3/31/2007




FICÇÃO OU REALIDADE?
Jogo virtual revela desleixo dos presidentes brasileiros para com a Amazônia


Brasília
– O caso da peça pregada por meio de um vídeo falso pregando a privatização da Amazônia tem várias leituras. Uma, é que a ficção abeberou-se na fonte da realidade; outra, que não é verdade que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) tenha pagado mico – o senador amazonense foi apenas ágil ao perceber um gancho para a defesa regular que faz da soberania da Amazônia. O vídeo, lançado no ciberespaço, não deixa de ser uma advertência ao desprezo que os brasileiros, inclusive amazônidas, sentem pela região mais cobiçada do planeta, a qual, se os governos brasileiros não prestarem atenção, será mesmo ocupada, de modo sofisticado, pelas potências mundiais, que têm como testa-de-ferro a Organização das Nações Unidas (ONU).
A editora assistente do jornal Folha de S.Paulo, Malu Delgado, investigou e descobriu que o referido vídeo é uma brincadeira na internet. Mas, como desconfia o jornalista Chico Bruno, do site Folha do Amapá, não haverá reais intenções por trás de brincadeira tão séria? “A notícia divulgada, pela Agência Amazônia, é extremamente grave, exista ou não a empresa, pelo simples fato de estar disponível na internet um vídeo propondo a internacionalização da Amazônia, com ofensas ao país e aos sul-americanos em geral” - adverte Chico Bruno.
A jornalista da Folha, Malu Delgado, descobriu que a Arkhos é uma empresa fictícia criada em jogo virtual - Alternate Reality Games -, no site www.zonaincerta.com, sob patrocínio do guaraná Antarctica, em parceria com a Editora Abril. A sinopse do jogo virtual é uma misteriosa história envolvendo um biólogo que teria descoberto segredos de fabricação do guaraná. A Arkhos é a vilã e quer a Amazônia sob controle privado.
O jogo trata a Amazônia com desprezo real. Mas tem um lado positivo: alerta para o desleixo dos governos brasileiros para com a região mais rica do planeta, em bioversidade, água e minerais estratégicos e preciosos.

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Cortesia do site ABC Político

3/29/2007

“Naga Rip” está mandando ver em Sampa


O moço aí da foto é Fábio Franco Rodrigues, Nagash para os íntimos, apelido recebido desde a adolescência, em virtude de gostar muito de desenhos, e quadrinhos japonês, mangás, etc.
Ele é meu sobrinho, filho de um irmão que nasceu e mora em São Paulo, Ricardo Rodrigues, que nas horas vagas mexe com engenharia metalúrgica; e da Fátima que é Assistente Social.
Desde criança Nagash desenhava muito bem. Tanto que se formou em Desenho de Comunicação,pela Escola Superior Rocha Mendes É criativo e vidrado em computador – onde faz miséria de traz para frente e de frente para traz – como também é apreciador da arte e música.
Além disso, toca guitarra baixo, bateria e é DJ – especialista em rock - bem conceituado, sendo convidado a tocar inclusive fora de São Paulo.
Profissionalmente, começou fazendo sites; e hoje é Diretor de Design na Space Produções Ltda. Antes atuou na Ciclelogic e Labone - Empresa do Grupo Abril.
Entre vários projetos é responsável pelo site Space Kids, direcionado ao público infantil, altamente educativo, bem conceituado pela mídia, sendo destaque no programa "Olhar Digital", exibido pela Rede TV, na semana passada e que pode ser conferido no endereço http://olhardigital.uol.com.br/centralvideos.php?VideoID=1007
Fábio é conhecido nos meios artísticos e nas baladas da Paulicéia como Naga Rip.
Nagash, 27, é especial. Gosta de cinema, fotografias e de restaurante de comidas exóticas.
Meu sobrinho é grande.
Pena que seja são paulino doente... como o pai.
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Minha família só tem artista.
Um irmão que morreu há sete anos – lá mesmo em Sampa, mesmo que tenha nascido em Belém – era cantor e compositor; um tio, Oswaldo Uchoa (Vavá), paraense, radicado em São Paulo - onde, aliás, morei no início da minha adolescência por cinco anos.... a minha turma quase toda fez de Sampa a sua segunda casa – dominava um violão com desenvoltura, com maestria, e cantava como ninguém. De vez quando. apresentava-se em programas da antiga TV Record - Canal 7, quando ainda funciona no bairro do Aeroporto (Av. Miruna, uma das transversais da Av. Moreira Guimarães, atual Rubem Berta.Pena que também já se foi.
Para completar, tenho uma prima aqui em Belém que é uma grande cantora e compositora, a Andréa Pinheiro, filha do primo Everaldo – meu colega de bancos escolares – e que mora em Brasília.
Como dá para observar, toda a minha família é artista.
Menos eu que ao invés de advogar, resolvi mergulhar de cabeça no jornalismo primeiramente; e no ramo da comunicação a posteriori.
Dá pro gasto.

3/27/2007

Vicente Cecim lança “Ó Serdespanto” na Sexta-feira/30



O escritor, jornalista e publicitário Vicente Cecim estará lançando nesta sexta-feira/20, na Livraria Jinkings (Rua dos Tamoios, a poucos metros da Praça Batista Campos) mais uma obra: Ó Serdespanto.
Mistura de prosa e poesia, ficção e ensaio, Ó Serdespanto, de Vicente Cecim, é um dos volumes visíveis do que o autor denomina Viagem a Andara - O livro invisível.
Comparada a criações de Heráclito, Nietzsche, Michaux, Silesius, Novalis e Guimarães Rosa, a obra de Cecim tem melodia única. "Mesmo a Escritura, rompendo limites na Literatura, ainda contém a insuficiência respiratória do Verbo", diz. "Busco escapar pelo retorno às Imagens, à matriz das Palavras. Tento, agora, a Iconescritura." A Viagem a Andara, onde inexiste a oposição entre o natural e o sobrenatural, não tem fim e pode ser iniciada em qualquer de seus momentos (trechos/percursos).
Mas o que é Andara? É, sim, uma transfiguração, em região-metáfora da vida, da Amazônia, onde Vicente Cecim nasceu e vive até hoje, mas não deixa de ser também o próprio autor, o leitor, o universo.
Uma das definições aparece numa entrevista de Cecim à revista Azougue: "Andara é Coisa que viaja por dentro e no sentido inverso: quer retornar dos dedos dos pés ao calcanhar de Aquiles do homem, ali onde ele é mais sensível à Hipótese Onírica e Lúdica e Naturalmente Sagrada da vida. Andara quer a Origem, o Antes do ponto em que tudo começou a se perder do Todo, o ponto oculto de nós, homens, que só se consente a nós em Relances, Vislumbres."Como afirma o poeta Fabrício Carpinejar, "a Bíblia não terminou de ser escrita. Ó Serdespanto é um papiro encontrado na Amazônia, sujo de vento, sujo de verdade, aos 40° de Belém do Pará. Versículos, fábulas, parábolas." A jornada ao mundo de Andara, onde sentidos, sentimentos e pensamentos se combinam e tomam vida, é um passeio inesquecível e indescritível.

3/23/2007



Maior grileira do Brasil é expulsa do Pará

Brasília - Empresa do grupo CR Almeida, a Incenxil (Indústria, Comércio, Exportação e Navegação do Xingu Ltda.) terá que se retirar imediatamente da fazenda Curuá, na Terra do Meio, região do Pará entre os rios Xingu e Tapajós, por determinação da Justiça Federal, em atendimento ao Ministério Público Federal (MPF). Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informam que a fazenda Curuá é a maior área grilada do Brasil, quase 5 milhões de hectares - Holanda e Bélgica juntas.
O juiz Herculano Martins Nacif proferiu a sentença dia 15 de março. Além dos sócios, prepostos e funcionários da Incenxil, policiais militares que estejam guarnecendo o latifúndio também devem desocupá-lo já. À Polícia Federal cabe garantir o cumprimento da sentença. E caso de desobediência da sentença, a Incenxil pagará multa de R$ 100 mil por dia.
Herculano Nacif também proibiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de pagar indenizações que a Incenxil estava cinicamente pleiteando pela desapropriação da terra grilada, pertencente ao Pará e à União. Além de grilar a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, a Incenxil grilou todas as terras indígenas Xypaia e Curuaya, toda a Floresta Nacional de Altamira e 82% da Terra Indígena Baú.
“O fundado receio de dano de difícil reparação decorre, além do risco de legitimar a “grilagem”, da possibilidade de irreversível lesão ao meio ambiente pelos atuais possuidores, por intermédio da extração ilegal de madeira ou desmatamentos e queimadas para a criação de bovinos” - diz a ação proposta pelo procurador da República em Altamira, Marco Antônio Delfino de Almeida.

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Cortesia do site ABC Político

3/17/2007

Blog do Afonso Klautau é muito bom


Nesses dias em que se vêem bobagens na internet, quando não intrigas, xingamentos e papos furados que não levam a nada, vale a pena dar uma curujada no blog do Afonso de Liguório Dias Klautau, ou apenas Afonso Klautau.
A questão de uns dois ou três meses atrás o Hamilton Pinheiro – HP – quando ainda dirigia o Núcleo de Rádio e TV da Comus (NUR) me chamou a atenção para a novidade: “Feio, o nosso Afonso Klautau está com blog na internet. Agora ele mora no Mosqueiro e nas horas – já que o homem é jornalista 24 horas por dia – empresta um pouco do muito do que ele sabe pra todo mundo”.
Conferi. Era mesmo.
O blog é muito bom.
Afonso Klautau é um monstro da nossa profissão; e forma outros monstros, já que é professor do Curso de Comunicação Social (Área de Jornalismo) da Universidade Federal do Pará.
É isso aí, Afonso. Tive muito orgulho em trabalhar com você, amigão.
Acessem o blog dele - http://akaamazonia.blogspot.com/

3/11/2007

Aqui, Outeiro


A classe cultural e artística em geral da ilha de Caratateua (Outeiro), organiza-se para a criação de um Conselho de Cultura com vistas ao desenvolvimento de projetos comuns a todos. Reclamam que estão ficando de fora de vários eventos promovidos pela Fundação Cultural do Município de Belém - Fumbel, Administração Regional do Outeiro - AROUT - e Prefeitura Municipal de Belém como um todo.
Na busca de reafirmarem sua identidade cultural própria e assim encontrarem soluções, o coletivo espera que com a criação do Conselho possa ser dada respostas para sanar os problemas; como, por exemplo: durante as últimas comemorações do aniversário de Belém realizado na Praia Grande, tiveram que ficar assistindo a atrações vindo de outros bairros pois se quer sabiam que haveria esse evento para pedirem para se apresentarem.
Assessoria de Cultura - Zé Nacau Lima, líder do grupo Tupiniquim e Ronaldo Farias, líder do grupo Curuperé, verificaram recentemente que além da atual Aministração Regional do Outeiro não contar com uma Assessoria de Cultura, não têm cadastro dos grupos e artistas locais na citada repartição pública – isso é um absurdo, reclamam.
Em contrapartida a criação do Conselho serviria, também, para o desenvolvimento de projetos e um calendário de programações culturais que poderá fazer o diferencial para o levante da cultura na ilha, já que por parte da AROUT as únicas trações culturais oficiais são o Carnaval e o São João.
Sem querer me promover, eu Luiz Carlos Freire, produtor cultural dos mais antigos na localidade, figuro no meio artístico cultural como o fundador da agremiação folclórica Rainha da Juventude, e a hoje escola de samba Raio-X, ambas do bairro da Brasília.
Além de ter sido o coordenador executivo do Festival Artístico e Folclórico da Ilha de Caratateua (FAFIC), realizado em 2004, - mas que ficou pendente a execução de sua 2º edição por falta de parceiros, principalmente o da AROUT e a Fumbel -, é-me creditado o levantamento histórico da localidade que propôs a realização do aniversário de 113 anos da ilha, realizado pela AROUT na data de 22 de abril do ano passado.
O projeto, originalmente, previa a apresentação de todos os grupos culturais de Outeiro, mas foi alterado e realizado com a participação da Banda Sayonara. Nada Contra. Todavia, com o dinheiro pago à famosa banda, daria para dar um bom cachê para os grupos e artistas locais que poderiam investir em uma maior produção ao seu repertório e equipamentos.
A data do aniversário de Outeiro - 14 de abril - já está próxima e até a presente data, a direção da AROUT ainda não convidou os produtores para um diálogo;ao menos para ganharem as camisas promocionais, já que nesta administração são impedidos de participarem com apresentações. Infelizmente.
Pela falta de incentivos e apoio já deixaram de ser executados no Outeiro os eventos: “Arraial da Praça da Água Boa”, “Projeto Rio-Mar” e “Malhação do Judas”, por exemplo, explica o produtor cultural Zé Nacau Lima. A criação do Conselho de Cultura é nossa última esperança de manter viva as nossas raízes culturais - desabafa o líder do grupo Tupiniquim.
A Ilha de Caratateua é o celeiro que abriga entre outros monstros consagrados os cantores Kinkas Paraense, Cláudio Melo, Renata Mourão e os grupos culturais Tucuxí e Encanto da Mata, além do poeta popular Apolo Barros, também presidente da escola de samba campeã da ilha - Parafuseta da Caratateua. A reunião que definirá as atribuições do Conselho se dará no próximo dia 24 de março, âs 10h na Escola Bosque.
Semana que vem, estarei de volta.

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Luiz Carlos Freire

(Correspondente do Jornal do Feio no Distrito de Outeiro)



AMAPÁ É PARAENSE

Açaí nosso de cada dia

Brasília - Todos nós, que nascemos, fomos criados ou vivemos no Amapá, na Amazônia Caribenha, somos, também, paraenses, por diversas razões: até 1943, o Amapá integrava o Pará; temos o falar semelhante, entremeado de tupi, chiando os ss e utilizando o "tu" de Portugal; e a culinária amapaense é, claro, a mesmíssima dos paraenses – não pode faltar farinha d'água, nem peixe, nem açaí, nem um mundo de outras inumeráveis coisas das quais só mesmo sendo paraense-amapaense para entender.
Quanto ao que chamo de Amazônia Caribenha, trata-se do rio Amazonas – sementes do Trópico Úmido são encontradas na Flórida, sul dos Estados Unidos, carregadas pelo maior rio do mundo através do Mar dos Caraíbas e do Gulf Stream, no Golfo do México; trata-se do Atlântico Norte, do gosto por peixes, merengue, o trópico, o realismo fantástico, a mulher negra, a sensualidade da mulher equatorial, a poesia de Isnard Lima Filho.
Açaí - comido de forma tão estranha no resto do país - é um dos elementos integradores entre o Pará e o Amapá. Alimento sagrado. O antropólogo e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Romero Ximenes, pesquisou durante quatro anos a produção e o consumo de açaí no Pará, num estudo intitulado “O açaí como teoria geral da sociedade paraense”, apresentado no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA. “A partir do açaí, podem ser rastreadas as formas como a sociedade paraense se vê nas artes, na cultura, no padrão alimentar, enfim, em todas as suas dimensões, porque permite descobrir a sociedade paraense e entender como ela se explica, se justifica e encontra suas formas de legitimação” - ensina.
Por exemplo: no Pará e no Amapá é comum “jibuiar” - o hábito de tomarmos açaí no almoço e fazer a sesta em seguida. Já ouvi paulistanos achando que isso é preguiça. Não sabem nada do Trópico Úmido. “Jibuiar” é um neologismo advindo das jibóias, que ficam horas, paradas, digerindo o animal que engoliram. E da mornidão equatorial.
“Com o processo de globalização, é impossível proibir a produção externa do açaí, mas a solução para manter o seu valor identitário no Pará seria transformar o estado em um grande centro de excelência na fabricação do melhor açaí” - propõe Romero Ximenes. “O açaí é um dos elementos de construção da própria identidade regional paraense e da sua própria autodefinição. A expressão “Chegou no Pará, parou! Tomou açaí, ficou!” é a marca na qual a sociedade paraense se constitui historicamente” - observa o pesquisador, que fez a reflexão teórica do seu estudo baseada em autores consagrados, como Claude Lévi-Strauss e Johann Wolfgang von Goethe, além de autores regionais, como Dalcídio Jurandir, o genial marajoara autor de Chove nos campos da Cachoeira.
Para o caboclo, o ribeirinho, açaí é um depositório de ferro, deixando os curumins fortes e saudáveis. Mas o fato é que a quantidade de ferro no açaí é insignificante, segundo o doutor em Engenharia de Alimentos da UFPA, o belga Hervé Rogez, estudioso do precioso líquido há mais de uma década. Ele esclarece que, em 1963, um cientista fez pesquisa sobre a composição do açaí utilizando aparelhos de ferro; o mineral encontrado era dos aparelho e não da fruta.
Contudo, o açaí é rico em proteínas, potássio, cálcio, vitaminas E e B1, e lipídios. Importante: contém flovanóides, substância encontrada no vinho tinto, excelente lubrificante do coração; e fibras, que auxiliam na digestão, além de agentes antioxidantes e grande quantidade de óleo semelhante ao azeite de oliva. Importantíssimo: açaí não é energético e não engorda - diabéticos podem bebê-lo à vontade, desde que sem açúcar e farinha.
Nasci em Macapá, a capital do Amapá, no estuário do rio Amazonas, esquina com a Linha Imaginária do Equador. Sou, portanto, caboclo da Amazônia Caribenha. Belém é a mais cabocla e caribenha das cidades amazônicas. No início da tarde, no Ver-O-Peso, a mais fantástica feira do mundo, pedimos dourada frita e açaí. Despejamos farinha no açaí e o adoçamos. A dourada é fresca e derrete-se na nossa boca; o açaí é redentor. A sombra da barraca é refrescante e aonde nossa vista alcança há mulheres lindas para nos alegrar e a baía do Guajará navegando na tarde, a perder-se de vista.
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Cortesia do site ABC Político

3/03/2007

MULHER - um ser que Deus inventou. E não se arrependeu


Nesta quinta-feira, 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O motivo pelo qual foi instituída essa data, deve-se a um fato ocorrido em 1857, quando 130 operárias de uma indústria têxtil, em Detroit, nos Estados Unidos, foram assassinadas. Elas haviam ocupado o interior da fábrica para reivindicar equiparação salarial a seus companheiros homens, redução de jornada de trabalho e melhores condições de trabalho. O proprietário da fábrica, em represália, mandou trancar todas as saídas do prédio, espalhou gasolina e tocou fogo provocando um incêndio sem precedentes.
Nenhuma das operárias salvou-se.
O fato trágico chocou o mundo e mereceu repúdio de todos os países. Em vista disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu instituir o dia 8 de março, dia do infausto acontecimento, como o Dia Internacional da Mulher.
Mulher, a amante, a companheira, a confidente, a amiga, cantada em prosa e verso pelos aedos, pelos poetas, pelos romancistas. Mulher, motivo-maior das cantatas e da lira de Vinícius de Moraes – que mais do que ninguém soube dar-lhe o devido valor. Mulher, Maria, Mãe de Deus; Maria, doce Maria “...um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta, uma mulher que merece, viver e amar como qualquer outra no planeta; é o som, é a cor, é o suor, é a dose mas forte e lenta de uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas agüenta...mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre, quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida”, como diz Milton Nascimento e Fernando Brandt, na sua canção.
A essência - Mesmo considerando-se a violência um fenômeno existente em todos os tempos e lagares, seria utópico imaginar um mundo em que a mulher se extinguisse de vez, observa a advogada e escritora e poetisa Lucy Gorayeb Mourão, líder feminista, dirigente de várias entidades e presidente da Associação Cristã Feminina – Capítulo de Belém. Não há como negar que estamos vivendo uma época de exaltação à violência, inclusive contra a mulher.
Há milênios o sexo feminino tem sido vítima de violência em todos os níveis. Imposta por uma sociedade dominada excessivamente pelo homem que sempre determinou como deveria ser o comportamento da mulher.
Discriminação existe, - prossegue Lucy Mourão, - desde que o mundo é mundo; haja vista que todas as leis eram feitas e administradas por homens. Como usar a lei como recurso, se esse instrumento útil só beneficiava os legisladores? Indaga.
Não podemos afirmar que a violência só ocorre na cidade. Também ocorrem no meio rural, nas mais variadas situações: física, psicológica, sexual e jurídica. A violência atinge não apenas o nosso país, como todos os demais, em todo mundo, mostrando que a opressão da mulher da sociedade é o resultado de situação de inferiorização.
Esse aspecto data do início do mundo, afirma Lucy, quando as mulheres ficavam quase inteiramente reclusas ao “gineceu”. Em Atenas, as mulheres dirigiam as tarefas domésticas e cuidavam da educação dos filhos menores. Havia confinação dentro do lar e elas só saiam por ocasião das festas religiosas pagãs, assim mesmo acompanhadas dos pagens e sob os olhares policialescos dos maridos.
Na idade média, a Igreja deve muita influência. Na França, Napoleão estabeleceu o seu famoso “Código” cujo texto continha severos castigos às esposas que por algum motivo faltassem com seu dever ou prevaricassem.
Ao longo dos séculos, chegamos também ao Brasil, onde o costume de castigar as mulheres vem desde os primórdios da sua colonização, continuando a denominação do sexo oposto. Só aproximadamente em 1827 foi dado o direito à mulher de freqüentar escola, persistindo o preconceito e a discriminação, pois no entendimento da época, mulher era mais para aprender o manejo da agulha, para a procriação, do que para a instrução.
Participação – Conforme Lucy Gorayeb Mourão, a participação da mulher na vida econômica, política e social do país foi importante para a sua valorização, quer como profissional ou mesmo como cidadã, na defesa de seus direitos, e na conquista do seu espaço. “Enquanto enfrentarmos a discriminação de uma sociedade de machista, - que não quer dividir privilégios, - teremos que lutar incansavelmente em defesa de nossa causa, tanto no âmbito das leis, quando no aspecto social” (...) “Assim, dizemos que direitos são conquistados e não dados gratuitamente; porisso é necessário que as mulheres se mobilizem para alcançar os seus objetivos”, destaca.
Apesar das constantes transformações porque passa a nossa sociedade, a mulher tem consciência de que muito tem a oferecer em benefício do ser humano; ainda mais pelo fato de que, a justiça social, antes de tudo é um direito das pessoas, e como tal deve ser por elas desfrutados, defende a líder feminista.
Conquistas – A presidente da Associação Cristã Feminina lembra que a “nossa Lei maior” diz que o poder emana do povo e em seu nome deverá ser exercido. Em uma análise rápida, verifica-se que a Constituição de 88 possui alguns avanços, não encontrados em legislações de outros países E, destaca duas conquistas obtidas pelo sexo feminino na Carta Magna, como a licença-maternidade de 120 dias para as gestantes, e o direito da mulher de aceitar um emprego sem autorização prévia e formal do marido, exigência legal, fatos inconcebíveis que as outras constituições continham, e derrubada pela Constituição de 88, em vigor
Profissionalização - Atualmente, o país está dotado de uma legislação preocupada em oferecer melhores condições à mulher, como uma forma de valorização feminina, corrigindo uma deficiência que se arrastava ao longo do tempo. Dessa forma, acentua Lucy Goraeyb Mourão, a preocupação das mulheres não está mais numa ausência de instrumentos legais, e sim no real cumprimento “in legis” dessa legislação; ou mesmo na conscientização da mulher desenformada, sobre como deve ser a forma legal de fazer valer os direitos, porquanto, vivemos numa sociedade moderna onde a divisão de atribuições é fundamental para o desenvolvimento da comunidade.
“Todos nós, especialmente as mulheres – aspiramos por uma sociedade mais justa onde não se verifiquem conflitos, discriminações ou quaisquer outros tipos de inferiorização do ser humano. E para conseguir o avanço de desses direitos é necessário somar esforços; ou seja, tanto o homem como a mulher são considerados iguais perante à lei, com os mesmos direitos e obrigações. Sem citar o fato de que a legislação punirá como crime, qualquer discriminação atentatória aos direitos humanos.
As mulheres sofrem atualmente uma barreira comum: o preconceito e a discriminação e, também, a violência. Contudo, a experiência tem demonstrado que a sua participação no mercado de trabalho tem sido notável, não apenas nos setor público, como na iniciativa privada e até mesmo na política, a nível local, nacional e internacional. A mulher, atualmente, em muitos aspectos, tem ultrapassado o homem e mostrando a sua importância, o seu valor”, diz orgulhosa Lucy Mourão.
Entidades – Lucy Gorayeb Mourão explica, finalmente, que em Belém existem entidades que procuram orientar as mulheres em todos os aspectos de suas vidas, como a Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil (Libra); a Associação Cristã Feminina (ACF); a Comissão Permanente da Mulher Advogada (CPMA); a Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ACMCJ); o Movimento de Promoção da Mulher (MOPROM); o Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade; o Grupo das Mulheres Prostitutas da Área Central (GEMPAC), dentre outras, no campo privado. Na área oficial, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM). Todas com o mesmo objetivo: a conceituação e valorização do sexo feminino.
O Dia Internacional da Mulher é uma forma de homenagear a mulher. Em Belém durante a semana, os governos municipal – que no ano passado ofereceu a cada mulher que compareceu ao Palácio Antônio Lemos uma rosa natural e uma linda mensagem assinada por Duciomar Costa; alem de música, ao violino, executada por Francisco Ronaldo Sarmanho de Souza Filho - e estadual, as entidades festejam essa data, para mostrar ao mundo de hoje que esse ser tão frágil e ao mesmo tempo tão importante e maravilhoso, é útil, necessário e indispensável na vida do homem, no prosseguimento do existir. É como diz Erasmo Carlos: “...da escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego a teus pés”.

Importante

Quando se fala no Dia Internacional da Mulher lembramos de uma figura muito importante: Dulce Maria Faria Accioly, falecida há 13 anos, quatro dia após ter completado 82 anos, no dia 14 de maio de 1994. Foi líder feminista de escol e defendeu intransigentemente a causa da mulher.
Dulce Accioly nasceu em Belém do Pará. Fez os estudos, primário, ginasial e colegial no Colégio Santo Antônio, diplomando-se como professora primária. Deixou de cursar faculdade, pois se casou logo em seguida.
Mesmo casada lutou, mesmo de forma inglória, pelos interesses da mulher. Viúva, com dois filhos. Dedicou-se totalmente aos problemas e interesses da mulher paraense. Ajudou a trazer para Belém a Associação Cristã Feminina. Fez vários cursos de dinâmica de grupo e outros de defesa da mulher em vários estados da Federação.
De 1973 a 1978 foi secretária da Pastoral Regional da Mulher, da CNBB.
Deixando a função dedicou-se ao trabalho de assistência à mulher marginalizada (prostitutas), sendo por isso muito criticada. Alheia aos comentários, juntamente com outras companheiras fundou a Movimento de Promoção da Mulher (Moprom), de cujo trabalho surgiram duas creches, a “Casa da Gente”, no bairro do Telegrafo, em 1986; e uma outra na Marambaia.
Conhecida internacionalmente – pois era membro da associação “Companheiros da América” – através dessa relação conseguiu ajuda do exterior para as suas atividades em prol da mulher, realizando um trabalho dos mais apreciáveis.
Através do Moprom, desde 1988 promovia anualmente o Intertecmulher – Intercâmbio Técnico Cultural para a atuação da mulher – que tinha como objetivo a discussão específica das questões da mulher em busca de uma cidadania plena, interrompido desde a sua morte, que trouxe para Belém nomes consagrados na defesa da mulher no Brasil, como a escritora e feminista Rose-Marie Muraro.
Ao falecer de parada cardíaca, era presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina (antigo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher), que ajudou a criar, juntamente com outras líderes feministas na administração Coutinho Jorge.
O prefeito, à época, Hélio Gueiros reconhecendo o valor e a importância de Dulce Accioly deu o seu nome à uma creche da Funpapa, no Telegrafo, onde a grande desaparecida teve maior atuação.

(*) Transcrito d ´O ESTADO - Fevereiro de 2006

Dedico este texto à Doutora Telma Menezes (foto. Minha irmã. Minha amiga. Minha cúmplice. Minha mulher. Minha amada última. Meu tudo... uma heroína que me atura há 20 anos. Um anjo bom que iluminou a minha vida e que, espero, possa me conduzir pelo resto do caminho.(A.F.)

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Aquecimento global muda o rumo da raça humana

BrasíliaA Terra passou por várias glaciações e degelo só nos últimos 20 mil anos - um segundo na idade do planeta azul. Mudanças climáticas são cíclicas. Mas, agora, cientistas desconfiam que é o homem que está sacudindo com cataclismos o mundo. De qualquer modo, a advertência é oportuna; servirá para os líderes da raça humana reverem o comportamento de gente da espécie de George Bush e de Lula.
Bush, por representar um império que não abre mão de um grama sequer da fuligem que manda para o espaço. Os Estados Unidos são os maiores poluidores do mundo, seguidos pela China, Rússia e Brasil, este, com 7%.
Lula, pela sua incapacidade, ou falta de entusiasmo, de comandar o desenvolvimento sustentável, único futuro do Brasil, subcontinente detentor da maior biodiversidade do planeta.
Não importa que o aquecimento global seja cíclico ou conseqüência da queima de petróleo e carvão. Importa que, desta vez, há 6 bilhões de humanos no planeta e se não houver planejamento global vai faltar mais comida e água. Milhões já morrem de fome e de sede, bem como varridos por cataclismos de toda ordem.
Estudos encomendados pelo Ministério do Meio Ambiente, divulgados terça-feira 27, mostram que na Amazônia, ainda um paraíso, a temperatura poderá atingir facilmente 40 graus centígrados. Então, muita gente será devorada por carapanã e outros mosquitos realmente diabólicos, como o condutor da malária. A exuberante floresta, que, atualmente, fazendeiros se empenham em arrasar, para encher os bolsos, transformar-se-á numa savana africana.
O mar engolirá um terço da ilha do Marajó, que mede 50 mil quilômetros quadrados, no Mar Dulce formado pelos rios Amazonas e Tocantins. Deverá engolir também cidades como Recife, a menos que a transformem numa Holanda.
O fato é que, há coisa de dois anos, a Amazônia secou e tufões aterrorizaram no Sul. Assim como a natureza faz, de vez em quando, é preciso varrer a politicalha.

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Cortesia do site ABC Político