especialmente tão expressivo como a Editora Abril”.
Na campanha eleitoral de outubro de 2006, Sarney moveu mais de cem ações contra jornalistas, e, agora, “tem a cara-de-pau de dizer na revista Veja que é defensor da liberdade de imprensa” – desabafa a jornalista Alcinéa Cavalcante, multada em mais de R$ 500 mil pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá.
Este repórter foi também processado, multado em R$ 24 mil e obrigado a publicar um perfil mofado de Sarney, o mesmo texto imposto a outros jornalistas censurados.
A perseguição implacável que Sarney fez a jornalistas amapaenses repercutiu internacionalmente; mais de 50 mil blogs em todo o mundo aderiram a campanha "Xô Sarney", de repúdio ao coronel de barranco.
“O ataque de Sarney à liberdade de expressão foi notícia nos principais jornais do país, como O Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, entre outros. Os melhores e mais respeitados jornalistas deste país, como Noblat, Cláudio Humberto, Sebastião Nery, Marcelo Tas, Reinaldo Azevedo e Cora Ronai, noticiaram o abuso de Sarney contra os jornalistas amapaenses” – lembra Alcinéa Cavalcante.
Um pouquinho do que saiu na imprensa sobre a censura imposta por Sarney
Folha de S.Paulo – 29/08/2006
Blogs fazem campanha "Xô Sarney"
Thiago Reis
Blogs políticos e de jornalistas do Brasil e do exterior estão publicando notas de repúdio ao que consideram "censura" praticada pela coligação encabeçada pelo senador José Sarney (PMDB), que concorre à reeleição no Amapá.
Ao menos 80 blogs já aderiram ao "movimento" desde que a Justiça Eleitoral determinou, no último dia 25, que a jornalista Alcilene Cavalcante retirasse de seu blog a foto de um muro de Macapá no qual a expressão "Xô" é representada com uma caricatura do senador.
A foto está agora reproduzida na maioria desses blogs. O jornalista Marcelo Tas, em seu blog, disse que é preciso "varrer do mapa, aposentar de vez da vida pública brasileira, um dos maiores vermes da nossa história: o ex-maranhense e presidente Zé Sarney".
Tas colocou no ar, inclusive, um santinho da principal adversária de Sarney ao Senado e escreveu: "Voto declarado".
A irmã de Alcilene, Alcinéa Cavalcante, republicou a foto do muro em seu blog e listou blogueiros que fizeram o mesmo pela internet.
A coligação de Sarney já entrou com nove representações contra o blog de Alcinéa. Nas últimas, frisou: "É inaceitável que indivíduos que se dizem jornalistas armem uma longa teia de comunicação na internet para a prática de crimes".
A coligação acusa a rede de blogueiros de estar "organizada em prol de atingir a boa imagem do candidato...”
Folha Online - 26/08/2006
Coligação de Sarney entra com ações na Justiça até contra blogs no Amapá
Larissa Guimarães
Depois de entrar com ações na Justiça contra jornais e rádios do Amapá por matérias consideradas negativas, a coligação do senador José Sarney (PMDB), candidato à reeleição no Estado, entrou com representação contra dois blogs por veicularem mensagens "ofensivas" ao senador nesta semana, segundo informações do TRE-AP (Tribunal regional Eleitoral) do Amapá.
A Justiça eleitoral do Estado determinou nesta sexta-feira (25/8) a retirada de uma caricatura de Sarney do blog da jornalista Alcilene Cavalcante. A caricatura traz o desenho do senador, com a mensagem "Xô Sarney". A decisão, do juiz Ancelmo Gonçalves, prevê multa de R$ 2.000 por dia caso a caricatura não seja retirada do blog.
Em outra representação, a coligação União pelo Amapá (PDT, PP, PMDB, PV, PSC e Prona) pediu a aplicação de multa e a retirada do ar de várias mensagens consideradas ofensivas a José Sarney do blog de Alcinéa Cavalcante...
Site do jornalista Cláudio Humberto -25/08/2006
Sarney, o censor, age no Amapá
O senador José Sarney (PMDB-AP) continua na sua cruzada pela censura: entrou com representação no TRE do Amapá contra o blog da jornalista Alcinéa Cavalcante (http://www.alcinea.zip.net/).
O texto dizia que o senador tem uma fazenda de burros no Amapá, uma piada antiga. Sarney exige que o TRE dê o direito de resposta, retire o blog do ar e ainda obrigue a jornalista a pagar uma multa demais de R$ 100 mil.
O Globo -11/09/2006
Caiu na rede
E o político que construiu a carreira esquivando-se de brigas e conflitos - com sucesso, diga-se - encara, no outono de sua trajetória, adversários inesperados, escorregadios, brancaleones incansáveis: os pequeninos gigantes da internet.
Poderoso em Brasília com chuva ou céu azul, o senador vai perdendo a briga banda-larga contra os duelistas de mouses e teclados, por ter seguido a regra que na internet é gol contra: tentar tirar a voz do adversário.
A solidariedade instantânea - e inquebrável - que os habitués da rede trouxe ao mundo virtual, uma pendenga até então perdida no meio da floresta. Resultado: a campanha "Xô, Sarney" com a caricatura bigoduda do prócer da República está muito maior do que quando incomodou o senador. O pavio da história terminou encorpado pela própria revolta do atingido. Proibido no Amapá, o blog de Alcinéa Cavalcante caiu no mundo e agora, com a hospedagem no internacional blogspot.com. O pior: no caminho, desembarcou no orkut (a comunidade "Xô Sarney" tinha 377 integrantes na sexta-feira à noite, com viés de alta) e no YouTube, os endereços eletrônicos da moda. Se a eleição não chegar logo, a camiseta com a charge que tira o sono do senador vira ícone pop e, céus, vai parar nos leilões virtuais...
O GLOBO, coluna da Cora Ronai, 04/09/2006
O senador José Sarney é tão querido pelo povo do seu estado, o Maranhão, que se elege pelo... Amapá! Ou - Deus é grande - se elegia. Pois acaba de dar um tiro e tanto no pé: pediu, e a justiça eleitoral do estado lhe concedeu, a retirada de seis posts do blog de Alcinéa Cavalcante. Muito solícito, o UOL nem esperou que ela retirasse os posts do ar, e cassou-lhe o blog.
A irmã de Alcinéa, Alcilene, também tinha um blog, também retirado do ar pela jurássica atitude do PMDB. Mas Alcinéa é dura na queda e já está com um novo blog, em alcineacavalcante.blogspot.com. A truculência de que foi vítima está correndo mundo em blogs, fotologs, flickrs, emails...
Esta é a beleza da internet: pela primeira vez na História, um cidadão comum pode gritar tão alto quanto os poderosos. Ainda que Sarney consiga encontrar um meio de calar de vez a valente Alcinéa, como fará para calar as centenas de blogs que, a essa altura, reproduzem posts? Como poderá impedir a circulação dos milhares de emails que comunicam a meio mundo como se porta um dos próceres da república?
O problema do senador é que ele acha que o Amapá fica no fim do mundo e que lá ele pode se portar, hoje, como se portava no Maranhão há 50 anos. Mas aprenda, senador, e se possível ensine também a seu dileto discípulo do Planalto: lugar nenhum fica mais no fim do mundo quando há um telefone, um computador e uma voz disposta a denunciar arbitrariedades.
Jornalistas processados por Sarney
Alcinéa Cavalcante
Alcilene Cavalcante
Alípio JuniorChico Terra
Corrêa Neto
Domiciano Gomes
Humberto Moreira
Maracimoni Oliveira
Ray Cunha

8/28/2007

Presença de Luiz Lima Barreiros


Cabanagem : uma luta perdida

Enfim, o que foi a Cabanagem ?

Diversas respostas podem ser dadas a esta indagação. E, vamos passar a palavra, à partir de agora, à historiadora paraense, já falecida, Ítala Bezerra da Silveira.
“ Para a Regência do Império Brasileiro: uma luta separatista,que era mister debelar a qualquer preço; mesmo que este fosse o sacrifício de milhares de vidas humanas (um terço da população amazônida da época).
Para o historiador paraense Domingos Antonio Raiol (filho de português e nascido na cidade da Vigia): o fruto do desrespeito “ao princípio da autoridade”, sacrossanto princípio que deveria ser preservado a qualquer custo.
Para o pastot metodista norte-americano, Daniel F.Kidder, a Cabanagem teria sido uma guerra de raças. Diz, textualmente em seu livro “Reminiscências de Viagens e Permanência no Brasil”: “em nenhuma parte outra do Brasil se praticaram crueldades tão atrozes contra o gentio. Mas também em nenhuma outra foi tão terrível a vingança do silvícola” (pág.197 da obra).
Para o historiador alemão G.H.Haldemann, autor de uma “História do Brasil”, além de uma guerra de raças, isto é, do aborígene contra o colonizador luso, teria sido , também, uma luta dos pobres contra os ricos. Escreve o mesmo: “Todavia esta feição primitiva apagou-se quando os chefes da revolta chamaram às armas, as populações índias, meio selvagens, os tapuias, e a sublevação apresentou-se como uma guerra de índios contra os brancos, e os destituídos de bens contra os que possuíam bens” (pág.311)
Na historiografia do século XX , outras interpretações serão dadas ao movimento cabano. Caio Prado Júnior, em seu livro “Evolução Política do Brasil”, assim se expressou a respeito da rebelião cabana:
“um dos mais notáveis, se não o mais notável movimento popular do Brasil. É o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem o poder de toda uma província , com certa estabilidade.
Apesar de sua desorientação, apesar da falta de continuidade que a caracteriza, fica-lhe contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação a uma tomada efetiva do poder “ (p´[ag.68 de seu livro)
Esta conquista do poder levou o jornalista-historiador José Júlio Chiavenato a dar ao seu livro sobre o movimento cabano, o sugestivo título: “Cabanagem – O Povo no Poder”
Para o professor Renato Guimarães, a Cabanagem foi “a Revolução no Brasil”, enquanto para o cientista político e também professor Pasquale di Paolo, a Cabanagem foi “a revolução popular na Amazônia”.
Parece-nos, todavia que a historiografia do século XX, mais disatanciada dos acontecimentos, quando se achavam amortecidas as paixões e cicatrizadas as feridas abertas por cinco anos de guerra civil, está mais próxima da verdade histórica. A Cabanagem foi, realmente, a Revolução Popular da Amazônia, e consequentemente do Brasil, em que o povo chegou ao poder e o exerceu por um período de tempo mais ou menos longo. O caráter insurrecional da Cabanagem fica patente pela presença , no movimento, de elementos de todas as camadas sociais da população paraense, bem como de todas as etnias presentes no Pará – branca, preta, ameríndia ou mestiça. Isso lhe tira o caráter de guerra de raças, ou dos pobres contra os ricos. Em certos momentos, se assemelha a luta de libertação nacional, embora os próprios Cabanos disso não tivessem consciência. Nas lideranças mais preeminentes, destacam-se duas famílias do Rio Acará: os Vinagre e os
Nogueira. Mas, se a primeira era mameluca, a segunda era branca.
Cabanagem não foi uma guerra de raças, tampouco uma luta dos destituídos de bens contra os que possuíam. A Cabanagem foi uma insurreição do povo paraense contra a política do Império Brasileiro: foi o coroamento de uma longa série de rebeliões que, durante muitos anos (1823/1840), sacudiram a Província do Grão-Pará “ (IBS)
Recomendamos também a leitura do livro do historiador gaúcho Décio Freitas (que foi ministro de João Goulart),sobre o tema. E o “DOCUMENTOS INGLESES”, do historiador David Cleary (prefácio de Geraldo Coelho; e tradução de Christine Moore Serrão),SECULT/ IOE-2002.

■ Luiz Lima Barreiros - 28.08.2007 – também já publicado na Revista da Associação Paraense de Escritores,nº8,dez/94.

8/26/2007

Hoje - Dia Municipal do carimbó. Dia de Verequete


Hoje/26, é o Dia Municipal do Carimbó.
Neste dia Augusto Gomes Rodrigues, o nosso Verequete completa 91 anos.
Com exceção da Rádio Cultura FM que desde as seis horas da manhã, de uma em uma hora. falou no assunto, con mini-entrevistas, notas - narradas por Luciene Bandeira - e músicas, ninguém se lembrou da efeméride.
Pelo menos eu não ouvi e nem li nos jornais.
É uma grande injustiça para o nosso artista-popular maior O artista – cantor e compositor -, um dos maiores símbolos vivos de nossa cultura popular, nascido no município de Quatipuru, na região bragantina, praticamente começou a sua trajetória artística há 43 anos aqui em Icoaraci; exatamente na Rua 2 de dezembro, 7ª rua da Vila Sorriso, através de um conjunto de carimbó que se tornou famoso além das fronteiras do Brasil.
Eu fui um dos primeiros a fazer um trabalho com Verequete: uma matéria de página inteira publicada em 1968 na antiga Folha do Norte.
Verequete – grande aniversariante – foi atração de vários blocos carnavalescos de Belém , inclusive o Bole Bole, é considerado pelos estudiosos em folclore como “a maior expressão da cultura popular paraense'", E o seu trabalho ao longo desses oito lustros, após se refazer de uma AVC, além de uma de hérnia e de uma ulceração na perna esquerda, - que o afetou há seis anos e que o impediam de andar normalmente e conseqüentemente trabalhar -, é reconhecido e consagrado pelo público de todas as idades.
Essa situação, contudo, não tirou do Mestre sua imensa vitalidade e a paixão pelo o que mais sabe fazer: música, mais precisamente o carimbó, daquele de raiz, hoje marca registrada do Pará. Já são 11 discos gravados.
Chama Verequete - O seu trabalho cultural e artístico permitiu a realização de um curta metragem com roteiro e direção de Luis Arnaldo Campos e Rogério Parreira – Chama Verequete um dos vencedores do Prêmio Estímulo da Prefeitura Municipal de Belém – FUMBEL (1999).
Alem disso o curta foi premiado nos festivais de cinema de Belém, Curitiba e Florianópolis. No Festival de Gramado de 2001, o filme ganhou o prêmio de “Melhor Música”, com a assinatura do próprio Verequete. Foi o Kikito de Ouro. Chama Verequete, concorreu com outras 135 músicas. O prêmio de Melhor Música da Mostra de Curtas Brasileiros 35 mm de Gramado é o maior já conquistado pelo cinema paraense.
Foram seis dias de filmagem em seis locações que incluíram ruas do Centro Histórico de Belém, Palácio Antonio Lemos, Icoaraci, Casa do Mestre Verequete, Terreiro do Pai Carlinhos, Boate Locomotiva e Outeiro. Mestre Verequete estava em plena forma, participou da maratona de sets com disposição e extrema simpatia com toda a equipe, sendo acompanhado de perto por sua esposa Cenira, e tendo como Assistente exclusiva a jornalista e produtora Solange Campos. O filme foi rodado com equipamento 35 mm da FUNARTE e revelado no Labocine do Rio de Janeiro.
Algo chamou a atenção: as cenas de Icoaraci e Outeiro foram inteiramente produzidas por uma dupla nova, mas de extrema competência: João Inácio e Simone Machado, moradores da Vila. A produção contou com o total apoio da Agência Distrital De Icoaraci e de toda a comunidade. O set foi transformado numa grande festa popular, em plena Travessa São Rocque entre as ruas Padre Julio Maria e Xv de Agosto-, ou simplesmente 3ª e 4ª Ruas, respectivamente.
Justiça – A partir de 12 de junho de 2006 o Governo do Estado começou a pagar uma pensão especial de R$ 900 para Augusto Gomes Rodrigues, o Mestre Verequete, considerado a maior expressão do carimbó na Amazônia. “com a finalidade de proporcionar meios permanentes de auxílio material ao reconhecido músico local, que se notabilizou como mestre do carimbó”, diz o texto da lei, que prevê o reajuste da pensão de acordo com os índices a serem concedidos aos servidores públicos estaduais.
O deputado Joaquim Passarinho (PTB) foi um dos parlamentares que mais comemorou o apoio financeiro do Estado a Verequete. E com toda razão. Afinal, foi o petebista quem sugeriu ao governador Simão Jatene para que apresentasse projeto de lei à Alepa, fixando a pensão especial, que foi aprovado à unanimidade de votos.
Esquecimento – No ano passado nesta data ocorreu um show ao ar livre, na Praça do Carmo, que reuniu diversos artistas paraenses para cantar as músicas do Rei do Carimbó. O show foi a primeira atividade do projeto Verequete: o Rei dos Tambores, realizado pela Associação Amazônica de Difusão Cultural, Social e Ambiental e patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), por meio do projeto Cultura Pará 2006.
E este ano, gente?
O Verequete merece.

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Este blog através de seu redator, colaboradores, acessadores e amigos; e, também, em nome de José Croelhas “sub-prefeito" de Icoaraci e povo da minha Vila Sorriso, cumprimenta Augusto Gomes Rodrigues, - o nosso Verequete – desejando Feliz Aniversário que, juntos, possamos comemorá-lo por muitos anos, com alegria, paz, amor e muita saúde.
Tudo de bom pra você, amigo.

Chama Verequete olêlê, Chama Verequete Olálá.
ESTRELA AZUL

Sete poemas de Alcinéa Cavalcante e um meu

Brasília – Jornalismo é meu ganha pão desde 1975, quando entrei nessa tribo como repórter policial do Jornal do Commercio de Manaus. Atualmente, cubro os labirintos do Congresso Nacional. Quando o miasma que paira na Esplanada se torna sufocante demais, refugio-me no riso de uma criança, em Amadeus Mozart, no anoitecer, nas mulheres que perfumam os corredores do Conjunto Nacional, em Macapá - que guardo no relicário do meu coração -, na minha estante - onde guardo bruxos chineses, diamantes, rosas e Chanel Número 5. Esses ingredientes atuam como se Deus arrumasse a manhã para a mulher mais bonita do mundo passar.
Basta, por hoje, de ratos, de sanguessugas, de carrapatos, de vermes, de protozoários, de politicalha; basta de 14 mil quilômetros quadrados da Amazônia devastados a motosserra e fogo; basta de hipocrisia, de mentira. Devolvam o riso e as flores. Percorri as prateleiras da minha estante e pedi à Alcinéa Cavalcante, que também é jornalista e sabe da minha angústia, que me socorresse, pois ela é um anjo. Então, com a ternura e o carinho de sempre, a poeta me ensinou que apesar do aborto provocado, que apesar do horror da fome, que apesar do pedregulho atirado com toda a força no rosto, apesar da terçadada, apesar do grito de pavor da criança, apesar do político que rouba merenda escolar, apesar do parlamentar que emprega seus parentes com dinheiro público, apesar do trem da alegria em detrimento dos concursados, apesar do assassinato da Amazônia, apesar da censura, há, na estante, bruxos chineses, diamantes, rosas e Chanel Número 5.
Então, a poeta me levou à Estrela Azul e me deu sete poemas. Eu dei a ela, um.

Caneta dourada
A caneta dourada
que tu me deste
naquela tarde
feita de esperanças
guardei-a no baú
onde coleciono
tuas lembranças

É com ela
que escreverei
o poema
do teu regresso

Não sei quando
não sei onde
nem sei se.

Medo

Ah, tia Bil
me ensina a prender
um raio de sol
num laço de fita
porque hoje eu preciso
fazer meu dia maior
Bem maior que o Amazonas
bem maior que a tua grandeza

A verdade, tia Biló,
é que não quero que a noite chegue.

A noite me traz ausências.

Explicação

Vivo do ato de escrever
Sobre tragédias
e espetáculos

sobre o candidato vitorioso
e o derrotado


sobre o deputado corrupto
e o governante que finge
ser honesto

sobre a exportação da mandioca
e a importação da farinha

sobre a fome
e a riqueza
sobre o real
e o dólar.

Perdoa-me, Anjo,
não sobrou tempo
para escrever
um poema de amor.

Agenda

Na segunda-feira
vou quebrar o relógio
rasgar o livro de ponto
jogar fora o celular
e mandar o chefe à merda

Na terça-feira
vou atar uma rede
e embalar meus sonhos

Na quarta-feira
vou acender sorrisos
e regar esperanças

Na quinta-feira
vou plantar borboletas azuis
e colher flores
e estrelas

A partir de sexta-feira
vou viver só de amor
Amor para a vida inteira
e alguns anos mais

Entardecer

Te prometo, Poeta,
que no próximo entardecer
vou pintar um arco-íris
para deixar tua tardezinha
menos triste


Hás de sentir que o entardecer
pode ser tão belo
quanto o alvorecer
que ilumina teu rosto
e abre sorrisos no teu olhar

Presta atenção, Poeta,
esta hora que entristece a tua alma
é o momento solene
no qual Deus apaga o sol
para acender a lua e as estrelas

Principalmente aquela estrela
que tanto te encanta
quando estás
tecendo sonhos
e versos
na madrugada

O olhar que eu quero
Eu quero um olhar
Não o olhar de quem calcula
o espaço da manchete do jornal
que o executivo vai ler apressado
e os políticos de centro,
direita e esquerda
vão discutir
nos gabinetes
nos palácios
nos bares

Eu quero um olhar
que tenha a ternura das manhãs
e a esperança das tardes de dezembro

Meu reino

Ora, se queres me fazer rainha
basta tão pouco.
O meu reino só precisa ter
uma lua amarelinha
uma estrela branca
uma flor
e um beija-flor

Mais nada

Como paga por esses diamantes, rubis e safiras, pincei de Sob o Céu nas Nuvens.

Sensação estranha


Que sensação estranha
Na hora de ser enforcado
Ser salvo e dormir com a princesa.
midiartigo

Consciências inquietas, almas apenadas

josémariaLealpaes (*)

Dom Cláudio Humes, felpudíssimo cardeal brasileiro da cúpula do Vaticano, se abalou de Roma para Brasília a fim de rebatizar a capela do palácio do Alvorada, reformado (?) com contribuições de endinheirados nacionais. E, amigo do homem, comparou o presidente Silva, que desgoverna o Brasil, a Jesus de Nazaré e Francisco de Assis. Ponto. No discurso em que, ao explicar o custo de fugaz paixão, colheu mais dúvidas que semeou verdades, o presidente do senado, Renan Calheiros, classificou como "meu calvário" a geração de um filho no paralelo. Ponto. Executivo e legislativo federais estão a misturar virtudes do céu com derrapagens na terra, vê-se. Melhor talvez tenha andado o judiciário paraense ao instalar capela no opulento palácio dos desembargadores, a sugerir, quem sabe?, um refúgio para consciências inquietas e almas apenadas.

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(*) José Maria Leal Paes (Lalzinho) e jornalista e advogado, competente diga-se de passagem. Um amigo dos tempos escolares que eu não vejo há muitro tempo.
Mais que, sem dúvoda, estará sempre nesse espaço com o seus miniartigos (A.F.)

8/22/2007


SAMU/ÁEREO

O secretário de Saúde Halmélio Sobral informou que, a Secretaria de Saúde começa a distribuir os medicamentos da farmácia básica para todos os municípios do Pará e explicou a proposta de implantar no Estado o sistema Samu/Aéreo para o resgate de pessoas com graves problemas de saúde, nas regiões de difícil acesso. Sobral disse que já está autorizada, pelo Ministério da Saúde, a compra do primeiro helicóptero, que será destinado a Santarém já no início de 2008. Outra idéia é criar as farmácias populares do Estado nos mesmos moldes do governo federal e facilitar o acesso da população às especialidades médicas (regulação) por meio de uma plataforma de tecnologia e informática, onde o município vai marcar a consulta diretamente no hospital regional através da Internet.

MADEIRA NELES

Após a exibição de uma matéria feita pela equipe do “Fantástico”, da Rede Globo, no último domingo/19, com relação aos assentamentos que estão sendo feitos pelo Incra em nossa região, os comentários são diversos em boa parte dos municípios que compõem a região Oeste do Pará. Através de uma matéria investigativa, a população ficou sabendo que o Ministério Público Federal, pediu a suspensão de 99 assentamentos por falta de licença ambiental. Segundo o Procurador da República Felipe Braga, áreas de reforma agrária do Norte estão sendo usadas por madeireiros. “Não é o assentado o grande beneficiado da criação desses assentamentos”, disse o procurador. Na reportagem, dois caminhões carregados de madeira estavam em uma balsa que tinha acabado de atravessar o rio Curuá-Una e seguiam para Santarém. Imagens feitas na manhã seguinte por helicóptero, mostra que a madeira foi apreendida a pouca mais de 20 quilômetros de três novos assentamentos.

MADEIRA NELES II

O assentamento Serra Azul, fica no meio de nada, a cidade mais próxima está a 80 quilômetros, que é Monte Alegre, e está localizado em uma região montanhosa, extremamente distante. No assentamento Santa Clara, existem clareiras, com poucos sinais da presença de gente. “Esse assentamento é inviável, áreas onde não há água, onde não há acesso, áreas inacessíveis”, disse o procurador Felipe Braga. O Ministério Público Federal levanta suspeita sobre a ligação do Incra com madeireiros no Oeste do Pará, para o procurador, o Incra pouco tem feito pela sustentabilidade dos assentamentos, dirigindo suas atividades em benefício do setor madeireiro. O presidente do Incra, Rolf Hackbart, nega a existência de qualquer esquema. "Não há assentamentos fantasmas", afirma. "Assim que tivermos o licenciamento ambiental e o projeto do assentamento definido, as famílias serão assentadas." Presidentes de associações que dizem representar o interesse dos assentados, no Oeste do Pará, também estão sendo investigados pelo Ministério Público. "É o caso de associações que foram criadas pelas próprias empresas madeireiras", explica o procurador Felipe Braga. "E dessas associações nasce a proposta de criação desse assentamento." A reportagem do “Fantástico”, foi tema de pronunciamento do vereador Valdir Matias Jr, líder do Partido Verde, na Câmara Municipal de Santarém, na última segunda-feira/20.

PRESTÍGIO
Antes mesmo de retornar ao Estado, a governadora Ana Júlia Carepa, que estava internada em São Paulo, passou em Brasília, no Palácio do Planalto, para acompanhar a cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Segurança com Cidadania, o Pronasci. Ana Júlia participou também de um jantar com o presidente Lula e os governadores das onze regiões metropolitanas beneficiadas pelo programa. Como a única contrapartida dos governos estaduais é o apoio às 94 ações do Pronasci, a governadora não hesitou em sair do hospital direto para o Palácio. Mais apoio e prestígio, impossível.

ESTADO DO TAPAJÓS

Lamentavelmente, está cada vez mais difícil a criação do Estado do Tapajós.
Em palestra na sede da Associação Comercial do Pará (ACP), o deputado federal Zé Geraldo (PT), afirmou a um grupo de empresários que não é o momento para estabelecer ou acirrar o debate e nem consolidar qualquer discurso sobre a divisão territorial do Pará. 'Não é estratégico, não há clima para consolidar a divisão territorial do Estado como está proposto. Ainda não há compreensão suficiente sobre o assunto e nem consenso tanto pelos que defendem a divisão e pelos que são contra', declarou. Em sua análise sobre a conjuntura política e econômica que o Brasil vive, especialmente o Pará, contemplado com a segunda maior soma de recursos para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o deputado disse que não há nada que o faça pensar na possibilidade de retalhar o Estado. 'As grandes obras de integração, como os portos, a pavimentação das estradas, as eclusas, a política de integração regional do governo do Pará, com presença nos 143 municípios, a decisão política de integrar definitivamente a Amazônia ao restante do Brasil tornam muito difícil essa pretensão, que até poderá ocorrer, mas em um futuro distante ', afirmou.

HIGIENE NO SAIRÉ

A Prefeitura Municipal de Santarém, através da Divisão de Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA), realizou nos dias 22 e 23 de agosto de 2007, no Belo Alter Hotel, em Alter do Chão, um treinamento para manipuladores de alimentos. O público-alvo foram todas as pessoas que venderão alimentos na Vila Balneária, durante a Festa do Sairé. A abertura do treinamento acontece na última quarta feira/22, às 08h da manhã. O treinamento foi ministrado por técnicos da Divisão de Vigilância Sanitária, e aconteceu pela manhã e tarde. Os participantes receberam uma cartilha com diversas orientações sobre a utilização e a conservação dos alimentos, bem como o uso de assessórios pelos manipuladores de alimentos. Ao final do curso, os participantes receberam um certificado e um “Sinal Verde” para poder comercializar seus alimentos durante o Sairé, tanto no Largo dos Botos, como nas praias e estabelecimentos comerciais.
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MOTINHAS
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A Prefeitura de Santarém, através da Secretaria Municipal de Turismo e Integração Regional (SEMTUR), prepara para esta sexta-feira, 24 de agosto, o Lançamento do DVD A Festa de Alter do Chão. O evento será realizado no Terminal Fluvial Turístico de Santarém (TFT), às 20 horas ●●● Na próxima terça-feira/28, estará aniversariando o ilustre vereador José Maria Tapajós, presidente da Câmara Municipal de Santarém. Parabéns com saúde, paz de espírito, sucesso e muitas felicidades. ●●● O prefeito de Belém, Duciomar Costa, desapropriou o prédio que pertenceu a antiga loja Bechara Mattar, na Cidade Velha. Resta saber o que vai ser construído no local. ●●● Rio Norte Veículos, a sua concessionária Chevrolet em Santarém. Av. Mendonça Furtado 3064 Fone (093) 3064 9000.●●● A um ano das eleições municipais, alguns deputados estaduais já articulam participação no pleito, Pelo menos seis deles devem sair candidatos em seus respectivos municípios de origem. A torcida fica por conta dos suplentes.●●● Recebi e agradeço o vídeo clip, via you tube, com a composição musical do meu grande amigo Alex Miranda. Parabéns. ●●● A prefeita de Santarém, Maria do Carmo e o Secretário Municipal de Saúde, Emmanuel Silva, entregaram no último domingo/20, aos moradores de Curuai, região do Lago Grande , um Posto de Saúde revitalizado e um Gabinete Odontológico. ●●● A reforma do Posto de Saúde foi resultado de recursos conseguidos pelo deputado estadual Antônio Rocha (PMDB), com contrapartida da Prefeitura Municipal. ●●● Vereador Henderson Pinto (DEM), enalteceu o entusiasmo do deputado federal Lira Maia (DEM-PA), que está solicitando o apoio de seus pares, com relação a votação do projeto que autoriza a realização do plebiscito para a criação do Estado do Tapajós. ●●● Parabéns e boa sorte ao Tenente Coronel Campos, novo comandante do Comando de Policiamento Regional (CPR 1), com sede em Santarém e jurisdição sobre Monte Alegre e Oriximiná. ●●● Tornearia Morenão. Av. Mendonça Furtado 2943 Fone (093) 3523 2243. ●●● O Creci do Oeste do Pará realiza neste sábado (25),o IV Encontro dos Corretores de Imóveis do Oeste do Pará, com o tema Legislação – Fonte do Corretor de Imóveis nas Negociações Imobiliárias, de 14:00 às 19:20, no Barão Center Hotel, seguido de um jantar dançante na Fan House. Reservas pelo telefone (093) 3522 7899. ●●● Um bom final de semana aos milhares de leitores do Jornal do Feio, em Belém. ●●● Delegado Carlos Mota, continua firme e forte na superintendência da Polícia Civil, combatendo a marginalidade em nossa região. ●●● O vereador Valdir Matias (PV), está preocupado com o Procon em nosso município. O órgão não está intimando quem não está cumprindo a Lei de sua autoria, que determina o tempo de espera em filas. ●●● Louro, uma das lideranças da Praia de Maracanã, se filiou ao DEM, sob as bênçãos de Lira Maia. ●●● Recebi e agradeço o Boletim Informativo, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). ●●● O aniversário do vice-governador Odair Corrêa, que acontece na segunda-feira/27, será festejado neste domingo/26, nas dependências do Clube Recreativo Cearense. Parabéns. ●●● Mais um final de semana, vamos comemorar com a gostosa loira gelada (Nova Schin), a linda ruiva destilada e a bela morena quente. Fui.

Bosque Rodrigues Alves comemora 124 anos


Neste sábado/24, o Jardim Botânico da Amazônia - Bosque Rodrigues Alves comemora 124 anos. Considerado um dos principais cartões-postais da cidade de Belém, o espaço centenário recebe, em média, três mil visitantes por mês. A maioria crianças e estudantes das redes pública e particular de ensino. Com uma área total de 150 mil metros quadrados, o bosque é um pedaço da floresta amazônica literalmente ‘plantado’ no coração da cidade, abrigando mais de 80 mil espécies distribuídas em 15 hectares, dos quais cerca de 80% são compostos de área verde e 20% de edificações e vias de passeio.
O acervo vegetal, aliás, é uma das peculiaridades do Jardim Botânico da Amazônia. É constituído por uma floresta primária de terra firme preservada desde o final do século XIX, representativa da flora regional.
Ao contrário do que muitos pensam as espécies não foram plantadas e sim, cercadas, para que a cidade pudesse desfrutar de um pedaço natural da floresta amazônica. A grande maioria da vegetação é oriunda de mata virgem antiga e algumas plantas exóticas, introduzidas posteriormente.
Além disso, o espaço reúne uma grande diversidade de espécies animais e vegetais característicos deste ecossistema. A fauna é constituída por espécies brasileiras e que também são encontradas na Região Amazônica, abrangendo animais em liberdade, cativeiro e semi-cativeiro. Estas espécies da fauna livre constam de aves, mamíferos, répteis, anfíbios, insetos e moluscos. dentre estas, pode-se observar com facilidade pássaros, beija-flores, cutias, macacos-de-cheiro e, dependendo da época, borboletas.
Neste espaço ocorre um constante trabalho de produção cientifica sobre a flora e fauna, que visa contribuir para o conhecimento da biodiversidade amazônica e o desenvolvimento regional, a partir do estudo sobre a diversidade arbórea do local, que possui cerca de cinco mil árvores, distribuídas em 50 famílias botânicas, quase 200 gêneros e 300 espécies, bem como,trabalhos realizados sobre a fauna ali existente. Tudo isso somado à especificidade de ser um logradouro público, aberto à pessoas de todas as idades, incluindo-se portadores de necessidades especiais (pnes), o que faz do espaço um lugar de intensa integração sócio-ambiental, reunindo as dimensões e campos da ciência, lendas e mitos da Amazônia.
Projetos - esse público (pnes), destaque-se, é alvo de um projeto premiado pelo Top Social 2007, promovido pela Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil – Seção Pará (ADVB-Pa), intitulado 'Jardim Sensorial de Plantas Medicinais', desenvolvido no Jardim Botânico da Amazônia.
Voltado para os deficientes visuais, o projeto permite a leitura das informações de mais de 60 espécies de plantas aromáticas e medicinais por meio da estimulação dos sentidos, especialmente o olfato e tato, oportunizando a diferenciação de texturas e aromas.
Outro projeto premiados é o 'Galera Jogo Limpo', a partir do qual foram criados sete personagens – Edu, Bel, Toque Patoque, Zé Porqueira, Dona Manga Mangabeira, Pitiú e seu Bené Peixe-boi – inspirados na realidade do ‘parauara’, que ensinam de maneira divertida e informativa várias maneiras de cuidar do meio ambiente. O público-alvo são, principalmente, as crianças e adolescentes.
Histórico - o Bosque Rodrigues Alves foi criado em 25 de agosto de 1883, idealizado por José Coelho da Gama, o ‘Barão de Marajó’ - que além de Presidente da Província do Pará, também era geógrafo da Amazônia - com o objetivo de preservar o ambiente natural na área urbana da cidade de Belém. A criação do espaço, inspirado no Bois de Bologne, de Paris, foi por proposta do presidente da Câmara Municipal à época, João Clemente Malcher.
Título - Em julho de 2002, o bosque municipal ganhou status de Jardim Botânico, com base na Resolução 266 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). Com a certificação, o bosque entra na lista dos jardins brasileiros que integram a Botanic Gardens Conservation International (BGCI), rede mundial com 1.846 jardins em 148 países e mais de quatro milhões de coleções de plantas vivas. A conquista do título também facilita a captação de recursos nacionais e internacionais para o desenvolvimento de projetos científicos e de educação ambiental.
Aniversário – Os 124 anos do Jardim Botânico da Amazônia - Bosque Rodrigues Alves serão comemorados pela Prefeitura de Belém, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), com uma extensa programação preparada para o final de semana, sendo que no sábado/25, a entrada é franca.
As celebrações incluem apresentações musicais, declamação de poemas, plantio e distribuição de mudas, trilhas ecológica e sensorial, exposições, filmes, educação ambiental com a galera jogo limpo, feirinha de artesanato, atividade de yoga e teatro. as atividades começam a partir das 9h.
Serviço
O Jardim Botânico da Amazônia - Bosque Rodrigues Alves está localizado na Avenida Almirante Barroso, 2453 - Bairro do marco. Horário de visitação: de terça a domingo, das 8h às 17h. Mais informações pelos fones (91) 3276-2308 / 3276-0147. ou no endereço eletrônico http://www.belem.pa.gov.br/semma/bosque/index.htm.

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Adna Figueira

8/18/2007

Presença de Luiz Lima Barreiros


Hebreus no Pará

D
epois do catolicismo, foi o judaísmo a primeira religião introduzida no Pará, em termos institucionais (culto organizado e regular). Suas primeiras casas de orações datam do decênio da Independência (em 1823 e 1826: origem das duas atuais sinagogas,a da Rua Campos Sales e da Arcipreste M.Teodoro; a terceira, da Serzedelo é mais recente e para grupo fundamentalista)
As Ordenações do Reino e a Constituição Imperial (artigo 5º),eram rigorosas contra os “cristãos novos”, que vieram para o Brasil, desde as primeiras expedições. Eles não podiam exercer cargos eletivos, nem construírem sinagogas,etc : o catolicismo era a religião oficial. Alguns já vinham fugidos da tal de Santa Inquisição portuguesa, como bem lembrou o falecido professor Eidorfe Moreira, sobre o qual falaremos no final.
Os israelitas do Pará são maciçamente sefarditas, isto é, pertenciam ao ramo mediterrâneo (Serfadim); havendo poucas famílias de origem asquenazitas, quer dizer, do ramo nórdico ou teuto-eslavo (Asquenazim) .
Marrocos foi a principal fonte de irradiação hebraica para o Pará e à Amazônia. Com a evacuação da cidade marroquina de Mazagão , praça portuguesa sitiada pelos mouros, em 1768, foram seus habitantes transferidos para a Amazônia, onde fundaram a cidade de Nova Magazão, no Amapá, então pertencente ao Grão –Pará. (Há uma hipótese da vinda de judeus à América, junto com fenícios, pré-cabralina – o próprio nome do Rio Solimões (Alto Amazonas), seria uma corruptela de rei Salomão.
Em 1842, surgiu o primeiro cemitério hebraico, em Belém do Pará, anterior ao Cemitério da Soledade, que lhe fica em frente,na Avenida Serzedelo Correa. A primeira revista judaica fundada no Pará foi “A Coluna” (1916) por David José Perez, considerado o primeiro periódico judaico, fundado no Brasil. Houve depois, dois jornais hebraicos, no Pará: “A Voz de Israel” (1918),de Eliezer Levy, e “A Verdade” (1922), de propriedade de Pepe Larrat, e dirigido por Abraham Benoliel. Tinham títulos em caracteres hebraicos, mas eram escritos em português.
José Benemérito Cohen (outra lacuna dos autores do livro “Introdução à Literatura no Pará”, em oito volumes, da Academia Paraense de Letras, editada pelo CEJUP, de Gêngis Freire) foi o primeiro poeta de origem judaica, no Pará. Seu livro chama-se “Saltério”, ciotado por Eustáquio de Azevedo (1867/ 1943), no seu “Literatura Paraense” (1921, e a segunda edição, em 1943; foi prefaciado por Remígio Fernandez, e incluiu uma tradução do original hebraico do “Cântico dos Cânticos”. Ao poeta Cohen também se deve o livro “Através do Marrocos” (um relato de viagens , feito pelo próprio, através desse país, que tem sua contribuição demográfica para a formação da Amazônia). Nossos cronistas da História, deveriam estar mais atentos. A romancista Sultana Levy Rossemblat, hoje residente nos U.S.A, publicou “Uma Grande Mancha de Sol” (1951) e “Chavito Pietro” (1957).
O médico e estudioso de literatura, Elias Dahan, editou nos anos 80,um jornal da comunidade israelita, e podia nos fornecer mais informações sobre estes fatos. Tenho dito.


EIDORFE MOREIRA

O professor Eidorfe Moreira nasceu na Paraíba (30.07.1912),chegando a nossa querida Belém , com menos de dois anos de idade,onde faleceu à 02.01.1989. Legando ao país, vasta obra, tendo sido talvez, o maior ensaísta do Pará, até hoje.
Lamentamos que as visão filosófica do mundo, tenha estancado no filósofo Immanuel Kant. Seus livros estavam esgotados , e foram reunidos na totalidade, graças à iniciativa do Conselho Estadual de Cultura, da Seduc, nos anos 80, e da primorosa edição da extinta Graficentro do CEJUP,em 1990, em oito volumes.
A nova geração poderá ler trabalhos de fôlego, abalisados em sérias pesquisas (como faz o historiador Vicente Sales),tais como:
Conceito de Amazônia (1958), Belém e sua Expressão Geográfica (1966), Roteiro Bibliográfico do Marajó (1969), Presença do Mar na Literatura Brasileira (1962), Os Sermões que o Padre Vieira Pregou no Pará (1970), O Livro Didático Paraense (1979), O s Igapós e seu Aproveitamento (1976), Amazônia: o Conceito e a Paisagem(1960). O mundo intelectual paraense, e os estudiosos da Amazônia, devem ler e festejar esta edição, de nosso melhor filósofo da geografia.

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LUIZ LIMA BARREIROS - 18.08.2007

Parabéns, DUDU!

Foto: João Gomes


O Jornal do Feio, o seu redator, colaboradores e amigos sentem-se felizes em cumprimentar o Bacharel Duciomar Gomes da Costa, Prefeito Municipal de Belém, pelo transcurso do seu aniversário natalício, augurando votos de felicidades, longa vida e uma excelente administração.
A nossa cidade, Santa Maria de Belém do Grão do Pará necessita muito da sua atenção, do seu carinho e do seu amor, hoje, amanhã e sempre.
Belém, mesmo sabendo que o seu tutor é de Tracuateua da Ponta, perto de Bragança, já o adotou com o filho e nós como irmãos.


Parabéns, mano DUDU.

HISTÓRIA


Pará seria independente do Brasil


Brasília – Os paraenses gozam feriado em 15 de agosto. Nessa data, em 1823, a Província do Grão-Pará aderiu à independência do Brasil da coroa portuguesa. Mas se trata de um desses registros históricos ambíguos. A propósito, lembro que minha formação escolar e acadêmica se passou praticamente toda durante a Ditadura dos Generais, longos 21 anos, de 1964 a 1985. Essas duas décadas e um ano foram tenebrosas para a Educação e atrofiadoras da liberdade de pensamento dos estudantes da época. Contudo, a historiografia brasileira ainda navega entre brumas; ensina-se, por exemplo, que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, em 1500, quando, o que houve, foi um marco para o início da colonização, ou exploração do novo continente, de parte do império português, que vivia sua glória.Voltemos à adesão do Grão Pará à Independência. Em 1823, Dom Pedro I, imperador do Brasil, ordenou ao almirante John Grenfell que obrigasse as províncias que não aderiram à independência do Brasil a reconhecê-la. Em Belém, Grenfell armou um ardil para convencer os governantes a aceitar a adesão ao Brasil, convencendo-os de que havia uma esquadra ancorada em Salinas pronta para bloquear o acesso ao porto de Belém, isolando o Grão-Pará de Portugal.
Contudo, segundo a historiadora Magda Ricci, o Pará continuou sob a tutela dos portugueses: “Pouca coisa mudou no Pará após a adesão. Os portugueses continuaram no poder e os paraenses sem espaço nenhum no novo governo. Daí surge a revolta do Brigue Palhaço, na qual os revoltosos com a situação do estado são confinados no porão de um navio e morrem de asfixia. E foi através de episódios como esse que se deu a adesão do Pará”.
João Lúcio Mazzini, historiador: “Essa independência foi negociada sem nenhum benefício para nós. No século XIX, o Grão-Pará era um país à parte dentro do Brasil, pois operava com uma taxação alfandegária diferente e se reportava diretamente a Portugal e não ao Rio de Janeiro, que era a sede do império em nosso país. Essa foi uma forma de se preservar o estado da cobiça dos franceses e holandeses, já que era mais fácil tomar decisões se comunicando direto com Portugal sem passar pelo Rio. Então, com a adesão, passamos apenas de colônia européia para colônia brasileira, controlados por um governo que sequer tinha estrutura para cuidar de um país tão grande como o nosso”.
Para João Lúcio Mazzini, caso a adesão do Pará não tivesse acontecido, provavelmente teria se transformado em um país independente: “Já existiam muitos movimentos aqui pedindo a independência do estado. E se a gente não tivesse aderido e continuasse ligado a Portugal provavelmente haveria um processo de independência que levaria o Pará a se tornar um país. Então, é possível que hoje ele fizesse parte de uma espécie de reino unido brasileiro”.
Com efeito, entre 1835 e 1840, a Província do Grão-Pará explodiu em sangrento movimento independentista, a Cabanagem. Desde a emancipação política do Brasil, em 1822, que o Grão-Pará vivia um clima agitado. Isolado do império brasileiro, era mais ligado a Portugal. Declarada a Independência, a província só foi reconhecê-la em agosto de 1823. A Independência não provocara mudanças na estrutura econômica nem modificara as condições em que vivia a maior parte da população da região - índios, negros forros e escravos, e mestiços. Viviam miseravelmente.
Em janeiro de 1835, os cabanos dominaram Belém e executaram o governador, Lobo de Sousa, e outras autoridades. O primeiro governo cabano foi entregue ao fazendeiro Félix Antonio Malcher, que jurou fidelidade ao Imperador. Foi também executado e substituído por Francisco Vinagre. O Governo Regencial retomou Belém. Eduardo Angelim assumiu a liderança dos cabanos, mas a guerra já estava perdida para eles.
Os portugueses continuaram mandando no Estado do Pará, até a década de 1970. Navios, um atrás do outro, ainda saíam carregados de madeira de lei e essências pelo rio Amazonas rumo a Portugal, à luz do sol da Linha Imaginária do Equador, e a colônia portuguesa era dona dos armazéns do porto de Belém, única porta de entrada de cargas na capital, e ditava os preços das mercadoras. Com a abertura da Belém-Brasília, isso acabou.
Hoje, resta-nos, na mais interessante cidade do mundo, Belém, o tu português, os saborosos pães fabricados pela colônia portuguesa e as portuguesinhas – lindas descendentes dos lusitanos, falando com o belo sotaque belenense e senhoras da sensualidade que só o clima equatorial é capaz de produzir.

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Cortesia do site ABC Politiko

8/16/2007


Thompson Mota, nasceu em Belém em 14 de janeiro de 1951.
Radialista, Jornalista e Publicitário, em 1976 criou os jornais do Motorista, Peladeiro e Belém News, trabalhou nas ORM (Rádio e TV Liberal), diretor comercial e apresentador das Rádios Clube do Pará, Antena 1 e Marajoara, trabalhou na TV Guajará (Thompson Sem Censura), TVS ( Jornal local e Sessão Premiada), em 1982 foi eleito vereador em Belém, obtendo a 4ª maior votação (autor do projeto que criou a Guarda Municipal de Belém).
Reside em Santarém há sete anos, trabalha na Rádio Rural de Santarém, escreve para os Jornais O Impacto, Correio Popular e A Cidade e, agora, inicia a sua colaboração para o Jornal do Feio.
Seja bem-vindo, Thompson (A.F.)


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CANCELAMENTO
O Ministério Público Federal de Santarém prepara uma ação na Justiça para forçar o Incra a cancelar todos os decretos que criaram assentamentos na região da BR-163 em 2006. Foram 46. Nenhum deles tem licença ambiental. O superintendente do Incra em Santarém, Pedro Santana, realizará uma audiência pública em Novo Progresso para debater a Instrução Normativa 41, publicada em junho, que regulamenta a regularização de posses.
JURUTIPassa de 3.500 o número de empregados nas obras da Alcoa em Juruti. Cerca de 42,6% são moradores do próprio município. Os números são resultado de uma política de valorização da mão-de-obra local combinada com um grande projeto de formação profissional.Em um ano, mais de mil pessoas concluíram o Programa de Qualificação Profissional do Senai em diversos cursos. Muitos trabalham no empreendimento, inclusive em cargos de supervisão.

TEMPLE
Há nove anos atuando no mercado de Comunicação Empresarial no Pará, a Temple Comunicação acaba de lançar seu novo site, no endereço www.temple.com.br. O espaço foi totalmente reformulado para apresentar aos visitantes a nova cara da agência, que, além de atuar em todas as regiões do Estado e Brasil afora, agora tem, entre seus produtos, a publicidade institucional. Aqui em Santarém, a Temple funciona na Trav. 15 de Agosto No. 20 Sala 307 Centro Fone/Fax (093) 3523 5321.

CONVÊNIO
O Sebrae, através de seu superintendente, Hildegardo Nunes, e o Instituto Criança Vida celebraram convênio para o financiamento e participação da entidade no projeto Timbres da Amazônia. O projeto tem parceria do Criança Vida, da Empreenda, da UFPA e agora do Sebrae, além da Escola Salesiana do Trabalho. Falando ainda de Sebrae, Hildegardo Nunes, acompanhará a governadora Ana Júlia Carepa a Paris, de 5 a 7 de setembro, no 2º Salon Du Bresil a Paris, no Lê Palais dês Congres.

PLENÁRIA
A Prefeitura Municipal de Santarém, através da Secretaria Municipal de Transporte Público e Trânsito (SMT), está convocando os representantes das entidades que congregam estudantes, organizações de moradores, movimentos sociais, portadores de deficiência e com necessidades especiais, trabalhadores rurais, mulheres, movimentos étnico-sociais, idosos, militares e agentes prisionais para participarem da Plenária de Usuários do Transporte Coletivo Urbano que será realizada no dia 25 de agosto, a partir das 08 horas, na Casa de Cultura. A reunião também pretende escolher os oito membros, representantes do segmento de usuários, para composição do Conselho Municipal de Transporte.

SEMANA DA PÁTRIA
Na última segunda-feira (13), a Secretaria Municipal de Educação reuniu com instituições militares, secretarias parceiras e 5ª Unidade Regional de Ensino para discutir sobre a organização da Semana da Pátria 2007. O encontro aconteceu no prédio da SEMED. Além da URE, participaram SMT, ISAM, SEMSA, SEMINF, PM, Corpo de Bombeiros, Delegacia Fluvial e 8º BEC. Na quinta-feira (16), foi realizada uma reunião com todos os diretores das escolas municipais (zona urbana), estaduais e particulares para o sorteio da ordem dos desfiles que acontecem de 1º a 7 de setembro. Segundo a Secretária Municipal de Educação, está tudo definido para o grande desfile, que este ano, vai superar todas as expectativas.
ASFALTOO trecho da Avenida Anysio Chaves (em frente à Prefeitura e à Câmara de Vereadores) que está em obras, começou a ser preparado para receber asfaltamento. Na segunda-feira (13), a equipe que está à frente dos serviços, começou o asfaltamento durante o período da tarde para que a obra fique pronta até o final desta semana. Receberá pavimentação asfáltica o trecho compreendido entre a Avenida Sérgio Henn e Travessa Sorriso de Maria (via que passa ao lado da Câmara de Vereadores), e que também vai ser pavimentada, no perímetro entre a Avenida Anysio Chaves e a Rosa Vermelha. Nesta obra, estão sendo investidos R$ 195 mil em recursos do Governo Federal. O Governo Municipal entra com contrapartida de 10% desse valor.

CHUMBO GROSSO
O Ministério das Comunicações decidiu recadastrar todas as emissoras comerciais de rádio e televisão do País. Uma portaria publicada no Diário Oficial da União, dá 60 dias de prazo para as empresas detentoras da concessão apresentarem ao Ministério dados da composição acionária e de seus diretores. A medida vai envolver cerca de 5 mil emissoras, entre geradoras de TV e rádios AM, FM, ondas curtas e ondas tropicais.
A idéia é formar um banco de dados atualizado sobre a radiodifusão. O recadastramento, segundo a assessoria, faz parte de um processo de modernização do ministério que já vem sendo implantado há alguns meses. Estima-se que haja cerca de 70 mil processos nos arquivos das Comunicações, seja de emissoras já autorizadas ou de pedidos de novas outorgas. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, já manifestou a intenção de digitalizar todo o sistema, mas para isso é necessário um investimento de R$ 15 milhões, dinheiro que não está disponível. Com a determinação, vem chumbo grosso em cima de muitos políticos, que detêm concessões de emissoras de Rádio e TV, conseguidas nas coxas.

MOTINHAS
A partir de hoje, a nossa coluna passa a ser publicada simultaneamente, no jornal eletrônico do amigo Aldemyr Feio, que circula na capital do Estado. Feio é um grande jornalista e velho amigo, que trabalha na Assessoria de Comunicação do prefeito de Belém, Duciomar Costa. ●●● Registro com pesar o falecimento da Sra. Adalgiza Modesto Tourão, ocorrido no Estado de São Paulo, genitora da competente delegada da Policia Civil, minha amiga Marlize Tourão. Receba meus sinceros sentimentos. ●●● A Assembléia Legislativa do Amazonas, realizou na última sexta-feira (10), uma audiência pública para discutir a criação do Estado do Tapajós. Participaram do evento os santarenos, professor da UFPa, Edvaldo Bernardo, vereador Reginaldo Campos (PSB) e o vice-governador do Pará, Odair Corrêa, que atendeu ao convite do deputado Sinésio Campos, líder do PT, autor da proposição. ●●● Deputado federal Lira Maia (DEM-PA), acredita que o projeto que prevê a criação do Estado do Tapajós, pode entrar na pauta de votação, a qualquer momento no Congresso Nacional. ●●● A Secretaria Municipal de Saúde de Santarém (Semsa), contratou quatro novas enfermeiras para atuar nas comunidades de Vila do Boim (Rio Tapajós), Santana do Ituqui (região de Várzea), São Pedro (Rio Arapiuns) e Arapixuna (Rio Amazonas). Além da enfermeiras, a Semsa contratou ainda uma técnica em enfermagem para atuar na comunidade de Cabeça D”Onça, região de Várzea. ●●● Nesta sexta-feira/17), a Semsa, através da Divisão de Vigilância em Saúde (Divisa), realiza em Alter do Chão, na Escola Antônio de Sousa Pedroso, a partir de 07:30 horas, Atividades de Educação em Saúde, com palestras sobre Calazar e Dengue. A programação encerra no último dia do mês (31), com várias atividades durante o dia e noite, na Praça Central de Alter do Chão. ●●● Rio Norte Veículos, a sua concessionária Chevrolet em Santarém – Av. Mendonça Furtado 3064 Fone (093) 3064 9000. Procure o jovem e competente diretor, Luiz Barros de Sá. ●●● Nesta sexta-feira (17), a pedida é o Fluminense, com o lançamento do novo CD de Neuton Pantoja, participação especial da Banda Stylos (Delson, Caetano e Cristina). Imperdível. ●●● O presidente da Câmara Municipal de Santarém, vereador José Maria Tapajós (PMDB), está dirigindo os trabalhos legislativos com muito equilíbrio, e ao mesmo tempo, atendendo os interesses das comunidades em seu gabinete. ●●● O Incra realiza neste mês duas audiências públicas, no dia 22 em Altamira e 23 em Novo Progresso, para tratar da regularização fundiária no Oeste do Pará. ●●● O vereador Henderson Pinto (DEM), foi o orador oficial da Câmara Municipal de Santarém, na Sessão Especial, na última terça-feira (14), em homenagem aos 35 anos de existência da ULBRA. XX O feriado da última quarta (15), Adesão do Pará à Independência, contrariou muitos enforcadores. O feriado bem que poderia ter sido na sexta. ●●● Tornearia Morenão – Av. Mendonça Furtado 2943 – Fone (093) 3523 2243, é o mais novo anunciante do Programa ROTA 2007, na Rádio Rural. ●●● Na próxima terça-feira (21), é o aniversário do meu grande amigo Valber Xavier, Procurador Jurídico do Detran, em nossa região. Parabéns com muita saúde, paz de espírito e felicidades. ●●● Vamos comemorar neste final de semana, com a saborosa loira gelada (Nova Schin), a gostosa ruiva destilada e a bela morena quente. Fui.

8/15/2007

Recordações da infância


(Especial para o Jornal do Feio)

F
ala, Aldemyr:
ocê sabe que eu não sou jornalista, e nunca fui um bom contador de história, mas vou falar alguma coisa referente a minha infância, dos 5 aos aos 20 anos, de 1956 a 1970, no bairro de Indianópolis (Sampa), hoje Planalto Paulista, na Alameda dos Guainumbis, quase esquina com a Ciro. Aliás, a maioria das ruas tinham nomes indigenas, Aratãs, Araes, Irerê, Jurucê etc. O bairro é bem próximo ao Aeroporto de Congonhas, mas na época não existiam prédios, sómente casas, e muita área verde. Os colégios públicos eram os melhores, além do primário era necessário fazer um curso de admissão, prestar um vestibulinho, para poder cursar o ginásio.
Não existia metrô, andávamos de onibus e até de bonde, não existiam shoppings, íamos passear no Parque Ibirapuera ou tomar um café no Aeroporto de Congonhas, a praia dos paulistanos.
Éramos felizes e não sabíamos.
Nada de telefones celulares, internet, quando muito tínhamos um radinho de pilha,e muita conversa, brincadeiras de rua, e alimentação saudável. Tínhamos a nossa turminha e nos reuníamos freqüentemente para atividades característica da época, tais como rachar um tijolo (Sorvete), jogavamos bola nos campinhos, colhiamos frutas das árvores, no pomar do Hospital da Cruz Vermelha, gentilmente cedidas pelas irmãs. Nos fins de semana ficávamos do lado de fora do clube Sírio, esperando sobrar uma bolinha de tenis, para jogarmos taco.
Domingo íamos na TV Record – que ficava perto - assistir ao Circo do Arrelia às 13:00 hs e depois aguardávamos até as 18:00 hs para assistir a Gincana Kibon. Até surgir a Jovem Guarda em 65, e logo após o imperdível Perdidos no Espaço.
Ufa!!!
Estudei com a Beta, irmã do Júlio Cruz, que se tornou um médico renomado, meu amigo, onde atuamos juntos no Tribunal Infantil, programa da Record comandado pelo Durval de Souza.
Com referência aos bailinhos, dancávamos Ray Conniff, músicas do Paul Anka, Neil Sedaka, Elvis, Johnny Rivers e a música mais esperada "Je T'Aime". Tomando muita Cuba, mascando chicletes, luz estroboscópica, e a luz negra realçando as nossas roupas brancas.
E os nossos vizinhos famosos?
Izaura Garcia, Jair Rodrigues, Carlos Gonzaga (Por onde andará seu filho Osvaldinho?) e o canhotinha de ouro Gerson.Falando no aeroporto, era a nossa praia. Tomávamos café, paquerávamos, e volta e meia entrávamos de bico nos bailes de formatura no salão de festas.Ficávamos eu, Marcelo e o Wilson ouvindo música na garagem da casa do Zé Botina,ou de bobeira na esquina da Ciro com a Guainumbis, jogando conversa fora.
As festas juninas eram inesquecíveis, principalmente as quermesses no Levy e Igreja Nossa Senhora de Lourdes. Além das fogueiras, fogos, e balões. Corri muito atrás de balões, juntamente com meus amigos Carlos Santoro (Gordo), Ernesto e Roberto (Nene).
É muita saudade!!! Bicho!
Segue uma foto: eu, Marcelo e Wilson, meus amigos de 1967... agora caras maduro...e a Fátima - minha muilher - no mês de julho de 2007.

Ricardo Uchoa Rodrigues, de São Paulo

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Ricardo é engenheiro metalurgico, são paulino doente e meu irmão.

8/12/2007

Meu amigo... Meu Pai!


Algumas palavras, algumas ações decorrente de conduta e de comportamento me fazem derramar lágrimas e me provocam uma dor na garganta para ter que conter o meu choro e a minha saudade do meu Pai.

Ele foi o meu melhor amigo, o amigo que tive e que muitas vezes eu não percebia. O amigo que me fazia brigar com Ele apenas para que Ele não bebesse nada de álcool.

O amigo que eu nunca mais vou ver!

O amigo pelo qual eu vou continuar me esforçando para manter honrado o nome que Ele me deixou.

O Amigo que me ensinou, muitas vezes, que os meus filhos devem ter para mim o mesmo significado que eu tive para Ele.

Um amigo que Deus levou para junto Dele, mas que o deixou no meu coração.

Um amigo que me ensinou o verdadeiro significado do arrependimento.

Um amigo que se foi e que levou parte de mim com Ele, mas que deixou parte Dele comigo e em mim.

Que deixou amor no meu coração.

Que deixou um ensinamento que me leva ao caminho sagrado da paciência, da razão, da perseverança, da probidade, da honra e da necessidade de me esforçar para continuar sendo o que Ele mais me desejou... Um amigo que desejou que eu sempre fosse feliz.

Em, 12 de março de 2006.


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Jorge Dorival Torres Benigno

8/11/2007

Presença de Luiz Lima Barreiros


MALTHUS AGAIN

Quem por primeiro se interessou, mais seriamente, pelo problema da superpopulação da Terra, foi o inglês Thomas Malthus (1766/1834), cuja teoria afirmava que o limite máximo de crescimento da população humana, é proporcional à quantidade de recursos alimentícios disponíveis ou produzidos. Em suas próprias palavras: "quando não controlada, a população cresce em progressão geométrica; e, a subsistência cresce apenas, em proporção aritmética"
Embora contestada em muitos pontos (o avanço das técnicas agrícolas foi enorme), até hoje a tese serve como referência e advertência.
Quase um século depois de Malthus, o naturalista Charles Darwin (1809/1882), autor do célebre livro "A Origem das Espécies", de 1859 (o romance realista "Madame Bovary", de Gustave Flaubert, é de 1857, e o "O Amante de Lady Chaterley", de D.H. Lawrence,de 1928, cuja personagem Constance é bem mais interessante, na minha opinião, de que Emma Bovary).
Malthus acrescentou: "o homem tende a crescer em proporção maior que seus meios de subsistência; por conseqüência, é ocasionalmente sujeito a uma dura luta pela existência".
No dia 01/07/1858, outro naturalista inglês, que deve ser sempre homenageado, Alfred Russel Wallace, apresentou em Londres, sua tese "Sobre a Tendência das Espécies se
Afastarem Indefinidamente do Tipo Original". E, nesta mesma tarde, Darwin leu em público "A Origem das Espécies pela Seleção Natural". Textos similares, pois ambam pesquisavam o importante assunto, para desmascarar fantasias seculares.
Ambos estiveram no Brasil. Mas, só Wallace, juntamente com Henry Walter Bastos, em Belém do Pará (1850), e ambos subiram o rio Amazonas, estudando nossa biodiversidade.
E, não esqueçamos que o abade austríaco Gregor Johan Mendel (1822/1884) foi o fundador da genética, ao cruzar ervilhas de características diferentes. Pois, esse negócio de clonagem não começou hoje, não...
Em 1968, Paul Ehrlich, com seu livro "The Population Boom" (A Explosão Populacional), assustou o mundo. O debate foi acirrado, mos meios acadêmicos. Alguns especialistas, em 1970, reunidos no Clube de Roma, previram verdadeiras catástrofes para os países do tal de Terceiro Mundo, recomendando a urgente limitação da natalidade. E, continuam sem resposta, as seguintes questões: o que fazer para alimentar um mundo com o dobro da população, e qual a densidade populacional máxima dos diferentes territórios?
Agora, em 1995, uma equipe da Universidade de Cornell (USA), concluiu que a Terra só tem tem condições de suportar mais dois bilhões de pessoas (aos seus quase oito), com o mesmo padrão de vida dos países desenvolvidos.
Lamentavelmente, em novembro de 1997, durante a Conferência do Cairo (FAO/ONU) sobre o tema , o Vaticano e os xiitas do Irã, estiveram unidos, tentando boicotar a reunião.
E, um científico, democrático, ecumênico e amplamente debatido, controle da natalidade é necessário.
Para que tipo de felicidade, ou para que escusas manobras
servirão tantos famintos subnutridos, na Terra ?
Deixando de lado falsos moralismos (ou otimismos fantasiosos, do tipo de que "tudo vai dar certo"), é preciso optar, com urgência, entre uma tétrica ratoeira humana ou uma feliz
Espaçonave Terra !

LUIZ LIMA BARREIROS
10.08.2007


MANAUS-PORTO VELHO

Eduardo Braga defende ferrovias na Amazônia

Brasília – Líder amazônida de expressão internacional, pela gestão talentosa que realiza no estado do Amazonas, por meio do desenvolvimento sustentável, o governador Eduardo Braga (PMDB) confirmou a este repórter que a BR-319, a rodovia Manaus-Porto Velho, deverá ser transformada em ferrovia. Essa estrada federal foi construída durante o regime militar, a um custo louco, e abandonada. Quarta-feira 8, Eduardo Braga participou de audiência pública - sobre mudanças climáticas e conservação ambiental, e o sistema de florestas do estado do Amazonas - nas comissões da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Lá, entrevistei Eduardo Braga; seu secretário de Meio Ambiente, Virgílio Viana; e a reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Marilene Corrêa.
A ferrovia Manaus-Porto Velho vai sair mesmo? – perguntei ao governador.
“Eu não sei se vai sair, mas eu defendo...” – respondeu.O senhor defende a substituição de rodovias por ferrovias, na Amazônia? – perguntei.
“Eu defendo, mas não todas, porque nem todas têm força econômica para isso; mas eu acho que nós podemos ter a substituição de algumas rodovias por ferrovias” – retorquiu.
A substituição da Manaus-Porto Velho por ferrovia é apenas uma idéia ou é algo que o governador pretende realmente executar? – perguntara ao secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Virgílio Viana.
Resposta: “A construção de uma ferrovia que ligaria o Amazonas ao resto do Brasil é uma iniciativa importante; ferrovia pode ser uma solução com muito menos impacto ambiental e com grande viabilidade econômica. Isso está sendo estudado pelo governo do estado, com apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Fundação Getúlio Vargas”.
Opinião da reitora da Universidade do Estado do Amazonas e ex-secretária de Ciência e Tecnologia do estado, Marilene Corrêa: “Eu tinha a opinião de que a estrada deveria ser recuperada, mas eu vejo que tem sido bastante difundida e tido uma aceitação muito grande por inúmeros interlocutores a questão da ferrovia; eu tenho a impressão que a ferrovia se viabiliza mais, política e tecnicamente, do que a própria rodovia, é possível que isso seja mais executável do que a própria estrada”.
Quinta-feira 9, a Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional realizou audiência pública para tratar sobre a inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do projeto Brasil Central, de construção de três ramais da sonhada Ferrovia Norte-Sul: Açailândia (MA)-Belém (PA); Miracema (TO)-Lucas do Rio Verde (MT); e Balsas (MA)-Eliseu Martins (PI). O projeto Brasil Central é elaborado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com conclusão prevista para 31 de agosto.
O diretor da ANTT e um dos pais do Brasil Central, Gregório Rabêlo, afirmou na audiência que as características da economia brasileira demandam ferrovias, e que se faz necessária a construção de 3 a 4 mil quilômetros de ferrovias, no Brasil, por ano! Ele informou que os produtos agrícolas de Mato Grosso, por exemplo, precisam percorrer 2,6 mil quilômetros de rodovias até o porto de Paranaguá (PR) - gasto de 50% da produção só com transporte.
O projeto Brasil Central facilitará o transporte de grãos produzidos no Brasil para os Estados Unidos, Europa, Ásia e Argentina; cobre 11 estados e 2 mil municípios, área responsável pela produção de 60% dos grãos do país. A malha ferroviária prevista no projeto será interligada ao sistema rodoviário e a hidrovias.


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Cortesia do site ABC Politiko

8/07/2007

A caça ao poder no Pará


Os Maiorana e os Barbalho estão em nova rodada de escaramuças. Desta vez não é apenas por motivos políticos: as razões comerciais se tornaram mais fortes. Agora, o grupo Liberal já não é o único dono das comunicações no Pará. A situação mudou de vez ou pode reverter? É o que está por trás da nova temporada de acusações.
Os Maiorana e os Barbalho estão em nova rodada de escaramuças. Desta vez não é apenas por motivos políticos: as razões comerciais se tornaram mais fortes. Agora, o grupo Liberal já não é o único dono das comunicações no Pará. A situação mudou de vez ou pode reverter? É o que está por trás da nova temporada de acusações.
Começou e está em pleno curso uma nova temporada de caça entre os Maiorana e os Barbalho, que dividem – e disputam – o controle das comunicações no Pará. Desta vez, a declaração de guerra partiu do grupo Liberal. Uma sucessão de matérias foi desencadeada a partir do dia 16, quando o jornal O Liberal noticiou, com grande destaque, a proposição de uma ação civil pública em Brasília. O Ministério Público do Distrito Federal requereu a extinção da concessão feita à TV RBA e a realização
Os Maiorana e de uma nova concorrência para o canal 13 de televisão. Alegou que a transferência da concessão para o Sistema Clube do Pará de Comunicação, como forma de contornar o impedimento à renovação, por causa dos débitos da RBA junto ao governo federal, violava os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade. A ação tramita perante a 1ª vara da justiça federal em Brasília. Se a liminar requerida pelo MPF não for concedida, o processo deverá seguir a instrução regular, com provas e contra-provas, alegações e contraditas. Enquanto isso, será mantido o status quo: a Rádio Clube, como sucessora da RBA, continuará a usufruir do canal 13, cuja concessão foi renovada pelo Ministério das Comunicações, graças à renegociação do seu débito, principalmente previdenciário. A dívida seria de 80 milhões de reais, segundo o grupo Liberal, ou de um valor "infinitamente menor", de acordo com a RBA, que não se referiu a números na nota que divulgou.Enquanto a questão fica à espera de uma definição judicial, a opinião pública, acostumada a essas escaramuças sazonais, se pergunta pela motivação real por trás do reaquecimento das denúncias do grupo Liberal. Elas visam o principal inimigo e concorrente dos Maiorana, o deputado federal Jader Barbalho, sócio-cotista tanto da RBA quanto da Rádio Clube (e por isso, independentemente do aspecto legal referente à renovação da concessão, responsável solidário pela quitação do débito, numa como noutra empresa).


Rosas e espinhos


O incidente em torno do canal, embora tenha seu significado intrínseco e constitua assunto de real eresse público, serviu de pretexto para uma nova onda de ataques contra o líder do PMDB no Pará. Há dois componentes no contencioso, o comercial e o político. O comercial foi agravado pelo enfraquecimento empresarial do grupo Liberal e a ascensão do grupo RBA, com destaque para a área do jornalismo impresso, no qual começa a assumir a liderança, pondo fim à hegemonia quase absoluta do jornal O Liberal. A queda de faturamento fez os Maiorana investir com maior agressividade sobre o ponto vulnerável do concorrente: a figura polêmica do seu dono, o político Jader Barbalho.

Há o nítido esforço para destacá-lo, não só explorando seus pontos fracos, especialmente o uso de verbas públicas, como tentando, por meio dele, atingir sua principal aliada política no Estado, a governadora Ana Júlia Carepa. No mesmo movimento em que voltaram as críticas contundentes a Jader, brotaram elogios e mais elogios a Ana Júlia, além de notas curtas e venenosas sobre um desentendimento crescente entre o PT e o PMDB.

As relações entre os dois partidos nunca foram pacíficas e naturais: há suspeitas, animosidades e retaliações mútuas dentro deles, que ainda não foram superadas e é pouco provável que um dia o sejam. Há sempre rastilhos de pólvora sendo espalhados, chegando em alguns casos próximos do ponto de explosão. Os petistas reclamam da entrega aos peemedebistas de órgãos públicos estaduais "de porteira fechada", na sugestiva linguagem dos currais eleitorais. E peemedebistas se queixando de serem sabotados pela direção do PT, ainda mais quando nela há um grupo mais fechado e exclusivista, como a Democracia Socialista. Mas essa pressão das bases fará os líderes dos dois grupos usá-la como arma de combate até um inevitável rompimento aberto e definitivo?Os Maiorana parecem apostar que sim, disparando notas – com texto até ingênuo, de tão óbvio – para azedar e azucrinar a aliança PT-PMDB, depois de passar o tempo anterior entremeando rosas e espinhos no colo da governadora, ora soprando, ora mordendo. Ao mesmo tempo em que procuram mostrar força, fazendo sentir o quanto será ruim enfrentá-los, oferecem os serviços de sua ainda poderosa corporação. Poderosa sobretudo, a esta altura do enfraquecimento do jornal, por causa da associação com a Rede Globo de Televisão.


Ponto de entendimento


Até aqui, esse jogo tem sido mais favorável aos Maiorana do que aos seus aliados, aliados em trânsito, ex-aliados ou novos adversários. Mas há uma novidade em relação às quedas-de-braço anteriores (com a CVRD, a Rede/Celpa e o Banco da Amazônia): o grupo já não é tão poderoso quanto antes. Pode ser que tenha realmente ingressado numa era de declínio, sem possibilidade de reconquistar a posição anterior. Essa nova situação não está ainda consolidada por deficiência do seu principal concorrente, o grupo RBA. Carente de efetiva profissionalização, ele revela sua fraqueza nos momentos de confronto exatamente por sua estreita vinculação ao ex-ministro Jader Barbalho, que sempre é explorada com bons rendimentos, sejam ou não procedentes os argumentos usados contra ele. Jader é o anti-teflon: tudo que é atirado contra sua imagem, gruda.
Essa fragilidade de imagem do seu grupo de comunicação só não se tornou uma barreira intransponível ao crescimento por dois motivos: a falta de profissionalização do próprio grupo Liberal, erodido por cisões internas, e o surgimento de alternativas comerciais, com ênfase para a Rede Record de Televisão, a que mais tem investido no jornalismo local.

Por diferentes motivos, o longo reinado dos Maiorana nas comunicações deixou de ser um dado inquestionável, tornando-se, na melhor das hipóteses para a corporação, numa dúvida a apurar. O maior anunciante privado do Pará, o grupo Yamada, resolveu pagar para ver: há dois meses se mantém fora dos veículos das Organizações Romulo Maiorana, uma atitude inimaginável até recentemente. O maior precedente anterior foi o da Companhia Vale do Rio Doce, que reagiu a uma campanha agressiva do grupo levando-o à justiça. Mas o presidente da empresa, Roger Agnelli, preferiu contemporizar as coisas e voltar a agradar a família. Os processos dormem a sono solto em duas varas cíveis de Belém, órfãos de movimentação.
Os Yamada manterão a atitude de resistir à pressão dos Maiorana por mais tempo que a Vale, ou por todo tempo que for necessário? Outras empresas seguirão seu exemplo? Começará a se fortalecer uma postura menos condescendente aos atos de império dos Maiorana, que conseguiam fazer prevalecer suas vontades sobre a dos anunciantes – e sobre qualquer mortal em geral no Pará?
A dúvida também se aplica à governadora. As sugestões para que rompa com Jader Barbalho são quase diárias nos veículos do grupo Liberal. Há influentes petistas engrossando esse coro e há peemedebistas tão insatisfeitos com a situação que uma reunião foi convocada para o próximo dia 2. Nela, Jader seria pressionado pelos seus correligionários a endurecer com a governadora e o PT. Ciente desses movimentos, Ana Júlia optou por uma conversa com seu principal cabo eleitoral na eleição do ano passado.
O ex-governador deixou seu veraneio em Fortaleza para uma conversa a portas fechadas e sob luz vermelha, no gabinete de Ana Júlia, no palácio dos despachos da Augusto Montenegro. O encontro durou quatro horas. Dele, o Diário do Pará deu apenas uma curta nota na coluna Repórter Diário. Sugeriu que houve conciliação de parte a parte, com recuos mútuos na busca de um novo ponto de entendimento. O PMDB continuou com a Secretaria de Saúde, mas perdeu seus órgãos internos. Se ainda persistem divergências, a tensão foi rebaixada. Significa que não há antídoto para o envenenamento das relações entre aliados compulsórios, mas eles estão tentando se acomodar.


Jogo de cartas


A atitude tem sua razão de ser na eleição municipal de 2008. Em Belém, por exemplo, com pouco mais de um quinto do eleitorado, PMDB e PT correm o risco de ficar de fora do 2º turno se não somarem votos (se tal for possível). Nenhum dos dois partidos dispõe, hoje, de um nome forte para enfrentar o projeto de reeleição de Duciomar Costa, muito enfraquecido, mas com a máquina nas mãos, e de Valéria Pires Franco, que surge como a alternativa dos derrotados no ano passado, com promessa de retaguarda robustecida. Ou de um tucano capaz de rebrotar do desgaste da legenda e do governo, mas ainda sem qualquer vislumbre de força.
Mesmo que PT e PMDB prefiram ir para o 1º turno com candidatos próprios, expostos a uma derrota já nessa etapa, se um deles passar para o 2º turno terá que somar cada voto para tentar a vitória nessa probabilidade de disputa acirrada. Os votos do PMDB foram decisivos para Ana Júlia derrotar Almir Gabriel. Poderão ter a mesma função em 2008. Uma vitória na capital será um trunfo nada desprezível para Ana Júlia usar em 2010.
Resistir ao canto de sereia do grupo Liberal, porém, terá um preço – e ele não será exatamente barato. Os veículos das ORM têm tido um comportamento dúbio em relação ao governo: ora o apóiam, ora o combatem. A incapacidade de dar um tratamento jornalístico à administração estadual evidencia o movimento pendular da corporação.
Como ela ficou dependente das abundantes verbas públicas durante os 12 anos de governos tucanos, não sabe qual o tamanho do custo da abstinência. Por isso, ainda tenta restabelecer a farta dieta antes de experimentar o confronto aberto e, talvez, irremediável.O problema, nesse caso, é de dosagem: até que momento a hostilidade é eficaz e a partir de quando se torna contraproducente? Qual o limite para passar da apresentação de dificuldades ao oferecimento de facilidades, que constitui a quintessência das campanhas interesseiras? Acostumados a impor sua vontade, os Maiorana podem ter perdido o tato para esse ponto de equilíbrio, tanto em relação às empresas (como no caso Yamada) quanto ao governo. Só que não lhe resta mais escolha: têm que continuar a praticar esse jogo até que ele gere seus efeitos. Ou se torne um jogo de vida e morte, sem alternativas.
Às vezes os jogadores, mesmo os mais habilidosos, perdem o domínio da situação, que constitui sua razão de ser, quando blefam demais. É pouco provável que esse seja um método de sucesso sem fim, mas não se pode dizer que o jogador audacioso ou voluntarioso esteja próximo do desastre sem examinar atentamente as cartas na mesa. Um observador cético da cena paraense, acostumado à fraude recorrente de suas elites, pode achar que há cartas escondidas: debaixo da mesa ou na manga dos jogadores.
O noticiário recente do jornal O Liberal pode ser explicado segundo os parâmetros desse jogo de cartas. Um dos recados para a governadora, que tem as melhores cartas nas mãos (porque controla as verbas públicas), é no sentido de se desgarrar do aliado pesado, que sempre está no meio de denúncias de malversação de dinheiro público, enriquecimento ilícito, tráfico de influência e irregularidades em geral, abusando do poder que seus votos lhe conferem. Se tomar essa atitude, contará com o calor de veículos de comunicação que podem fazer a diferença na hora de influir sobre a opinião pública (embora tenham mais perdido do que ganhado eleições).


Resposta prática


Outro recado é mais sutil. As referências elogiosas a Ana Júlia insinuam que já houve, está em andamento ou pode vir a existir uma negociação secreta entre os Maiorana e a governadora para restabelecer a antiga parceria, muito forte na era dos tucanos, com proveito mútuo. Como não há uma "terceira via" qualificada no Pará, as ondas de boatos vão e voltam desse ponto: um acerto de bastidores entre o grupo Liberal e Ana Júlia, pessoalmente ou com a participação do seu partido. Algumas correntes têm esse dado como real, defintivo, talvez exatamente porque sobrem boatos e faltem informações checadas na mesa do jogo.
Um dos termômetros dessa questão é o contencioso entre a Funtelpa e a TV Liberal. A anulação do convênio, herdado de Almir Gabriel e Simão Jatene, já privou os cofres da emissora de três milhões de reais nestes sete meses. É dinheiro para deixar anêmica uma empresa que gira mais à base do escambo da permuta do que do faturamento real. E que vive uma grave crise de liquidez justamente por causa dessa anomalia comercial. O pior é que, desde o dia 6 de junho, a Fundação de Telecomunicações do Pará é co-autora da ação popular visando anular o tal convênio, por ser um contrato disfarçado para permitir várias irregularidades na relação, e, mais do que isso, fazer a TV Liberal devolver o que recebeu indevidamente. Na conta atualizada, esse débito é de mais de R$ 40 milhões, ou equivalente a metade do que os Maiorana dizem que a RBA deve ao governo federal. Essa atitude do governo do PT pode não passar de jogo de cena, que não negaria (antes esconderia) o entendimento de bastidores? Não é impossível, mas já não é muito provável. A apelação da Funtelpa contra a decisão da juíza da 21ª vara cível de Belém, Rosileide Filomeno, que, surpreendentemente, considerou legal o convênio, já foi recebida na instância superior do Tribunal de Justiça do Estado. Mesmo que a ação demore a ser definida, prolongando-se até a decisão de último grau, com a mudança de posição da Funtelpa, que deixou de ser ré para se tornar autora da ação, a posição da TV Liberal na demanda se enfraqueceuPode ser também que a estratégia jurídica adotada pelo governo deixe uma brecha para a TV Liberal explorar através de uma ação judicial própria. É que a Funtelpa continua a transmitir a programação da emissora dos Maiorana, apesar de declarar nulo o contrato e suspender o pagamento da mensalidade. Como o advogado da emissora sustenta que ela realiza um serviço de utilidade pública e se qualificou para desempenhá-lo, respondendo à convocação do governo no sentido de reforçar a integridade do Pará através de uma programação televisiva com linguagem e conteúdo regional, a TV Liberal pode ir à justiça para cobrar os quase R$ 6 milhões que lhe cabiam até o final deste ano, prazo que a Funtelpa prorrogou em 31 de dezembro do ano passado.
O governo Ana Júlia podia ter simplesmente revogado de imediato esse aditivo, pondo fim, sem qualquer efeito colateral, aos 10 anos de relação esquizofrênica, na qual a Funtelpa pagava caro para ter seus equipamentos e seu pessoal usados pela TV Liberal.
O governo ainda pagará por esse erro, se foi um erro? A resposta prática virá logo, ou muito antes da resposta judicial. Quem prestar atenção, verá.


Respostas: cadê?


Na nota através da qual retrucou às matérias do jornal O Liberal, a direção da RBA julgou "importante ressaltar" que todo o processo de transferência de outorga do canal de televisão que possui para a outra empresa do grupo, a Rádio Clube, "ocorreu quando presidia a Comissão de Ciência e Tecnologia, o Dep. Vic Pires Franco, ex-apresentador da TV Liberal e amigo da mais íntima intimidade de Romulo Maiorana Júnior, conhecido como Rominho no seu círculo de amizades, e não quando a presidência do órgão estava sendo ocupada pelo Dep. Jader Barbalho, sócio cotista da RBA, que como todos sabem, é o grande alvo da ação apresentada pelo procurador e divulgada por setores bem identificados da imprensa que lhe fazem oposição".
Talvez conviesse ao deputado federal Vic Pires Franco retomar a prática salutar que manteve até recentemente em blogs da rede mundial de computadores: responder à nota, esclarecendo se o que ela diz corresponde ou não à verdade e como foi o trâmite da questão durante o tempo em que presidiu a comissão especializada da Câmara Federal.
Mais adiante, a mesma nota garante que a renovação de outorga da TV Liberal "tramitou por incríveis 12 anos no Congresso Nacional em virtude da falta de certidões negativas de débito junto a União e só foi concluído no final do ano passado".
Como até 2005 as demonstrações financeiras de Delta Publicidade, empresa responsável pela edição do jornal, mantinham rubrica com a pendência dos débitos federais, em valores expressivos, a direção da empresa podia esclarecer ao público se conseguiu a renovação porque finalmente quitou a dívida. Como o grupo Liberal não aborda o que não lhe interessa, talvez seja preciso esperar pela publicação do balanço de 2006 para saber. A publicação, como nos anos anteriores, está atrasada. Mas como a Delta é uma sociedade anônima, terá que sair da casca algum dia.No balanço de 2005, com a dívida federal pendente, a empresa fechou as contas com prejuízo (acumulado desde exercícios anteriores), com capital líquido negativo e endividamento crescente. Ou seja: tecnicamente, em estado pré-falimentar.


LÚCIO FLÁVIO PINTO

■ Publicado originalmente na edição de julho do Jornal Pessoal.

(Transcrito do portal Agencia Amazônia)


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PS – Publicado em atendimento a várias solicitações.
O jornalista e sociólogo Lúcio Flávio Farias Pinto é meu amigo e colega (d
e turma) desde os tempos do curso clássico do velho Colégio Estadual Paes de Carvalho, no final dos anos sessenta.
1968, para ser mais exato.
Naquele tempo ainda não existia o Curso de Comunicação Social da UFPa.
Ele foi para Ciências Sociais. Eu para Direito, como faziam todos os que trabalhavam em jornal,.
Como era o meu caso. (A.F.)