1/27/2007

Discriminação intelectual, você já foi vitima?


Desculpem-me pela coluna diminuta mais o RE X PA deste final de semana foi a estréia do meu garoto no Mangueirão.

Certo dia presenciei uma tênue discussão entre dois irmãos, um era biólogo formado pela Universidade Federal do Pará e o outro era um radialista. O tema desta pequena discussão era o cação um peixe de água doce da família dos tubarões.
Na ocasião o radialista expôs a explicação que havia recebido da maior autoridade de nossa região na área de pescado, acerca do que é o cação, após a explanação do radialista acerca do assunto o biólogo seu irmão discordou veementemente do que ele havia falado e com um certo ar de superioridade começou a explicar sua teoria acerca do que era o cação.
Após muitos termos técnicos e muita falação percebi que o biólogo acabara chegando ao ponto onde tudo começou, o conceito exposto por seu irmão radialista ou seja aquela troca de idéias que levou cerca de uma hora acabou no mesmo lugar.
Esta troca de idéias aconteceu em um bar, porem a única bebida que eles haviam consumido foi uma coca cola. O que me fez perceber que aquela loucura não foi ocasionada pelo fato de se ingerir bebida alcoólica. Não sei se o fato de terem tomado uma bebida símbolo do poder econômico capitalista influenciou em algo, mais certo mesmo é que acabei presenciando um ato de discriminação intelectual.
O biólogo por ser um homem diplomado, com todo respeito as pessoas formadas, e seu irmão radialista um homem que batalhou como o biólogo, mas não teve oportunidade de estudar até formar-se em uma universidade, acabou achando-se no direito de “desfazer” de seu irmão menos instruído porém não menos inteligente na frente de todos os presentes.
Sabemos que existem muitas formas de discriminação em nosso país, a discriminação por classe social, discriminação por raça, por religião, por sexo e até por idade, mesmo que as neguem nós sabemos que elas existem.
- Porém o que me deixou mais boquiaberto foi ocorrer este tipo de discriminação no seio de uma família por mera vaidade ou por um tema tão banal como o que é o peixe chamado cação!
Que me desculpe o biólogo, seu diploma e todo seu estudo. Mais isso é pura falta de educação !!!!!
____________
Hélio Dória Jr

INFERNO VERDE

Ministério Público entrega o Marajó aos ratos d’água


Brasília O arquipélago do Marajó é um momento inspirado de Deus. É o maior do planeta, com mais de 1.200 ilhas, entre a foz do maior rio do mundo, o Amazonas, a oeste; a boca do rio Tocantins, a leste; o rio Pará, ao sul; e o mar Atlântico, ao norte - mar doce e salgado. A linha imaginária do Equador o corta na altura da ilha Mexiana, antes de dividir Macapá, a capital do Amapá, em duas. Marajó, como o Amapá já foi, é do Pará, mas algumas ilhas emergem no Amapá, como Bailique, santuário no município de Macapá.

No mapa múndi, a principal ilha, Marajó, destaca-se maior do que a Jamaica, Porto Rico ou Tinidad e Tobago, no Caribe; ou do que a Córsega, na França mediterrânea, ou a ilha de Creta, no mesmo mar europeu-africano. O arquipélago é rico. Suas praias atlânticas são estonteantes; seus açaizais, imensos; seu rebanho bubalino, o maior do Brasil; sua cerâmica, exportada para o mundo inteiro, via Icoaraci, bairro de Belém; sua produção de frutos do mar faz do Pará o maior produtor de peixe do país. E o genial romancista Dalcídio Jurandir nasceu em Ponta de Pedras, Marajó.

O arquipélago é um três-por-quatro da Amazônia: paradoxal. A Amazônia é rica, e miserável. Seus recursos naturais são explorados por uma elite escravocrata. Assim, o caboclo – que é mais uma cultura do que uma etnia -, o caboclo que tentou redenção na Cabanagem, continua na senzala, como máquina mecânica a ser usada até suas peças se quebrarem. Imersos nesse mundo medieval e sem perspectiva política, índios aculturados, negros, cafuzos, mamelucos e mulatos continuam sob o látego da elite cartorial portuguesa.

Nesse arquipélago paradisíaco, curumins morrem devorados por vermes e micróbios; crianças são estupradas em balsas e iates a troco de comida; ratos d’água atacam famílias de ribeirinhos, estupram as mulheres e levam o que encontram. Essa realidade horrenda se desenrola com música incidental, a ladainha dos governos paraenses – Jader Barbalho, Almir Gabriel, Simão Jatene, qualquer um deles, incluindo os antecedentes, e, agora, Ana Júlia Carepa –, de que vão criar um grupo de trabalho que estudará ações para o desenvolvimento do Marajó, quando a mais importante ação atual, a Hidrovia do Marajó, foi engavetada pelo Ministério Público Federal, em 1998.

Quando Luiz Inácio Lula da Silva, do inoperante Partido dos Trabalhadores (PT), que Lula criou, assumiu, em 2003, aí é que a coisa se complicou mesmo para o Marajó, pois como ocorre em todo o país, o Marajó estacou. Agora, com Ana Júlia Carepa - do PTMDB, uma espécie de fusão oficiosa do PT e o PMDB de Jader Barbalho – no comando do Pará é que a situação piora. A menos que os tucanos, que se viram na oposição tanto no âmbito federal quanto estadual, pressionem o Ministério Público, Lula e Ana Júlia, com competência. Mas terão competência para tanto?

Mário Couto, deputado estadual do PSDB, eleito senador, andou mexendo no caso da Hidrovia do Marajó. Eleito para o Senado, Mário Couto se tornou um líder no tucanato paraense, fazendo frente aos seus correligionários, o ex-governador Simão Jatene e até mesmo ao ainda cacique Almir Gabriel, derrotado para o governo do Pará pelo deputado Jader Barbalho, do PMDB, estrategista da vitória de Ana Júlia Carepa. Contudo, segundo noticiou em sua edição desta sexta-feira, na coluna principal, o jornal Amazônia Hoje, Mário Couto já estaria dizendo amém a Jader Barbalho. Inclusive o jornal humilha Mário Couto, ao acrescentar Zôo ao seu nome – Mário Zôo Couto -, evocando o passado de bicheiro do senador eleito. Segundo ainda o jornal, Jader Barbalho teria prometido a Mário Couto elegê-lo o próximo governador do Pará.

Voltando ao Marajó, a hidrovia é fundamental para o desenvolvimento do arquipélago e do vizinho Amapá, já que encurtará a distância entre Belém, capital do Pará e a mais importante cidade da Amazônia, e a capital amapaense, Macapá, que mantém intenso comércio com os belenenses. Sítio de antigas civilizações amazônicas, o Marajó sofre saque arqueológico sistemático e sua população é atingida intensamente por várias doenças endêmicas. Isso tudo já poderia ser evitado com a construção da hidrovia, mas, em 1998, o Ministério Público Federal entrou com ação civil pública embargando a obra, considerada como a única possibilidade de reverter o secular isolamento e empobrecimento da região.

Mário Couto, presidente da Assembléia Legislativa do Pará, fez, em agosto do ano passado, antes das eleições, um apelo veemente aos zelosos e insensíveis ecologistas do Ministério Público: "A geografia e a história do arquipélago do Marajó são notoriamente conhecidas e reconhecidas como elemento fundamental no cotidiano dos seus habitantes, e é em nome dessa população que apelamos ao Ministério Público no sentido de que seja retirada a ação civil pública que emperra o desenvolvimento e condena à miséria o povo do Marajó".

Segundo Mário Couto, o Pará perdeu, só de 1998 a 2000, mais de R$ 28 milhões, alocados para garantir a obra, dinheiro devolvido à União por causa do embargo judicial. "Como cidadãos paladinos da lei e imbuídos das melhores intenções, acredito que os procuradores da República hão de saber avaliar o sofrimento por que passa a gente marajoara, e que muito maior será o mérito do Ministério Público Federal ao reconhecer o clamor público por melhores condições de vida e a necessidade imperiosa da construção do canal ligando os rios Atuá e Anajás, e permitir, com isso, o fim do isolamento físico, econômico, social, cultural e político da área central do Marajó, onde persistem altos índices de pobreza e miséria, que assolam a população" – apelou o senador eleito.“É, no mínimo, estranho que a Hidrovia do Marajó esteja embargada sob alegações ecológicas, quando é do conhecimento público a retirada ilegal de madeira na área do sítio arqueológico encontrado durante a elaboração do EIA/Rima da hidrovia. A irregularidade foi constatada há anos, durante os trabalhos de resgate das peças arqueológicas. Naquela época, com um inventário fotográfico comprovando a ação depredatória, o fato foi denunciado ao Ministério Público Federal para que tomasse as providências, das quais não se tem conhecimento até hoje" - disse Mário Couto, advertindo também para o nível de poluição no rio Anajás, devido a óleo e graxa lançados na água, de embarcações que trafegam na área. "Também não é segredo para ninguém a retirada abusiva de palmito.”

Pois bem, a hidrovia acabará com esses problemas, pois, segundo Mário Couto, com ela haverá, necessariamente, fiscalização das embarcações e das atividades madeireiras e de coletores de palmito. Devido ao difícil acesso à região, ninguém denuncia, atualmente, os abusos cometidos aos órgãos competentes, que, assim, não conseguem combater os crimes ambientais.

Mário Couto ressaltou que, como filho da região, sabe o quanto a falta de transporte eficiente no arquipélago marajoara entrava o incremento e o escoamento da produção, principalmente de açaí, palmito, carvão e cerâmica. Alerta que, na época de chuvas, há grande incidência de malária no município de Anajás; a doença vem proliferando em toda a região, ameaçando a saúde do arquipélago inteiro. A facilidade de acesso que a hidrovia proporcionará vai permitir a implementação ininterrupta das campanhas de saúde junto às comunidades na parte central do arquipélago - argumenta.

A pobreza dos municípios do arquipélago marajoara foi muitas vezes denunciada pelo criador do Museu do Marajó, padre Giovanni Gallo, denúncias que poderão ser constatadas em documentos oficiais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), clamando por mais atenção. "Por causa das dificuldades de transporte, qualquer obra na região é caríssima, impedindo investimentos nos setores produtivos e nas áreas de saneamento básico e saúde" - observa Mário Couto. "O Ministério Público Federal já recebeu mais de 50 quilos de documentos da parte do governo do Pará, mostrando que os impactos ambientais da hidrovia serão mínimos, comparados aos impactos positivos que ela proporcionará. As medidas mitigadoras e ações compensatórias, já detalhadas em farta documentação, superam qualquer dano que a obra possa causar."

Trata-se de mais um ataque histérico de ambientalistas?

Por acaso, quem responde a essa indagação é outro tucano, mas um dos cientistas paroaras mais gabaritados, o deputado federal Nilson Pinto, responsável pela interiorização da Universidade Federal do Pará (UFPA): "A Hidrovia do Marajó é uma obra de infra-estrutura fundamental para o estado do Pará, promovendo a ligação mais eficiente entre Belém e Macapá, passando pelo centro da ilha do Marajó e economizando horas de viagem. Essa obra, que é simplíssima, enfrenta percalços por falta de conhecimento, pelo excesso de zelo gerado pelo desconhecimento de algumas autoridades. O Ministério Público entende que a obra criaria problemas ambientais e tem procurado impedir de todas as formas que seja realizada, e tem conseguido isso, até agora. Há excesso de zelo de um lado e desconhecimento de causa por outro lado. Tem-se apenas de construir um canal de 32 quilômetros, numa região plana, desabitada, sem, absolutamente, nenhum tipo de problema que possa surgir com a construção do canal. A obra se resume, praticamente, na construção do canal."

Para quem acha que isso é algo portentoso e agressivo ao meio ambiente, eu recomendo que faça uma visita, in loco, ou pela internet, ao canal Reno-Danúbio, na Alemanha, concluído há várias décadas e que liga a bacia do rio Reno à bacia do rio Danúbio. O Reno deságua no Mar do Norte. O rio Danúbio deságua no Mar Negro. Assim, os alemães ligaram o Mar do Norte ao Mar Negro. Trata-se de um canal de 171 quilômetros de extensão, com 66 eclusas, com desníveis fantásticos, tudo em plena operação, no coração da Alemanha, passando por terras que têm toda uma história pretérita, que vem do tempo do Império Romano, passando por preciosidades arqueológicas, passando pelo coração de um país que tem um amor pela questão ambiental fantástico. A obra foi feita no meio da Alemanha e não gerou absolutamente nenhuma reclamação, no país que mais cuida do meio ambiente no mundo."

Para fazer uma obra cinco vezes menor, de impacto ambiental mil vezes menor, na ilha do Marajó, nós temos um problema terrível com o Ministério Público. Eu não acredito que seja por conhecimento de causa, o que mostraria que essa obra não causará praticamente nenhum impacto ambiental. Acredito, sim, que é desconhecimento de quem acha que vai preservar a Amazônia impedindo que as pessoas que nela moram tenham melhores condições de sobrevivência. É um enorme equívoco do Ministério Público, que não tem competência técnica para opinar e está exorbitando da sua função. Deveriam se basear nos trabalhos dos órgãos técnicos competentes nessa área e não emitir pareceres apenas para defender uma posição aparentemente de defesa da Amazônia, do meio ambiente, mas que, na verdade, é uma posição absolutamente retrógrada, que nada tem a ver com desenvolvimento sustentável."

O Ministério Público se arvora o direito de defender uma causa que não é de ninguém, mas causa de um ou outro visionário que resolveu fazer de uma questão pequena algo grandioso, não sei com que finalidade. O caso está na Justiça, que tem de se basear naquilo que é correto do ponto de vista do aproveitamento das nossas hidrovias, dos rios, que são as vias naturais que temos para deslocamento na Amazônia; tem que se basear na verdade extraída da competência técnica das instituições amazônicas, para poder dar a decisão. Não podemos ficar com uma visão unilateral emperrando o desenvolvimento da região, a melhoria da qualidade de vida da população. A posição do Ministério Público é contraditória com os interesses da população do Pará. Essa posição já foi claramente demonstrada quando construímos a alça viária, uma obra fundamental para a integração do Pará e que o Ministério Público tentou de todas as formas obstruir. Hoje, a alça viária está lá, mostrando sua importância para a população. O Ministério Público precisa se reciclar. A minha sugestão é que o pessoal do Ministério Público estude mais. Não basta trabalhar com a visão ideológica. Aliás, o Ministério Público não existe para trabalhar com visão ideológica. Ele tem de trabalhar pelo interesse da sociedade, dentro da visão legal."

Há um claro exagero por parte dos ambientalistas. É necessário para qualquer obra importante, em qualquer lugar e, principalmente, na Amazônia, que se tome os cuidados para se evitar impactos ambientais de porte. Isso é necessário e existe conhecimento técnico em várias instâncias, neste país, para assessorar a realização de uma obra sempre que isso é necessário. O que nós não podemos aceitar é a visão da redoma, a visão da preservação pela preservação, em que, a priori, se diz que não se pode abrir a estrada, ou não se pode asfaltar a estrada que já está aberta porque isso vá implicar em dano ambiental. Isso é um excesso. Por exemplo, temos o caso da BR-163, a Santarém-Cuiabá. Pará lá, foram levadas centenas de milhares de pessoas, que vivem lá, são brasileiros e precisam sobreviver e produzir. O correto, agora, é o asfaltamento da estrada, sem maiores discussões. Há toda uma discussão na tentativa de se criar obstáculos para o asfaltamento dessa estrada, como se o não-asfaltamento fosse servir para preservar o meio ambiente. A rodovia está aberta, temos que pavimentá-la e ordenar a ocupação, o que se faz por meio de zoneamento ecológico e econômico. É ilusão imaginar que o Pará, onde vivem mais de 6 milhões de pessoas, possa ser pensado como uma grande área de preservação. Somos frontalmente contra a visão preservacionista que vê apenas a floresta e esquece as pessoas que moram na floresta, uma posição absolutamente atrasada".

O que é a Hidrovia do Marajó

O projeto da Hidrovia do Marajó é fruto de convênio celebrado entre os governos estadual e federal, com contrapartida de 50%. "Já foram realizados todos os estudos técnicos e ambientais (EIA/Rima) para a dragagem de 32 quilômetros do canal destinado a perenizar a interligação das bacias dos rios Atuá e Anajás, interligação já existente pela própria natureza, mas durante somente seis meses de cheia" - explica o engenheiro da Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental (Ahimor), Antônio Alberto Pequeno de Barros.

Se essa besteirada toda não continuar, serão dragados 9 milhões de metros cúbicos na área entre os rios Atuá e Anajás, a fim de garantir a navegação, na época da seca, de comboios com até 2.800 toneladas de capacidade de carga em quatro chatas, de Belém a Macapá, vice-versa. Segundo o projeto, a hidrovia atravessará pelo meio o arquipélago, no sentido sudeste-noroeste, levando novas oportunidades de emprego e de renda para a população local e facilitando o escoamento da produção de todo o Marajó. Os 580 quilômetros que hoje separam Belém de Macapá, porque a ilha do Marajó tem de ser contornada, diminuirão para 432 quilômetros pelo meio da ilha. Haverá uma redução de 148 quilômetros entre a capital do Pará e a capital do Amapá."

Além disso, a obra vai permitir acesso aos diversos recursos naturais da região marajoara, modernização do seu parque agropecuário e suprimento dos mercados consumidores de Belém e Macapá, viabilizando a criação de bacias leiteiras e estimulando a piscicultura" - observa Antônio Alberto Pequeno de Barros, alinhando, também, entre os impactos sócio-econômicos, o desenvolvimento do turismo flúvio-ecológico e a integração nacional do Marajó e do Amapá por meio da futura - e pelo que se vê também abortada - Hidrovia Araguaia-Tocantins, outra obra da maior importância para a região amazônica.Há nove anos, a Secretaria Executiva de Transportes do Pará - dirigida na época pelo engenheiro Amaro Klautau e depois pelos engenheiros Haroldo Bezerra e Pedro Abílio Torres do Carmo -, aliada à Ahimor, cumpriram todas as exigências legais, tais como elaboração de EIA/Rima e realização de audiências públicas. Desde setembro de 1998, a Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio-Ambiente do Pará concedeu a licença ambiental para instalação da obra, que foi renovada anualmente, até 2002. Acontece que, por força da ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, até hoje o projeto da hidrovia não conseguiu sair do papel. A conseqüência disso é que a população do Marajó sofre os efeitos devastadores de doenças infecto-contagiosas, principalmente malária, de erradicação remota diante da dificuldade de acesso para a implementação de ações necessárias para debelar a doença.

O governo do estado e o Ministério dos Transportes chegaram a tomar todas as providências para o início das obras, inclusive a avaliação das terras localizadas nos municípios de Anajás e Muaná, feita por técnicos do Instituto de Terras do Pará (Iterpa). Procuradores do estado foram ao encontro dos comunitários para fazer o pagamento das indenizações no próprio local. Um convênio para distribuição do material lenhoso também foi celebrado com as prefeituras de Anajás e Muaná. Além disso, um plano de saúde foi elaborado para atender a área de influência da futura hidrovia. O plano envolve a construção de ambulatórios, proteção aos operários que trabalharão na obra e imunização contra doenças endêmicas. O fato é que está tudo pronto para que a obra seja realizada. Só depende do Ministério Público Federal.

A visão do Ministério dos Transportes

Segundo o site do Ministério dos Transportes, a Amazônia, graças à sua vasta rede hidrográfica, presta-se naturalmente à construção de hidrovias, em conexão com as demais vias de superfície (ferrovias e rodovias), bem como o sistema de transporte aéreo. Portanto, novas tecnologias de transporte devem ser objeto de pesquisa, visando ao desenvolvimento da região. A política de transporte para a região deve ser embasada no eficiente aproveitamento dessa potencialidade, fazendo da rede hidroviária a espinha dorsal do sistema integrado de transportes. A Hidrovia do Marajó consiste basicamente na instalação de uma via navegável que cruze a ilha do Marajó, da baía do Marajó ao rio Amazonas, propiciando uma ligação mais direta entre Belém e Macapá e facilitando o transporte e a comunicação na parte central da ilha. Para isso, o projeto prevê a interligação, por um canal de 32 quilômetros, dos rios Atuá e Anajás.

As obras incluídas na ligação dos rios Atuá e Anajás compreendem o melhoramento para navegação do rio Atuá, de sua foz à fazenda Caiçara, em uma extensão de 67 quilômetros; do rio Anajás, de sua foz no Canal Vieira Grande, no rio Amazonas, à desembocadura do Igarapé Anajás-Mirim, com cerca de 207 quilômetros; e a abertura de um canal artificial com 31,42 quilômetros, da margem esquerda do rio Anajás à margem esquerda do rio Atuá. Os rios Atuá e Anajás localizam-se na parte central da Ilha do Marajó e sua ligação, através do canal artificial, permitirá o tráfego direto de comboios de empurra entre a Baía do Marajó e o rio Amazonas, conseqüentemente, entre Belém e Macapá.

A proximidade da Hidrovia do Marajó com o porto de Santana, na zona metropolitana de Macapá, possibilitará que produtos paraenses, como açaí, cheguem aos Estados Unidos, Europa e Japão com redução de custo. Essa é a melhor maneira do país crescer, e não a última piada que Lula contou, antes de mais um passeio no Aerolula, o tal do PAC.


___________
Ray Cunha
(Por cortesia do site ABC Político)

1/24/2007

Cláudio Barradas, 14 anos de sacerdócio


O meu querido amigo e irmão Cláudio de Souza Barradas, completa hoje, dia 25 de janeiro, 14 anos de vida sacerdotal. Acho que vale a pena falar um pouco desse padre. Para tanto, peço – usando o pronome na primeira pessoa - a devida vênia aos leitores deste espaço.
Desde muito jovem acompanho os passos de Cláudio Barradas. Esse ator consagrado – com prêmios nacionais e internacionais e um dos principais elementos representativos da arte cênica do Pará – eu o vi pela primeira vez no palco do Teatro da Paz, interpretando o príncipe Omar, da peça Branca de Neves e os Sete Anões, adaptada por Maria Clara Machado, com música e arranjos da professora Maria Luísa Vella Alves, há mais de 60 anos.
Quando estava na Folha do Norte, nos primórdios do jornalismo, estive várias vezes em casa de Barradas – ele morava na Rua Tiradentes, próximo da travessa Piedade – em companhia do poeta e ficcionista Eliston Altmann, que dirigia a página literária da Folha, publicada aos domingos na capa do 2º caderno.
Anos mais tarde, dirigindo a ATESC – Associação Teatro-Escola Santa Cruz, entidade ligada à Paróquia de Santa Cruz (Marco), que funcionava ao lado do prédio do antigo Hospital Juliano Moreira – onde hoje está erigido o prédio da Faculdade de Medicina do Estado, - eis que me vejo diante do diretor Cláudio Barradas.
Minha entidade estava participando do planejamento, ensaios, montagem e realização da peça Cristo Total, da irmã Benedita Idefelt (OSC), encenada em pleno regime de exceção, por duas vezes, no Estádio Francisco Vasques, da Tuna Luso Brasileira – por gentileza do diretor Manoel Chipello, de saudosa memória -, e que reuniu mais de cem mil pessoas – um sucesso total – sob os auspícios do Círculo Operário Belenense, e do inesquecível padre Thiago Way. Cláudio, àquela época no SESI, era o responsável pela direção geral.
Daí que a amizade com esse moço admirável frutificou. Tornei-me guru do ator e diretor Cláudio Barradas.
Noviciado - Muito antes disso, Cláudio Barradas já havia freqüentado seminário. Ele tinha 13 anos (atualmente tem 77) quando ingressou na antiga casa de formação da Arquidiocese de Belém – Seminário Nossa Senhora da Conceição – levado por D. Alberto Ramos, que à época era apenas um padre diocesano. Após oito anos, no finalzinho do curso de filosofia, Cláudio Barradas deixou o seminário para o desagrado, não apenas de D. Alberto Ramos, do padre Nelson Soares – que se tornou seu amigo e confessor – como de D. Mário de Miranda Villas Boas, que o tinha escolhido para os estudos complementares de Filosofia e Teologia em Roma, na Universidade Gregoriana.
Cláudio Barradas pintou, bordou, virou, mexeu... andou muito pelas “bocadas” da Rua 13 de Maio, nos anos 60!!!; fez Letras Clássicas, inaugurando a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Pará, sonho do professor Antônio Gomes Moreira Jr., falecido no início de 2000. Foi o primeiro lugar da turma... também... pudera... sabia Latim de trás pra frente e de frente pra trás! Em seguida abraçou de corpo e alma o teatro, sendo um dos primeiros alunos da Escola de Teatro da UFPa.
Mas nem Deus e nem D. Alberto se esqueceram do brilhante do brilhante e irrequieto – e já irreverente - seminarista.
Nas horas vagas, Cláudio ajudava às paróquias. Colaborou em São José de Queluz, quando por lá passou o padre David Sá, atualmente afastado do ministério; São Francisco de Assis (Capuchinhos), participando do antigo Grêmio Bento XV – que revelou, entre outros, Assis Filho, advogado, poeta, escritor e ensaísta; e Sant’Ana, do monsenhor Nelson Brandão Soares (aposentado), onde aprendeu tudo sobre música, regência etc, além de integrar a
famosa Schola Cantorum e, de quebra, fazia teatro na Igreja duas vezes por ano, na Semana Santa e no Natal.
Quando Nelson foi para a Catedral, Cláudio Barradas o acompanhou. Tinha tudo a ver. Naquela Igreja ele foi batizado; onde aprendeu o catecismo; recebeu a primeira eucaristia (ou primeira comunhão, como se dizia até a pouco tempo); foi cruzado e recebeu o sacramento da Crisma de D. Mário. Já aposentado da UFPa. e com o tempo livre, passou a exercer um monte de atividades no Curato da Sé.

O Chamado - Um belo domingo de Páscoa, D. Alberto logo após a celebração do pontifical, ao desfazer-se dos paramentos sacros, com a ajuda de Cláudio, dirigiu um olhar firme e ao mesmo tempo sereno e paternal ao acólito, e perguntou: “Cláudio, você aceita ser ordenado? Já é tempo, não acha?... Você começaria de baixo, leitor, diácono e depois viriam às demais funções do presbitério até a Ordem, propriamente dita. Não sou eu quero, é Deus que O chama. A pergunta soou para Cláudio Barradas, segundo as suas próprias palavras, como um “chute no saco”. Ele não titubeou, em lágrimas disse SIM.
A partir daquele momento tudo mudou na vida desse homem. Deixou de lado a vaidade e os seus muitos títulos mundanos e foi para o Seminário São Pio X, como qualquer outro postulante ao sacerdócio. Como já tinha praticamente todos os créditos necessários, concluiu a parte que faltava de Filosofia e estudou Teologia. Fez o tirocínio na Catedral auxiliando (ainda mais) monsenhor Nelson Soares nas atividades paroquiais. No dia como o de hoje,25 de janeiro de 1992 foi ordenado lá mesmo na Catedral, sendo nomeado vigário auxiliar. No dia 2 de fevereiro de 1993, D. Zico o designou para a Paróquia de Santa Isabel de Portugal, onde realizou um trabalho pastoral, dos mais edificantes e maravilhosos.
Senão vejamos - Cláudio Barradas não perdeu tempo e logo no início montou uma equipe de teatro e de música. Suas Missas eram belíssimas e muito participativas. Tão contagiante foi o seu trabalho (Munus) que muitos crentes se converteram ou retornaram à fé católica.
Eu estive lá e posso dar o meu testemunho.
Na ocasião Cláudio confessou que preferia estar junto ao povo humilde do interior, sentindo o cheiro de mato. “Essa gente é mais autêntica.“ Todos os querem bem, não obstante o seu gênio explosivo... uma das suas características! Mas é inofensivo. É doce,
Atualmente dirige a Paróquia de Cristo Ressuscitado, no bairro do Atalaia
E nesta quinta-feira, 25 de janeiro, dia da conversão de Paulo de Tarso no caminho de Damasco, dia escolhido por Cláudio Barradas, para a sua ordenação, o meu irmão e amigo completa 14 anos de padre.

Oxalá que as palavras de Melchisedeque o acompanhem para todo o sempre, e que ele possa, através das suas virtudes, com o seu valor, com a sua inteligência, com o seu teatro e a humildade, trazer muitos servos para a Messe que tanto necessita.
Como disse - Deus e D. Alberto não o perderam de vista.
_______________


Detalhe - Cláudio de Souza Barradas teve casa, fez teatro, e um monte de coisas bonitas que só ele sabe fazer, no campo da cultura no Pará.
E o mais importante – Continua sendo um grande amigo de Icoaraci. Muitos atores locais o tiveram como professor na Escola de Teatro da UFPa. (A.F.)

Esse Carlinhos Correia não é fácil





NU NERY - SEGUNDA TEMPORADA


Tínhamos divulgado que a peça voltava dia 24. Mas nesta data estaremos apenas montando o cenário. Abaixo, a agenda correta:

NU NERYDe Carlos Correia SantosCom Grupo de Teatro PalhaDireção e encenação: Paulo Santana
De 25 a 28 de janeiroQuinta a sábado – 21h / Domingo – 20h Teatro Waldemar HenriqueBelém / ParáIngressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudantes)
Não falte. Importante - Em seguida a peça segue para o Festival Brasileiro de Teatro em Itajaí (Santa Catarina).
O espetáculo representará a Região Norte no evento.

Carlos Correia Santos eu o conheci há anos. Ele coordenava um programa lítero-musical todas as quintas-feiras, - Café com Verso e Prosa - a partir das oito e meia da noite, no auditório da Amazônia Celular, sob os auspícios dessa empresa. Era uma parceria do Clube do Escritor Paraense e a citada Amazônia Celular, sob o apoio de a Lei Semear. O evento era muito concorrido... não sei por que acabou.
Tavernard - Uma das sessões – realizada no 02 de maio de 2001, a sessão inaugural do Clube do Escritor Paraense - foi dedicada à memória de Antônio Tavernard, pelo fato do nosso poeta-maior ter sido eleito como seu patrono. Uma homenagem ao pequeno grande príncipe dos versos paraenses nascido aqui em Icoaraci.
Antônio Tavernard nasceu no dia 10 de outubro de 1908, no mês do Círio de Nazaré - e por isso foi batizado com o nome de Nazaré. A alegria em sua poesia supera a dor de ter sofrido, em toda a sua juventude, do mal de Hansen, doença que o vitimou nos braços da mãe aos 28 anos de idade
Vale a pena recordar o momento que lembrou Antônio Tavernard, - o Tony - um vizinho ali da Siqueira Mendes (Primeira Rua) que veio (e se foi) muito antes de mim.
O evento foi aberto com a declamação do poema Similitudes, feita por Carlos Correia. Na seqüência o grupo cênico do projeto Café com Verso e Prosa, composto pelas atrizes Landa de Mendonça, Alessandra Nogueira e dos músicos Antônio de Pádua (violino) e Eliezer Soares, brindou a platéia com uma performance lítero-musical inspirada na obra de Antônio Tavernard. O momento contou ainda com a participação dos atores Renato Torres e Érica Oliveira.
A programação recebeu, ainda, os membros da Academia Paraense de Letras Acyr Castro e Leonam Cruz para um bate papo sobre a vida e a obra de Tavernard.
Lembranças - Leonam - que integra a Ordem Internacional de Ciências em Letras, de Brasília -. relembrou que na década de quarenta, ao ler o poeta, se surpreendia com o vocabulário quase desconhecido em Belém, e usado por ele. Quanto a Acyr, cresceu ouvindo o nome de Tony nas rodas de conversa da família, mesmo. É que seu avô, o músico Manuel Luís Paiva, ou apenas Maneco Paiva, foi parceiro artístico de Tavernard, na segunda década do século XX. Maneco faleceu ainda em verde idade, 32 anos, mas não tão tenro quanto o amigo poeta e parceiro, que em 1936, aos 28 anos, teve a mão impedida de escrever pela morte.O encontro, mediado pelo Carlos Correia Santos, ofereceu à platéia a riqueza da lírica de Tavernard através de poemas como "Pórtico", "Esperar", "Carta da Minha Angústia", "Versos Simples", dentre outros. O toque especial da noite ficou por conta da presença da família Tavernard, ali representada – dentre outros – pelos irmãos do poeta, Mário e Lourdes Tavernard.
Gente Nossa - A relação de Carlos Correia Santos e do Clube do Escritor Paraense com Icoaraci é das mais estreitas; além das muitas atividades desenvolvidas na Vila Sorriso nesses últimos anos com o apoio da Biblioteca Pública Municipal Avertano Rocha, Alguns desses eventos foram realizados na Casa do Poeta, situada na Siqueira Mendes 585.
Aliás, nesse espaço eu já chamei a atenção da governadora Ana Júlia Carepa para a Casa do Poeta Antônio Tavernard. O prédio está esquecido, abandonado e caindo aos pedaços.
Uma tristeza.
Quem quiser pode conferir. Fica quase na esquina da Travessa São Rocque.
Rádio X – A propósito... vocês sabem quem é o Carlos Correia Santos?
Carlinhos, quem é você?
Sou paraense, casado, tenho 32 anos e moro com os meus pais. Cristão/católico e apolítico; afro-brasileiro (negro); não fumo; não bebo... senão um belo tacacá de vez em quando.
Sou escritor (poeta, contista, cronista, roteirista, dramaturgo), jornalista, advogado e produtor cultural. Considero-me uma pessoa de temperamento forte, mas, que gosta e precisa estar cercado por bons e reais amigos. Faço qualquer coisa para amparar e ajudar quem eu amo. Aliás, sou um apaixonado constante.
Falo Português, Francês, Inglês (EUA), Espanhol.

1/22/2007

O que é cultura para os formadores de opinião?


Ao assistir um telejornal local durante minha rotina de trabalho, me deparei com a seguinte frase:
- Temos que dar cultura ao nosso povo!
Esta frase me fez lermbrar de uma conversa que tive a algum tempo com um professor acerca do que é cultura.
Esta conversa me levou a conhecer a obra de um grande filósofo chamado Roque Laraia e mudou o meu conceito sobre o que é cultura.
Diante de suas teses entendi que o fato de o homem viver em grupos dispersos fez com que se criassem particularidades entre os grupos. Que acabaram por sua vez sendo transmitidos aos seus iguais durante varias gerações. Por isso o modo de ver o mundo, a herança moral e valorativa das sociedades é diferente. Pois elas fazem parte de sua herança cultural.
Não só isso, mas as relações fisiológicas podem distinguir as diferentes culturas existentes. Tudo isso leva ao etnocentrismo e por conseqüência cria-se uma dicotomia, facilitando assim o surgimento de conflitos. Mesmo em um ambiente intracultural.
Segundo Laraia Nenhum indivíduo é capaz de participar de todos os elementos de sua cultura, seja por seu sexo ou por sua idade.
A participação cultural por idade tem duas explicações:
- A cronológica que fica evidente através de limitações fisiológicas (agilidade, força física, etc.) ou por falta de experiência (pela idade).
- A cultural vem do acumulo de regras culturais que uma sociedade adquire ao longo do tempo, ou seja, limita a participação de classes etárias em certas atividades.
O indivíduo deve participar e entender o mínimo de sua cultura e este entendimento tem que ser de domínio geral para que o mesmo consiga conviver sem conflitos em sua sociedade.
Todo sistema cultural tem lógica e toda tentativa de comparação de modelos culturais soa como atitude etnocêntrica. A coerência de um habito cultural só pode ser analisado a partir do sistema ao qual pertence. Um etnólogo quando inicia o estudo de uma cultura diferente é considerado culturalmente cego, por isso deve saber que a sociedade estudada ordena o mundo a sua volta de acordo com os meios disponíveis dando assim o seu sentido cultural a este local, ou seja, a lógica de um sistema cultural depende da compreensão das categorias constituídas pelo mesmo.
Tendo os homens a capacidade de questionar os seus hábitos e modificá-los, faz com que acabem ocorrendo mudanças culturais. Que são menos sentidas em ritos religiosos, pois as mudanças tendem a ser mais lenta.
Existem ritmos diferentes de mudanças culturais, pois as inovações tecnológicas influenciam bastante nessas mudanças.
A mudança dinâmica do sistema cultural é lenta e imperceptível com exceção de acontecimentos inusitados. Que podem levar a mudança aceleração no ritmo de mudança.
Já no caso de contato com uma outra cultura a mudança pode ser brusca e rápida. Podendo ocorrer em certos casos sem traumas, ultimamente tem sido o meio de mudança cultural mais estudado.
Na dinâmica cultural o tempo é um importante elemento para analise. As mudanças de comportamento ao longo do tempo não ocorrem tranqüilamente, ela s causam conflitos sociais entre tendências inovadoras e tendências conservadoras.
Por isso entender as mudanças culturais ajuda a atenuar o choque entre gerações e evita comportamentos preconceituosos. Entender as diferenças intraculturais, facilita o entendimento da cultura de outros povos.
Daí vem meu questionamento, será que o autor da frase “Temos que dar cultura ao nosso povo!” pensou antes de dizer isto no ar!

____________
Hélio Dória Jr

Croelhas acertou em cheio

Croelhas com
a filhota Beatriz





Deu na coluna Tutti Qui de O Liberal, de domingo/21

Exemplo - O administrador distrital de Icoaraci, José Croelhas, deu um bom exemplo de como se realiza uma obra com a participação da comunidade: inaugurou na Vila a praça Jorge Lopes Raposo, que teve a colaboração dos vizinhos da área onde foi construída, que entraram com 400 sacos de cimento. Parte dos recursos aplicados por Croelhas foi o resultado da economia que fez não promovendo o espetáculo de fogos na virada do ano para investir na praça.
__________________

PS – Tudo isso é verdadeiro.
Aliás, a matéria completa da inauguração foi publicada nesse espaço... no mesmo dia.
Meus 710 leitores gostaram. Um pouco mais dos “sete” do Joaquim Antunes.

1/17/2007

Enfoque Amazônico

Ray Cunha de Panamá
fumando Cohiba



TACACÁ NA MANIÇOBA
Terra onde aventureiros se dão bem não é o Acre; é o Amapá
17.01.2007

BrasíliaO Guia do Litoral Brasileiro, da On Line Editora, de São Paulo, comete erros crassos até sobre sua própria região, o Sudeste; imagine, então, sobre a Amazônia. Num mapa de temperatura (que a revista trata como “clima”) de algumas cidades do litoral, por exemplo, a temperatura máxima no Rio de Janeiro é de 30,2 graus centígrados.
Mas é a Amazônia que interessa. Segundo a revista, sem fio-data e auto-intitulada “o guia mais completo e atualizado do Brasil”, em Belém do Pará, a temperatura chega no máximo a 32,3 graus e, em Macapá, a 32,6. Diariamente, no início da tarde, em Belém, o calor ultrapassa 40 graus, exceto se chover dias seguidos. Quanto a Macapá, situa-se em plena linha imaginária do Equador. Os raios solares caem verticalmente sobre a cidade. Europeus andam por lá besuntados de cremes e nunca sem panamá. Como não têm melanina, é fácil contrair câncer de pele.
A revista diz que em Belém marca-se compromisso para antes e depois da chuva diária. Trata-se de clichê batido (sic) do exotismo, explorado por publicações burocráticas, dirigidas para turistas na verdadeira acepção da palavra. Diz mais a revista: “O tucupi, um caldo amarelo, de gosto azedo, extraído da mandioca brava, é um dos pratos típicos da região”. Tucupi é ingrediente; não é prato. “Tem também a maniçoba, feita com carne de porco defumada, carne seca e lingüiça, além da folha de mandioca brava moída e do tacacá, um tipo de sopa de origem indígena”. Tacacá não é ingrediente, mas prato, e não é sopa, porém uma mistura de goma, tucupi, jambu e camarão.
Uma dica: o melhor tacacá de Belém é o da banca defronte ao Colégio Nazaré. Já me disseram que há melhor ainda. Pode ser. Mas tomar tacacá ao cair da tarde na Avenida Nazaré, apreciando o vai-e-vem das mulheres mais bonitas do mundo, só mesmo na banca do Colégio Nazaré. O bolo de macaxeira (mandioca no Sudeste) de lá é também divino.
E quando fala sobre o Amapá, o estado brasileiro mais distante do Brasil? Começa pelo título: “Belezas secretas”. Quais seriam? Mas o soutien está correto: “O Amapá é um destino para aventureiros, já que, entre as principais atrações, estão a pesca e a pororoca, um raro ecossistema ecológico”. Contudo os maiores aventureiro no Amapá estão na política.
O mais famoso deles é o senador maranhense José Sarney (PMDB). Nem Dom Luiz Galvez Rodriguez de Ária, Imperador do Acre, foi tão longe. Sarney conseguiu ser presidente da República e entrar para a Academia Brasileira de Letras. Em 1990, o coronel já era veneno para os maranhenses, então saltou de pára-quedas no recém-criado estado do Amapá, que oferecia três vagas para o Senado e não tinha qualquer experiência estatal. A cabocada (sic) se encantou com o ex-presidente da República e o elegeu para 24 anos de mandato. Sarney nem aparece no Amapá.
Outro aventureiro é o governador Waldez Góes (PDT), eleito para oito anos. Desde 2003, o Amapá vem afundando... O prefeito de Macapá, João Henrique (PT), ficou bastante conhecido também quando a TV Globo mostrou-o algemado, numa das operações da Polícia Federal. Diz-se que essas operações são teatro para o povo, mas para alguém ser agarrado assim pela Federal é preciso ter feito alguma coisa que não se deve ensinar aos filhos.
A revista diz que “Macapá é a única capital brasileira banhada pelo rio Amazonas, com a foz à margem esquerda”. O rio Amazonas só tem uma foz, como todos os rios do mundo. Adiante: “Suas ruas são retas e largas, com poucos prédios”. As ruas de Macapá – cidade sem rede de esgoto nem galeria de águas pluviais - são esburacadas, lamacentas durante seis meses e poeirentas o resto do ano, algumas com água de esgoto escorrendo pelo meio-fio. Pior é em Oiapoque.
__________
Ray Cunha

1/15/2007

Padre Dr. Cláudio Barradas. 77 anos de vida


No último dia 04 de Janeiro, nós, da Paróquia de Jesus Ressuscitado, comemoramos os 77 anos do padre Cláudio Barradas, nosso querido pároco e envolvidos pela alegria de poder homenageá-lo segue abaixo uns versos simples que retratam um pouco de nossa admiração por ele :
77 vidas contidas em vidas vividas ao longo do tempo, 77 amores, 77 prosas escritas, 77 peças descritas, 77 contos dirigidos, 77 falas emitidas do ponto, no ponto, pronto. 77 personagens, 77 juras e tramas, 77 dramas, 77 comédias, viva o artista da ribalta, viva Cláudio Barradas!
77 alunos, 77 provas, 77 faltas descritas, 77 abonos, 77 salas, 77 turmas, 77 discípulos, 77 cadernetas, 77 pequenos infantes em teste, viva Cláudio Barradas, o mestre!
77 zangas, 77 broncas, 77 crônicas, 77 estórias, 77 piadas, 77 idas e voltas, 77 homilias, 77 liturgias, 77 emoções, 77 atos que só na cruz se espraia, eis o servo de Deus , o padre, Cláudio Barradas.
77 projetos concluídos, 77 sonhos vividos, 77 desejos realizados, 77 poemas decorados, 77 declarações de amor, 77 teses defendidas, 77 livros na ponta da língua, 77 inconstantes e variados tons de humor, de crítica ou de elogio, 77 sombras que aparecem o vulto e o escondem. É ele, Cláudio Barradas, o homem.
77; mais que número és a busca do sete que se acentua em tons crescentes, a caminho da apoteose. 77 vezes, 7 por sete, número após número, caminho e pegada crescente rumo ao Cristo, na procura incessante por Ele que é o sete perfeito, e, neste caminho, mostra-nos suas flores, expões que és apenas a seta que aponta, mas que nos diverte e tanto nos revigora. Nos motiva também a buscá-Lo; sete por sete, caminho após caminho, pegadas rumo à cruz.
Preparas o palco, abres a cortina, soam os aplausos que como artista, esperas. Por que ainda te espantas? São para o Cristo, que mais uma vez brilha em ti, é dele a glória, é teu o prazer de atuar, é nossa a satisfação de te homenagear. Parabéns!

Leno Carmo
Ministério de Música e Pastoral Familiar

PS – Publico esta materinha, extraída do site da Voz de Nazaré, porque o cidadão Cláudio de Souza Barradas, o filósofo, o escritor, o teatrólogo, o ator por formação, o sacerdote, o amigo - e sempre foi meu amigo. Tenho muita coisa a falar dele. Até o final da semana vou publicar uma reportagem que eu fiz com ele para o extibnto Nosso Jornal, de Salomão Laredo – outro amigo - anos passados, quando dirigia a Paróquia de Santa Isabel de Portugal, em Santa Isabel do Pará, Estou vasculhando o arquivo para encontrar (A.F)

Enfoque Amazônico

SOS

Amazônia - De Galvez à Campanha da Fraternidade


Brasília A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não lançará a Campanha da Fraternidade 2007 em Brasília, mas, pela primeira vez, na Amazônia, no Pará. Com o lema “Vida e missão neste chão”, a campanha, este ano, tem como tema a Amazônia - a Amazônia estuprada. Será lançada, dia 21 de fevereiro, início da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Semana Santa, na ilha do Combu, no rio Guamá, defronte ao campus da Universidade Federal do Pará (UFPA). A TV Nazaré transmitirá a solenidade ao vivo, em rede com as emissoras católicas do país, além de disponibilizar seu sinal para canais abertos.
Dom Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano de Belém, espera que a campanha ajude a criar uma consciência nacional sobre a vital importância da Amazônia para o Brasil, e para o planeta. “Durante todo este ano, vamos discutir o que a Amazônia pode ensinar aos brasileiros e de que maneira nosso país vê essa região tão rica e importante para o mundo” - disse o arcebispo ao jornal Diário do Pará, edição de hoje.
O site da CNBB alerta: “Acompanhamos com apreensão a ocupação, muitas vezes predatória, das terras amazônicas, sem que seu complexo e delicado ecossistema seja respeitado. O egoísmo e a ganância na exploração das riquezas, o descuido e a imprudência ameaçam seriamente esse patrimônio natural, que não é somente dos brasileiros; a devastação da Amazônia configura-se como uma perda e uma ameaça para toda a humanidade”.
Com efeito, a floresta amazônica vem sendo torada a razão do 100 mil quilômetros quadrados a cada governo; a poluição por mercúrio é crítica em algumas áreas; cartórios atuam a serviço de grileiros; guseiras estimulam a derrubada da floresta para a produção de carvão; meninas se prostituem para sustentar suas famílias; a escravidão é comum na região; no mato, vige a lei da bala; crianças morrem comidas por vermes, giárdia, protozoários e malária; estrangeiros entram e saem da região como nem no tempo dos portugueses, que expulsavam franceses, ingleses e holandeses debaixo de aço e fogo; trafica-se animais, essências e diamantes como quem trafica cocaína no Rio de Janeiro – uma bacanal.
No dia em que os gringos do Tio Sam começarem a morrer assados a 40 graus centígrados à sombra, em Washington, não duvido que marines invadam a Amazônia e refundem o Bolivian Sindicate. Em 17 de novembro de 1902, o Brasil derrotou os Estados Unidos e a Inglaterra, mas na esfera diplomática. O Barão de Rio Branco assinou, naquela data, o Tratado de Petrópolis, garantindo para o Brasil a soberania do Acre, que era da Bolívia.
Aliás, a Revolução Acreana, como a história da Amazônia, não é ensinada nas escolas públicas brasileiras. A Amazônia é uma ilustre desconhecida dos brasileiros. Por isso, a série exibida pela TV Globo, Amazônia - De Galvez a Chico Mendes, da acreana Glória Perez, está fazendo mais pelo Trópico Úmido do que todas as empresas estatais de turismo da região, juntas. Falar em TV Globo, quando a mais influente emissora de televisão do país produz um Globo Repórter sobre a Amazônia, como o exibido ontem, sexta-feira 12, manda um repórter carioca, pautado por um paulistano, ou vice-versa, e a tal reportagem fica só na superfície do exotismo.
Voltando ao Acre, Plácido de Castro, que tinha 29 anos, organizou os seringueiros e, sem a mais remota ajuda do governo brasileiro, venceu o exército boliviano, expulsando suas tropas de Puerto Soares, hoje Porto Acre. Foi aí que o Bolivian Sindicate se esfarelou. O Bolivian Sindicate foi uma invenção anglo-americana. Inglaterra e Estados Unidos arrendaram o hoje Acre da Bolívia, pois era somente lá que havia seringueiras. Durante a vigência do Bolivian Sidicate, os Estados Unidos eram quem ditavam as regras no local. Um enclave americano na Amazônia.
“Se o Bolivian Sindicate tivesse prosperado, com toda certeza a Amazônia hoje não seria brasileira” – observa o historiador e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Aloízio Moel.
Outra Amazônia, a Azul - as 200 milhas do mar territorial brasileiro -, vem sendo, também, saqueada. Nas costas do Amapá, por exemplo, há décadas que embarcações de todas as partes do mundo, principalmente da Ásia, pescam em águas brasileiras profundas, ignorando solenemente a minguada Marinha do Brasil. Diga-se, de passagem: as costas do Amapá são o ponto mais piscoso do globo, pois recebem nutrientes do maior rioa do mundo, o Amazonas, que despeja 200 mil metros cúbicos de água por segundo no oceano Atlântico, fora o que eu chamaria de húmus.
_______________

Burrice: a Universidade Federal do Amapá (Ufap) não oferece curso de Oceanografia.

__________
Ray Cunha

1/14/2007

Entregue a Praça "Professor Jorge Lopes Raposo"

Foto: Nélson Jr




Com o descerramento da placa inaugural pelo agente distrital José Croelhas – que representou o prefeito Duciomar Costa – pela professora Marilene Moreira Raposo, viúva do homenageado e pela senhora Rosa Rabelo, representante dos moradores do Conjunto “Lopo de Castro” – foi inaugurada neste domingo, pela manhã, a Praça “Professor Jorge Lopes Raposo”, como parte das comemorações pelos 391 anos de Belém.
Localizada na Travessa Itaboraí, entre a Rua 15 de agosto e a antiga Estação Ferroviária, o novo logradouro foi construído pela Prefeitura de Belém, através da Agência Distrital de Icoaraci, em parceria com os moradores do conjunto. A praça tem 1.500 metros quadrados, equipada com uma vasta área de recreação que inclui play ground, balanço triplo, carrossel, gangorra, cinco postes de iluminação, bancos, lixeiras, além de projeto paisagístico desenvolvido por técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.A cerimônia de inauguração contou com a participação de lideranças comunitárias e as 150 famílias do Conjunto “Lopo de Castro”, oferecendo ainda várias oficinas do Programa Ama Belém com atividades para crianças, jovens e adultos que puderam aprender grafitagem em camisas, arranjos florais e fotografia. O programa também ofereceu corte de cabelo grátis.
Significado - Após o descerramento da placa inaugural, coube ao Professor Gildo Leal Raiol, Diretor do Colégio “Avertano Rocha”, falar sobre o significado da homenagem ao educador Jorge Lopes Raposo, “um exemplo de dedicação e amor por Icoaraci”.
Em nome da comunidade, a estudante Karina Rabelo disse que, sempre para as boas causas existem os lúcidos, os sensíveis, e as atitudes colaborativas e que a urbanização daquela área tão sinistra finalmente foi realizada por acreditarem na atual administração municipal. “Um novo horizonte passa a fazer parte do nosso cotidiano porque acreditamos e persistimos no sonho.
Com o apoio de nosso prefeito e de nosso agente, a praça é de todos, seja como espaço de lazer e entretenimento, um espaço a ser preservado, cuidado e respeitado” – afirmou Karina.
No final os moradores cantaram parabéns pra Belém e serviram um bolo de dois metros, consumido pelos presentes.
Abandonada – A área onde foi construída a Praça “Professor Jorge Raposo” fica no coração do Distrito. Estava abandonada, com muito mato e ratos, onde desocupados a utilizavam para consumir drogas e praticar vandalismo servindo até mesmo como mictório e depósito de lixo. Os moradores, então, propuseram à Agência Distrital que no local fosse construída uma praça.
O agente distrital José Croelhas achou a idéia simpática e propôs a reivindicação ao prefeito Duciomar Costa. Uma vez autorizada a obra, os trabalhos de capinação, limpeza, construção de bancos, arborização e iluminação começaram em junho de 2006, sob a coordenação do engenheiro Ronaldo Gamelas, responsável pelo setor de obras da Agência Distrital e autor do projeto.
O novo logradouro homenageia o professor Jorge Lopes Raposo, antigo diretor do Colégio Estadual Avertano Rocha, falecido no dia 9 de setembro de 1999, dois dias antes de completar 60 anos e que morava em frente à praça.
Homem de Bem - O professor Gildo Leal Rayol atual diretor da Escola Estadual de Ensino Meio “Avertano Rocha” fez um retrato sucinto da personalidade do homenageado. Disse que “a sua presença em nosso meio contribuiu em grande escala para o desenvolvimento educacional da Vila Sorriso. Hoje, graças a Duciomar Costa e a José Coelhas, Jorge Raposo pelos seus méritos recebe mais essa homenagem, talvez a mais significativa, pois já tem quadra de esportes e escola e agora praça com o seu nome. E o que mais importante: em frente à casa que morou por 23 anos”.
E prosseguiu: “O merecimento não é por ter sido um atleta de basquetebol dos mais admiráveis. Homem íntegro, um excelente chefe de família, mas pela sua dedicação na formação educacional e intelectual de muitos jovens de Icoaraci, inclusive eu. Toda sua vida, todos 59 anos que esteve entre nós foi dedicada, repito, com orgulho de ex-aluno em prol da Educação (...). O Colégio “Avertano Rocha” foi o seu berço, sua juventude, sua maturidade; poderia ter sido também sua velhice, mas foi injustiçado ao ser demitido da direção por causa de uma greve de professores pelo então governador Hélio Gueiros, isso o abalou profundamente. Mas hoje foi feita a justiça. O seu nome será perpetuado para todo o sempre” – disse Gildo Rayol.
Compromisso - Em seu pronunciamento o Agente Distrital José Croelhas destacou o papel das parcerias com a comunidade, agradecendo a paciência daqueles que acreditaram que com união todos os problemas podem ser enfrentados: “Espero que o exemplo de compromisso com a cidade que vocês, aqui de “Lopo”, estão dando possa frutificar em toda a Belém, que caminha para os 400 anos, e conta com a dedicação de cada um”.
Croelhas agradeceu ao prefeito Duciomar Costa o carinho que tem destinado a Icoaraci, aproveitando para informar que outros grandes projetos, como a reconstrução da Praça da Matriz, a conclusão da orla e a macrodrenagem do Paracuri começam a sair do papel nos próximos meses.

1/11/2007

Belém das Mangueiras” de Pires Cavalcante


Hoje a nossa linda cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará completa 391 anos de fundação. Ah, tinha tanta coisa para falar desta bela morena que me viu nascer a 58 anos. Fui planejado, concebido e “fabricado” na Vila do Pinheiro, contudo, nasci no Hospital da Ordem Terceira, no centro da cidade.
Mas esse texto não é para me promover. E sim para promover um camarada muito bacana que conheço há mais de quarenta anos. Chama-se Francisco Pires Cavalcante.
Cabra da Peste - Pires Cavalcante nasceu em São José das Piranhas, sertão da Paraíba. Desde cedo “teve queda” para música tocando requinta – uma espécie de clarinete pequeno - e sempre gostou da Marinha de Guerra do Brasil. Tanto gostou que os seus pais o enviaram para o Rio de Janeiro para casa de parentes, com um só objetivo: entrar para a Banda de Música da Armada.
Um belo dia um parente o levou ao Ministério da Marinha. Apresentado ao chefe da Banda, ele colocou um monte de dificuldades; mas... para que o Pires e o seu acompanhante não perdessem a viagem, solicitou que comparecessem um determinado dia quando haveria teste para jovens músicos que gostariam de ingressar na Marinha como militar-músico.
Pires Cavalcante compareceu levando a sua requinta. O teste foi feto pelo regente da Banda de Música dos Fuzileiros Navais e professores da Escola Nacional de Música. Como era 18 de novembro e no outro dia comemorava-se o Dia da Bandeira, o garoto tocou o Hino a Bandeira sem errar uma só nota e um só compasso. Foi aprovado em 1º lugar e indicado para o engajamento.
Pires Cavalcante estudou música um ano. Nos exames finais conseguiu o 2º lugar com a nota 9,1 A partir daí fez exames para o Corpo de Fuzileiros Navais (Ilha das Cobras, perto do Ministério da Marinha, na zona portuário do Rio) sendo guindado para o posto de cabo-músico.
Fuzileiro - Pires esteve por 12 anos na Marinha. Participou da 2ª Guerra Mundial, servindo no Cruzador Barroso, guarnecendo as áreas próximas do litoral do Rio de Janeiro e do Espírito Santos. Ele ajudou a abater vários submarinos alemães “que volta a meia apareciam afundando os nossos navios”.
Além disso, rodou o mundo. Visitou 29 paises a bordo do navio-escola Almirante Saldanha, um dos mais belos veleiros que o Brasil possuía e que posteriormente foi vendido para Portugal. Ele passou um ano e 23 dias embarcado.
Já em terra sofreu um acidente. Com isso foi reformado ainda jovem, com 22 anos, pelo ex-presidente Café Filho no posto de 1º Tenente.
Amor e vida - Belém do Pará se constituiu num porto seguro para Pires Cavalcante.
Embarcado esteve por mais uma vez em nossa cidade.
Reformado, aos 25 anos, resolveu mudar de mala e cuia para Belém.
Numa tarde dando umas voltas pelo bairro do Telegrafo sem Fio – na condição de músico e compositor – e passeando na Travessa Djalma Dutra, entre as avenidas Senador Lemos e Rua Curuçá se encontrou com uma bela paraense - Maria de Nazaré Rodrigues - que morava no perímetro.
Foi amor à primeira vista.
A moça estava compromissada; todavia, de tanto Pires Cavalcante insistir e cortejá-la ela acabou deixando o namorado e aceitando o nosso herói.
Foram dois anos e meio de namoro. Concluído esse período veio o casamento (civil e religioso).
A união já dura quase 46 anos, e teve como fruto cinco filhos: Sinézio, o primogênito que faleceu ainda menino; Antônio (Toni), que é Capitão da Polícia Militar do Estado; Francisco Jr (Frank), que trabalha em computação e é químico - fazendo mestrado atualmente em São Paulo; Crácio, representante comercial no setor de medicamentos e Alan, médico, especializado em Radiologia.
Conterrâneo - Por que resolvi homenagear neste espaço virtual, Francisco Pires Cavalcante? Porque este cidadão, com 83 anos, há 58 vive em Belém,
Ele é mais viva personificação do adágio popular que diz: quem vai ao Pará, parou. Bebeu açaí ficou, namorou, casou.
Pires Cavalcante como um excelente compositor e “naval”, poderia ter escolhido qualquer outra cidade para viver, Rio São Paulo, Salvador - na época, 1948, grandes centros da música popular – mas preferiu vir, ficar, viver em nossa cidade, com a nossa gente.
Desde que chegou resolveu adotar um clube: o nosso glorioso Paysandu Sport Clube. Tanto que anos mais tarde criou um hino. Sim; o hino oficial do “Campeão dos Campeões” (Uma listra branca, outra listra azul....) é de autoria do Pires.
Pires Cavalcante ama tanto a sua Nazaré que tão logo a conheceu dedicou-lhe um samba, que não apenas a homenageia, como também exalta a cidade da amada.
Dêem uma olhada:

Túneis de Mangueiras

Não posso mais guardar
Dentro do peito
Eu creio que me assiste
Esse direito.
Eu quero exaltar a minha cidade
Não é vaidade
Quem fala é o meu coração.
Beleza encontrou o sue lugar
Tristeza não achou onde morar:
Eu canto esses versos que eu fiz
Dizendo que em Belém
Eu sou feliz;
Seus túneis de mangueiras
Amenizam o calor
São sombras tão amigas
Nas horas felizes do amor
Morenas bronzeadas
Passando nas calçadas
E só na minha Belém que tem

Não precisar dizer que Nazaré gamou, se emociona até hoje e sabe de cor, tanto que ajudou o repórter a lembrar-se da letra.
Essa música foi gravada na RCA Victor pelo cantor Alcides Gerardes e lançada em maio de 1958 no Teatro Variedades que funcionava no antigo Largo de Nazaré, atual Praça Justo Chermont.
Além dessa música, Pires escreveu Deusa do Violino, um samba-canção, também dedicado â sua mulher, a sua Deusa, e inúmeras outras promovendo o amor e a sua Belém.
Homenegem - Em 1965, por ocasião dos festejos dos 350 anos de Belém, Pires Cavalcante homenageou a nossa cidade com a marcha-rancho, que fez o maior sucesso na época:

Parabéns Belém

Minha cidade está em festas.
Meus parabéns Belém.
Felicidades mil
Sou seresteiro e vou fazer seresta
Pra reviver os tempos idos deste meu Brasil

Minha canção é portadora
Desta mensagem.
A singela homenagem que escrevi.
Minha cidade hoje é detentora
De beleza sedutora
Como igual eu nunca vi.

Quem vem aqui a Belém
Vê a beleza que tem,
Quando vai leva saudade
Desta cidade fagueira
350 anos não existem desenganos
Nesta gente altaneira,

Quem quiser saber se é verdade
Tudo que a minha canção diz
Veja em cada praça,
No dia a dia que passa,
A criançada feliz.

Essa música foi gravada por Dalva de Oliveira (Discos Odeon) que naqueles tempos era uma das maiores cantoras brasileiras. Inclusive ela veio aqui em Belém lançar o disco, um compacto simples.
Icoaraci - Em 1969 Pires Cavalcante escreveu o Hino do Iº Centenário de Icoaraci, que foi elogiadíssimo pelo médico e ex-deputado federal Stélio de Mendonça Maroja, Prefeito de Belém e pelo engenheiro rodoviário Evandro Simões Bonna, agente distrital de Icoaraci.
Francisco Pires Cavalcante, juntamente com Afonso Monteiro, Antonino Rocha., Clodomir Colino e Ossian Brito, criou em Maracacuéra nos anos 60, a Água Nossa Senhora de Nazaré que posteriormente vendida ao empresário Nelson Souza e, logo em seguida para, o Grupo J. Pessoa de Queiroz (Indaiá), de Fortaleza.
Pires Cavalcante teve outros negócios.
O último foi a Agência 13 de Automóveis (Travessa Benjamin Constant, 1069, entre Travessa Boaventura da Silva e a Avenida Governador José Malcher).
Francisco Pires Cavalcante morou por muitos anos em Icoaraci, na Travessa Souza Franco, 50. Depois se transferiu para Belém onde reside com a sua Nazaré, numa bela casa na Avenida Gentil Bittencourt, entre a travessa 14 de marco e a Avenida Alcindo Cacela, vendendo saúde.
Avesso a fotografia, não se deixou fotografar. Pediu apenas que para ilustrar a matéria eu providenciasse mangueiras, túnel de mangueiras.
Satisfeito o pedido.
Essa é a forma que encontrei de homenagear a minha cidade; a cidade de Pires Cavalcante – a nossa Belém, no dia do seu aniversário.
Parabéns, Belém!

1/10/2007

Enfoque Amazônico


POESIA

Belém, meu amor

Brasília – Belém faz 391 anos amanhã, sexta-feira/12 12. Em 1616, o capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco, encarregado pela coroa portuguesa de conquistar, ocupar, explorar e defender a boca da Amazônia, de ingleses, holandeses e franceses, construiu o Forte do Presépio na península dos Tupinambá, banhada pelo rio Guamá, que deságua na baía do Guajará. Da fortaleza, a cidade se espraiou e se consolidou como a mais importante da Amazônia, e a mais charmosa.
Quando chegamos a Belém, ao amanhecer, pela baía do Guajará, a cidade se despe, aos poucos, da névoa, até emergir, nua. Se chegamos de avião e é noite, as luzes na península, como miríade na noite que desaba sobre a baía, anunciam-se como ovnis, até pousarmos no bolsão de sol de Val-de-Cães. À tarde, se é julho, o céu, de tão azul, sangra.
Belém é uma sucessão de fotografias sépias: desjejum no Ver-O-Peso - café recém-coado com tapioquinha amanteigada; peixes nos balcões de mármore do mercado - os pirarucus são, talvez, os mais bonitos, os filhotes são enormes e os meros, imensos, há sempre muita piramutaba, pescada, tucunaré, curimatã, tamuatá, gurijuba, mapará, camarão e toda sorte de frutos do mar, capturados nas costas do Pará, especialmente ao largo do Marajó, e nas costas do Amapá; almoço no Ver-O-Peso, dourada com pirão de açaí, ou filhote no Restaurante Remada, ou dourada com vinagrete e farofa na Vila Sorriso, ou pirarucu ao molho de castanha-do-pará no Mangal das Garças; à tarde, vagabundeamos, tomamos tacacá e sorvete de tapioca na Cairu, e, à noite, bebemos caldo de filhote no Remada e bebemos Cerpinha no hotel, no banheiro e enquanto nos arrumamos para o encontro com a madrugada. Os dias se sucedem com cheiro de maresia, mulheres caminhando nas praças, merengue, bebedeiras, o rio.
Mas de todos os sonhos em Belém do Pará o que mais me transmite a sensação de ofertar rosas para a madrugada é a lembrança, guardada numa prece, da mulher mais bonita do mundo. Rubem Braga disse que as mulheres mais bonitas do mundo não têm pátria; são imagens oníricas, vistas, uma única vez, em grandes aeroportos internacionais, de madrugada. Rubem Braga era poeta, mas não conheceu Belém.As mulheres mais bonitas do mundo exalam o perfume das virgens ruivas e, assim, espargem, por onde passam, um rastro de devaneio e dor, pois a suprema beleza feminina, de tão azul, sangra. As mulheres muito belas são inesgotáveis, de tão intensas. Se, ungido pelos deuses, é-nos dado penetrar o santuário da mulher mais bonita do mundo, ela estará para sempre no relicário do nosso coração, e estaremos grávidos, dela, para sempre.
As mulheres muito bonitas estão em toda parte do mundo com mais de quatro dimensões. Os poetas, entre os artistas, são os que mais vêem mulheres muito bonitas. Talvez, por isso, morrem tão jovens, ou enlouquecem. Ou se transformam em tristes homens sozinhos. Os poetas, que têm olho clínico e distinguem as mulheres muito bonitas onde quer que estejam, são ungidos por Deus por essa clarividência, mas não resistem e são exauridos pela luz intensa demais dessas obras de arte supremas.
As mulheres muito bonitas são como um cataclismo de rosas colombianas, como o Concerto Para Piano e Orquestra, em Ré Menor, de Mozart, como o perfume das virgens ruivas, como jasmineiros chorando em noite tórrida, como o céu de julho, na Amazônia, que, de tão azul, sangra. Em Belém, elas estão nas ruas, povoam as tardes, espalham seu riso nas nossas vidas, estão em toda parte. Portuguesas, negras, índias, mulatas, cafuzas, mamelucas, elas povoam as ruas e a imaginação dos artistas que elegeram a cidade seu templo.
Todos nós elegemos uma cidade para morrer. Quero morrer em Belém do Pará, onde ouço o riso das mulheres mais bonitas do mundo, observo-as trotando nos calçadões, sentadas, tomando tacacá ao cair da noite, naquele momento em que a noite cai lentamente, acamando-se, até as luzes da noite tremeluzirem como composição de Debussy.
As mulheres mais bonitas do mundo têm sabor de leite da mulher amada, seus lábios são pétalas esmigalhadas de rosas vermelhas, exalam uma mistura de Chanel Número Cinco, Mateus Rosé, Dom Perignon, rosas da madrugada e maresia. E nada as pode macular. Não devemos, nunca, nos apaixonar pelas mulheres mais bonitas do mundo, pois são livres como o vento. Mas sabemos que isso é impossível. Quando nos amam, são intensas como um jardim prenhe de rosas multicoloridas, mas livres como o próprio amor; o amor não prende, liberta dolorosamente. A liberdade é o que elas têm de mais sublime. São livres como o verso, como a pincelada do artista, como a música de Mozart.
Gostaria de subjugar a mulher mais bonita do mundo, de domá-la, de arrancar-lhe declarações apaixonadas, e gemidos, de madrugada, de encerrá-la no limite do meu olhar. Mas, as mulheres muito bonitas, ninguém pode ser dono delas. Resta-nos vagar pela cidade, na dimensão do tempo, aspirando o perfume das virgens ruivas, que as mulheres mais bonitas do mundo, atemporais, espargem nas páginas do álbum de fotografias.
Acomodado numa cadeira de palinha, na Estação das Docas, observo o rio e a tarde. Um iate parte. Talvez vá para Macapá, ou para Trinidad e Tobago. Talvez vá para Caiena. Ou para Mosqueiro. Ou Salinas. De qualquer forma, haverá de ir para um lugar lindo. A tarde é povoada de mulheres deslumbrantes, trajadas em vestidos de seda. Vindo de algum lugar, remoto, penso ouvir merengue. Concentro-me numa prece. E então sinto que ela está sentada à minha frente. O mundo gira. A mesma vertigem de uma missa na catedral quando ainda somos criança. Ela me chama de querido. Tenho certeza, então, de que estou em Belém.

__________
Ray Cunha

1/03/2007

Enfoque Amazônico

RESISTÊNCIA

Destino da Amazônia é o mesmo da Mata Atlântica

Brasília Os próximos quatro anos (2007-2010) serão catastróficos para o Brasil, principalmente para a Amazônia. Os primeiro quatro anos Lula, haitianos, empurrou-nos para o retrocesso. Em 2007, começará a explodir o desemprego e a guerra urbana recrudescerá. Os ladrões de colarinho branco, estimulados pela impunidade, em 2006, começarão a roubar até criança cancerosa. Lula não conseguirá mais nadar na lama e dependerá, cada vez mais, para não afundar a cabeça, do PMDB, que, no fim da bacanal, em 2010, empurrará a cabeça de Lula esgoto abaixo.
Não se sabe até quando o povão, mesmo o que reelegeu seu alter ego Lula, agüentará. A classe média já não suporta mais, porém é apática. Os donos dos jornalões continuarão recebendo rios de dinheiro apenas para não publicar...
Os caboclos da Amazônia - cada vez mais desmatada, quente, poluída, explorada até o osso – vão morrer aos magotes, por bala, terçado, verme, micróbio, fome, esgotamento nervoso e suicídio. No Pará, a governadora petista Ana Júlia Carepa não vai fazer nada, pois o dinheiro da União já está empenhado. O que cair nas mãos de Ana Júlia mal dará para matar a fome dos “companheiros” petistas e do PMDB de Jader Barbalho. Os tucanos paraenses enchiam só a burra das Organizações Romulo Maiorana; agora, Ana Júlia terá que despejar dinheiro também nas organizações Jader Barbalho.
A Amazônia já mergulhou, sem remédio, na sua tragédia. Só escaparia ilesa como patrimônio da humanidade, vigiada por força internacional da ONU. Vide o caso da Floresta Atlântica, que os portugueses e outros saqueadores toraram até a raiz; o pouquinho que sobrou dela continua a ser torado; as autoridades, dos três poderes, sabem disso, pois até a TV Globo já mostrou a devastação, em horário nobre. O Brasil continuará a ser pilhado continuamente. Parece um galinheiro recheado, vigiado pela elite do galinheiro, raposas.
O tucanato terá uma chance de ouro de retomar o poder, em 2010, se, aliado a políticos do nível do guerrilheiro Fernando Gabeira incendiar este país, enquanto é tempo. Esclareça-se, incendiar por meio do verbo, pela conscientização das bases da sociedade, mostrando que as riquezas do país são de todos e não de meia dúzia de Paulo Maluf, Jader Barbalho, José Sarney, Toninho Malvadeza, o aprendiz de feiticeiro Waldez Góes, Duda Mendonça, Partido dos Trabalhadores do Movimento Democrático Brasileiro, muito menos de Lula e Lulinha.A oposição, nos próximos quatro anos, terá que ser altamente estimulada e organizada, pois dela dependerá o futuro do país, que só terá dois caminhos: o Quarto Mundo ou crescer.

___________
Ray Cunha